Gralha transforma Campos em palco para sua música
Dora Paula Paes - Atualizado em 23/09/2026 08:26
Integrantes da banda Gralha
Integrantes da banda Gralha / Divulgação

Por 49 dias, os integrantes da banda de rock Gralha resolveram levar a música para vários locais de Campos dos Goytacazes. O objetivo era apresentar o trabalho autoral por meio de um videoclipe e alcançar 10 mil seguidores nas redes sociais. Mas a proposta foi além dos números: transformar a cidade em palco e aproximar a banda do público campista.

A inspiração veio de Chicago, nos Estados Unidos, cidade conhecida por respirar cultura e ter apresentações musicais espalhadas por diferentes espaços. Em Campos, a Gralha decidiu fazer algo semelhante, levando sua música para as ruas e transformando bairros, avenidas, viadutos e pontos turísticos em cenários para imagens e sons.

Em 2026, o grupo lançou três músicas: “Enquanto o Mundo Espera”, “Mil Quilômetros” e “Negação”. A mais recente é justamente a trilha que acompanha a nova fase da banda pelas ruas da cidade.

Formada por Gilberto Gomes (voz), Felipe Monteiro (guitarra), Gabriel Campista (baixo), Amaro Assed (guitarra), Eduardo Mussi (bateria) e Anderson dos Santos (teclado), a Gralha trabalha atualmente para experimentar sonoridades e construir uma identidade própria. Dentro desse processo, surgiu “Negação”.

“A música mistura funk carioca, rock e elementos de rap, unindo a batida característica e divertida do funk à energia e intensidade do rock, com uma parte significativa da música sendo cantada de forma mais falada. A letra fala sobre uma pessoa apaixonada por outra que tem medo de se entregar. Existe uma atração muito forte, mas, ao mesmo tempo, uma resistência em assumir aquilo que está sentindo — daí vem o nome ‘Negação’”, explica Amaro Assed.

Segundo o músico, a canção também representa a disposição da banda para experimentar novas sonoridades e incorporar elementos brasileiros à sua identidade musical.

Música pelas ruas

A decisão de levar a banda para as ruas surgiu da vontade de criar uma conexão maior com o público de Campos, em julho deste ano, quando tinham pouco mais de mil seguidores nas redes. 

“A gente percebeu que, muitas vezes, conseguia ter mais abertura com pessoas de fora da cidade do que com o próprio público daqui. Então pensamos em levar a música para as ruas de Campos, criando vídeos que tivessem uma conexão imediata com quem é da cidade”, conta Assad.

Inicialmente, a ideia era que, assim que uma pessoa visse os vídeos, reconhecesse os lugares e também se identificasse com eles. No fim, mais do que simplesmente buscar seguidores, a iniciativa se transformou em uma maneira de aproximar a Gralha das pessoas da cidade onde a banda nasceu.

Uma banda autoral

A Gralha surgiu em 2018 com a proposta de fazer música autoral.

“A gente sempre teve muita coisa para dizer, a partir da nossa visão de mundo e das nossas próprias experiências, e isso fez com que a banda se aproximasse naturalmente de uma proposta bastante autoral. Desde o início, também tivemos a ambição de construir uma linguagem artística própria, buscando uma identidade musical que fosse o mais original possível”, explica o músico.

Os integrantes já se conheciam de outras bandas e projetos, e a formação foi mudando ao longo dos anos até chegar à atual. A essência, porém, permaneceu: ser uma banda autoral, capaz de transformar experiências e aquilo que os integrantes têm a dizer em música.

Nas ruas, segundo a banda, a recepção do público tem sido excelente. Além do crescimento nas redes sociais, o contato direto com as pessoas proporcionou situações que ainda não haviam experimentado na carreira, como serem reconhecidos pela cidade.

“As pessoas pedem para tirar fotos, gravar vídeos ou até mandar mensagens para outras pessoas. Já aconteceu de sermos reconhecidos trabalhando no Uber e também no cinema, por exemplo. Isso foi muito significativo para a gente, porque mostra que a música está começando a ultrapassar as telas e chegar de fato às pessoas”, conta Assad.

Sobre a receptividade nos diferentes pontos visitados durante a jornada, os integrantes dizem não ser possível apontar um único lugar como aquele onde encontraram os melhores ouvintes.

“A gente não consegue apontar um local específico como o de maior receptividade, porque a nossa percepção é de que isso aconteceu pela cidade como um todo. No Spotify, por exemplo, atualmente ainda temos mais ouvintes em São Paulo do que em Campos. Mas existe uma diferença quando estamos falando do contato presencial”, explica.

Segundo Assad, a reação do público campista tem sido marcada pelo entusiasmo.

“É um tipo de conexão que os números das plataformas de streaming nem sempre conseguem mostrar. Então, mais do que um lugar específico, o que tem nos marcado é essa resposta da cidade como um todo.”

Onde acompanhar

A Gralha pode ser acompanhada principalmente pelo Instagram e pelo TikTok, onde está como Gralha Oficial, além do canal no YouTube. As músicas também estão disponíveis nas plataformas digitais.

No YouTube, uma forma mais fácil de localizar o conteúdo é pesquisar pelo nome da banda junto com o título de uma das músicas, como “Gralha Mil Km”. A estratégia ajuda a evitar resultados relacionados ao pássaro gralha, que também aparece nas buscas.

Nas redes sociais, o link disponível na bio reúne os acessos para as demais plataformas e conteúdos da banda.

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