Casas Bahia fecha loja em shopping de Campos
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Foto: Júlia Alves
A unidade da Casas Bahia no Shopping Partage, em Campos, é uma das 298 lojas que teve as atividades encerradas em agosto deste ano pelo grupo que acumula cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. Na noite desse domingo (16), a companhia e outras nove empresas do grupo entraram com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, em uma tentativa de reorganizar as finanças, renegociar os débitos e manter a continuidade das operações nas demais lojas físicas, no comércio eletrônico e nos demais canais de venda. A medida resultou na demissão de cerca de 3 mil funcionários.
Segundo o G1, a recuperação judicial é um processo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça, com o objetivo de evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas.
Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada
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Sarah Brito/g1
A decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador, segundo informações da companhia. Já o pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais.
As iniciativas se somam a outras ações implementadas desde 2023, quando o chamado Plano de Transformação levou ao fechamento de 55 lojas consideradas deficitárias e à redução de aproximadamente 8,6 mil postos de trabalho.
O grupo possui outras unidades em Campos e, até o momento, não há informação sobre novos fechamentos no município.
Reestruturação do grupo começou em 2023
Segundo o documento, as primeiras medidas de reestruturação foram adotadas em 2023, diante da piora do cenário econômico e financeiro. Além do fechamento das 55 lojas e da redução de postos de trabalho, a empresa diminuiu estoques, cortou investimentos e promoveu ajustes nos centros de distribuição. Apesar dos ganhos obtidos com essas medidas, a companhia afirma que o alto custo da dívida continuou pressionando o caixa. Por isso, novas ações foram adotadas em 2026.
Na petição, a empresa atribui suas dificuldades principalmente ao ambiente de juros elevados, à queda do consumo de bens duráveis, ao aumento da inadimplência e às pressões enfrentadas pelo setor varejista nos últimos anos. A companhia também cita os impactos da transformação digital no comércio.
Já em 2024, a Casas Bahia também realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras.
Além da Casas Bahia, o pedido de recuperação judicial inclui outras empresas do grupo: ASAP Log – Logística e Soluções Ltda; ASAP Log Ltda.; CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda.; Cntlog Express Logística e Transporte Ltda.; Globex Administração e Serviços Ltda.; Cnova Comércio Eletrônico S.A.; Integra Soluções para Varejo Digital Ltda.; Casas Bahia Tecnologia Ltda; e Indústria de Móveis Bartira Ltda.
Prejuízo bilionário antecedeu o pedido
O pedido de recuperação judicial foi anunciado um dia após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026. A companhia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho. Segundo a empresa, R$ 9,1 bilhões desse total correspondem a ajustes contábeis extraordinários e despesas relacionadas ao plano de reestruturação, sem impacto imediato no caixa.
Entre esses ajustes estão a redução do valor de créditos tributários que a empresa esperava utilizar no futuro, a reserva de recursos para cobrir possíveis disputas e obrigações contratuais, a reavaliação do valor de ativos, como lojas e outros bens, e despesas ligadas ao processo de reorganização da companhia.
Apesar do prejuízo, alguns indicadores operacionais apresentaram melhora. A receita líquida cresceu 1,6%, para R$ 6,98 bilhões, enquanto as vendas realizadas diretamente pela internet avançaram 15,3%, alcançando R$ 2,8 bilhões.
A companhia também informou que aumentou a geração de caixa, reduziu a dívida líquida e alongou o prazo de vencimento da maior parte de seus financiamentos.