Primeira edição do CAIS reúne pesquisadores e o artista-pesquisador Alexandre Mury
- Atualizado em 24/09/2026 11:44
Divulgação
A Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), por meio da Diretoria de Cultura, estabeleceu um espaço de convergência crítica fundamental para a região com a realização do CAIS (Culturas, Artes, Inteligências e Sociedades), evento realizado nesta semana.

Afastando-se de abordagens puramente tecnofílicas ou tecnofóbicas, o evento se consolidou como uma plataforma transdisciplinar para analisar como a proliferação das Inteligências Artificiais (IAs) reconfigura o tecido social, as estruturas políticas e a produção do conhecimento.

O diferencial metodológico do CAIS reside na dissolução das fronteiras entre a investigação acadêmica tradicional e a produção em arte contemporânea. Um dos eixos centrais dessa articulação foi o painel “Máquinas de consenso: entre o hype e o pânico”, que teve como debatedor o artista e pesquisador Alexandre Mury.

Mury analisou de que forma sua produção visual tensiona os limites da cultura digital e como suas obras são reativadas dentro dos circuitos contemporâneos de circulação simbólica.

Longe de uma abordagem puramente estética, Mury demonstrou como esse ecossistema em rede instaura “novos regimes de visibilidade da imagem”, modificando as instâncias de percepção, experimentação e consumo da arte.

O debate evidenciou que a hibridização entre a inteligência humana e a não humana rearranja os próprios critérios de preservação da memória coletiva e de arquivamento da história.

Diante do avanço dos modelos generativos, o artista defendeu uma postura de “responsabilidade e desconfiança epistêmica”. Em vez do isolamento, Mury propôs um modelo agencial colaborativo inspirado nas melhores práticas da ética hacker: uma atuação tática e coletiva que subverte a lógica utilitarista das plataformas em defesa do bem comum e do acesso público.

Para além dos horizontes da linguagem artística, os painéis do CAIS traçaram um diagnóstico rigoroso e alarmante sobre a governamentalidade algorítmica. Pesquisadores e debatedores abordaram os mecanismos de vigilância ubíqua, o controle social preditivo, a apropriação extrativista de dados privados e a acelerada precarização do trabalho promovida pelas plataformas digitais.

O CAIS encerrou suas atividades com a articulação de um fórum voltado à redação de um documento público, com o objetivo de consolidar diretrizes políticas e culturais para a Região Norte Fluminense diante dos desafios da dromocracia e da automação.
Com informações da assessoria. 

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