Ao Livro Verde: 'As Janelas que ainda guardam o Paraíba'
Dora Paula Paes 05/09/2026 09:40 - Atualizado em 05/09/2026 09:42
Rodrigo Silveira
No último dia 22 de agosto, o médico João Sobral Filho abriu a janela da rede social e deixou fluir, em palavras, o sentimento de ver sucumbir um dos grandes patrimônios de Campos: a livraria Ao Livro Verde. João usou palavras para comentar um texto de Eduardo Affonso, no O Globo, no qual teceu uma livraria “é uma janela”. No caso da Ao Livro Verde, para João: “As janelas que ainda guardam o Paraíba”.
João Sobral Filho
João Sobral Filho / Reprodução rede social

“Em Campos, no Estado do Rio, essa casa existe há 182 anos. A ao Livro abriu suas portas e suas janelas em 1844, desde então viu a cidade mudar diante de seus olhos: viu o Império, a Abolição, República, viu Guerras Mundiais, Revoluções, Ditaduras, Crises econômicas terríveis e Pandemias. Na verdade, viu gerações inteiras atravessarem suas portas...”, lembra João Sobral Filho, em resposta ao colunista Eduardo Affonso.
Fechada em 2024, uma mobilização cultural — com a participação de 60 instituições em uma campanha de SOS — foi lançada em prol da livraria centenária. Sem expectativa de reabertura no antigo modelo comercial, agora se esperam os trâmites legais e definitivos para a abertura da "Cafeteria Ao Livro Verde” no Palácio da Cultura.

A luta do grupo do SOS Ao Livro Verde não chegou ao fim. "Estamos (a Associação de Amigos de Ao Livro Verde - Asalve) aguardando apenas a minuta/proposta de 'permissão de uso' do espaço, já reservado no Palácio da Cultura para a 'Cafeteria Ao Livro Verde', a ser apresentada pela Procuradoria Jurídica da Prefeitura de Campos, conforme ajustado com o prefeito anterior, Wladimir Garotinho, e a ex-presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Fernanda Campos", atualiza o jornalista Adelfran Lacerda.

Segundo ele, os entendimentos necessários para a imediata ocupação do espaço e o desenvolvimento das atividades planejadas estão em curso, positivamente, com a nova presidente da Fundação, Patrícia Cordeiro. "Como se trata de uma parceria entre a Asalve e a Prefeitura, depende de ajustes precisos/legais por se tratar de uma relação transparente e republicana entre os entes envolvidos, ou seja, do poder público e da iniciativa privada", explica. Ressaltando: "Estamos muito otimistas com relação ao prosseguimento frutuoso desses entendimentos de ambas as partes, das relações jurídicas e legalmente necessárias."
Rodrigo Silveira
Fundada em 13 de junho de 1844, a Ao Livro Verde é a mais antiga do Brasil e funcionou no mesmo local, no centro de Campos, por 180 anos. O espaço no Palácio da Cultura foi disponibilizado pelo então governo Wladimir, e esse desejo deve ser mantido pelo atual prefeito, Frederico Paes. A Folha encaminhou demanda à Prefeitura para saber em qual situação está o processo e aguarda resposta.

Pelo projeto, a cafeteria será aberta ao público em geral que frequenta as atividades realizadas no Palácio da Cultura, na área da Pelinca. E também, especialmente, para o lançamento de livros e encontros culturais, sobretudo literários. Na última Bienal do Livro em Campos, no ano passado, o espaço chegou a ser utilizado para uma exposição da história de Nilo Peçanha (1867-1924), campista, ex-presidente do Brasil e patrono da educação profissional e tecnológica.

A Asalve também acalenta outro projeto de ambição histórica: neste caso, a reabertura da Livraria Ao Livro Verde no centro da cidade, que também deverá se tornar o “Centro de Memória Ao Livro Verde”, visando à revitalização do Centro Histórico da cidade.

A livraria, citada em obras como "O Coronel e o Lobisomem", de José Cândido de Carvalho, foi mantida por quase dois séculos pela família Sobral. Porém, o negócio não resistiu aos ciclos, embora tenha chegado a entrar no Guinness Book como a livraria mais antiga do Brasil em funcionamento.
Veja o vídeo abaixo.
 

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