Momento raro: encontro com as irmãs
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Divulgação/Kamilla Uhl
Um lugar de paz, silêncio e contemplação em meio à rotina e o barulho da cidade. Assim é o Carmelo de São José em Campos dos Goytacazes, que celebrou 40 anos de fundação nesta segunda-feira (24). Dezenas de fiéis se juntaram às 12 religiosas, atualmente residentes na Clausura, no mesmo dia em que a Igreja Católica celebrou a festa do apóstolo São Bartolomeu, exemplo de coragem e fidelidade, assim como as irmãs carmelitas, que, em razão da data especial, puderam ser vistas pela população, algo não muito comum à vida monástica.
Duas Santa Missa foram celebradas para marcar a data. A primeira, na parte da manhã, foi presidida pelo padre Marco Antônio. Já a celebração da noite foi conduzida pelo padre Alexandre Mothé.
O Carmelo foi fundado no dia 24 de agosto de 1986, pelas mãos benfeitoras de Dom Carlos Alberto Navarro e da sempre lembrada Madre Maria Teresinha do Santíssimo Sacramento. Ao completar quatro décadas de existência, esta casa de oração e recolhimento celebra o seu jubileu, consolidada como um verdadeiro farol invisível que sustenta a fé de toda a região através da contemplação silenciosa.
Momento da Eucaristia
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Divulgação/Crédito Kamilla Uhl
Inspiradas pelo carisma de Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz, as monjas carmelitas descalças cumprem uma missão essencialmente mística. Elas não gerenciam grandes obras sociais e nem buscam o protagonismo dos palcos do mundo; a força do Carmelo reside justamente no escondimento e no silêncio oblativo, agindo como o fermento discreto que leveda a massa da sociedade através da oração contínua, sob o olhar atento de Nossa Senhora do Carmo e de São José.
Clausura e a simplicidade do cotidiano
Ao longo desses 40 anos, entre as grades da clausura e a simplicidade do cotidiano, incontáveis preces foram elevadas pela santificação do clero, pelas famílias campistas e pela salvação de tantas almas. O mosteiro, que teve como berço espiritual o Carmelo da Sagrada Família de Pouso Alegre (MG), formou uma comunidade de entrega radical.
“O Carmelo foi feito para rezar pelos sacerdotes, tem uma grande missão de orar pela santificação deles, e pelas demais vocações. E também por nós que estamos aqui, para que possamos estar nessa união com Deus e levar as almas a Ele”, declarou a madre superiora Maria Elizabeth de Jesus.
Carmelo de São José em Campos
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As religiosas vivem da providência divina e, por essa razão, a população pode ajudar o Carmelo tanto espiritual quanto materialmente, segundo a superiora. “Em primeiro lugar, é possível ajudar com as orações. Mas aos que desejam, gêneros alimentícios e material de limpeza são sempre bem-vindos”, afirmou. O telefone de contato da instituição é (22) 998949769.
Para o padre Alexandre, essa não é apenas uma data histórica, mas também um tempo com muitos frutos. “Conheci o Carmelo quando ainda era na Pecuária, onde hoje funciona o seminário diocesano. Ele é um grande presente que recebemos de dom Carlos Alberto Navarro. Hoje podemos contemplar essa grande obra de Deus que continua viva na nossa Diocese. Aqui é o centro de espiritualidade, de onde se irradia o odor de Cristo para toda a nossa cidade. Temos muito a agradecer pois o Carmelo nos mostra que a vida não pode ser apenas essa correria, mas que precisamos parar, orar e silenciar também. O senhor caminhou com o Carmelo nesses 40 anos e continuará, a fim de que esses frutos se multipliquem ainda mais”, afirmou o sacerdote.
Padre Alexandre explicou o sentido da vida enclausurada carmelita. Segundo ele, a lógica do Carmelo não é a lógica da utilidade e sim do amor.
"Quem ama permanece. Elas são missionárias mesmo estando encerradas dentro de um Carmelo. Assim como aconteceu com Santa Teresinha, que se tornou a padroeira das missões mesmo sem nunca ter saído de um Carmelo. A missão também precisa de joelhos que se dobrem e rezem. A vocação é sustentada pela oração. Elas dedicam suas vidas à contemplação. Tristes de nós seria se não contássemos com essa vida contemplativa que é o pulmão da igreja. As graças de Deus se irradiam pelas preces dessas irmãs que, dia e noite, se colocam em oração, elevando nossas preces ao senhor. Aqui elas permanecem! O Carmelo nos ensina a importância da presença, do silêncio, da contemplação em meio à tanta agitação. A vida no Carmelo afeta positivamente a vida da igreja e dos católicos em Campos”, finalizou.
Casado há quase 20 anos com Saira Salles e pai de duas meninas, o dentista Thiago Barros prestigiou a cerimônia e concordou que o Carmelo é um pedaço do céu encravado no coração de Campos.
“É um presente para nossa cidade termos um Carmelo sob patrocínio de São José, que há 40 anos abençoa com sua presença e das irmãs enclausuradas. Ao ver a realidade das irmãs me questionei se sou eu o enclausurado aqui do lado de fora. No mundo onde ''se vale o que se tem'', ver pessoas que abdicaram de tudo, até de sua liberdade, para viver uma vida de oração, me faz pensar que existe um grande tesouro escondido na vida contemplativa”, ponderou.