Emocionados, familiares acompanharam o ato
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Um ato público em memória dos 25 anos da tragédia da P-36, que matou 11 petroleiros na bacia de Campos, foi realizado na manhã desta terça-feira (17) no heliporto do Farol de São Tomé. Organizada pelo Sindipetro-NF, a atividade reuniu trabalhadores da ativa, aposentados, dirigentes sindicais e familiares das vítimas em um momento de forte emoção e reafirmação da luta por segurança no trabalho.
Além das homenagens, o ato contou com uma apresentação teatral. Segundo o sindicato, a peça destacou a importância da união dos trabalhadores na defesa da vida, reforçando o papel da organização coletiva, da atuação sindical e da luta por respeito e dignidade humana nas plataformas da Petrobrás e das demais empresas do setor petróleo.
Durante a atividade, familiares das vítimas deram depoimentos marcantes. A viúva de Emanoel Portela Lima, um dos trabalhadores mortos na tragédia, Luzineide Lima, ressaltou a importância de manter viva a memória da tragédia. “A gente vem aqui todo ano para que esse acidente não seja esquecido e para mostrar aos trabalhadores a importância de preservar a vida e denunciar falhas. Não dá para esconder problemas. A vida é o mais importante”, afirmou.
Ato aconteceu no heliporto do Farol nesta terça (17)
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Também familiar de vítima, Wênia Pereira dos Santos, filha de Laerson Antônio dos Santos, destacou o peso emocional do ato, mas reforçou seu papel de conscientização. “É doloroso, é cansativo, mas a gente vem porque ninguém quer ver mais acidentes. Quando as pessoas entendem que isso pode acontecer com qualquer família, elas passam a se mobilizar. Nosso objetivo é ajudar a mudar essa realidade”, disse.
“Queria muito agradecer ao sindicato e aos mais envolvidos por nunca deixarem cair em esquecimento essa data tão trágica em nossas vidas. Foi tudo muito bem elaborado”, afirmou Rita de Cássia Lopes de Araújo, viúva de Mário Sérgio Matheus, outro petroleiro que perdeu a vida na plataforma.
O coordenador-geral do sindicato, Sérgio Borges, enfatizou que a memória da tragédia deve servir como aprendizado e instrumento de luta. “A gente não quer lembrar só da tristeza, mas transformar essa memória em ação. Quando acontece um acidente, quem está lá é o trabalhador. Por isso, é na união entre nós que está a nossa força”, destacou.
Coordenador-geral do sindicato, Sérgio Borges
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Borges também alertou para a necessidade permanente de vigilância nas condições de trabalho. “Quando o sindicato denuncia falhas ou cobra melhores condições, é para evitar que tragédias como essa se repitam. Não dá para esperar que as empresas façam isso sozinhas. Essa luta é dos trabalhadores”, afirmou.
O diretor do sindicato, Tezeu Bezerra, reforçou o caráter simbólico do ato. “É um dia de emoção e de indignação. Quando falamos de segurança, é porque queremos que todo trabalhador embarque e volte para casa com saúde. Sem luta, não há conquista”, disse.
Duas explosões na P-36 No início da madrugada de 15 de março de 2001, a P-36, então a maior plataforma de produção do mundo, que operava no campo de Roncador, na Bacia de Campos, sofreu duas explosões em uma de suas colunas num intervalo de 20 minutos. A segunda explosão causou a morte dos 11 trabalhadores que integravam a brigada de incêndio da unidade. Apenas dois corpos foram recuperados.
Segundo relatório da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), após a segunda explosão,138 trabalhadores foram desembarcados, o que durou três horas e meia, permanecendo a bordo da unidade apenas a equipe de emergência. O time permaneceu na P-36 até as 6h30 para tentar mantê-la nivelada, mas, diante do insucesso na ação, foi desembarcada.
Tragédia na P-36, na Bacia de Campos, deixou 11 mortos em 2001
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Houve várias tentativas de estabilizar a unidade, “particularmente a injeção de nitrogênio e ar comprimido nos compartimentos alagados para expulsão da água”, aponta o documento da agência reguladora, mas nenhuma delas teve sucesso. Após cinco dias de angústia, a P-36 foi a pique às 11h40 do dia 20 de março de 2001, levando consigo os corpos dos 11 trabalhadores mortos na tentativa de combater o incêndio na unidade.
A tragédia da P-36 deixou como vítimas os petroleiros Adilson Almeida de Oliveira, Charles Roberto Oscar, Emanoel Portela Lima, Ernesto de Azevedo Couto, Geraldo Magela Gonçalves, Josevaldo Dias de Souza, Laerson Antônio dos Santos, Luciano Cardoso Souza, Mário Sérgio Matheus, Sérgio dos Santos Souza e Sérgio dos Santos Barbosa.