Solar dos Airizes segue com desabamento e aguarda restauro
Dora Paula Paes - Atualizado em 18/08/2026 10:26
 
Reprodução
Os defensores do patrimônio arquitetônico de Campos não têm um dia de paz. Membros do Instituto Histórico e Geográfico de Campos dos Goytacazes (IHGCG) receberam, nesta semana, novas imagens do Solar do Airizes, localizado às margens da BR 356 (Campos-São João da Barra). No vídeo encaminhado pelo influenciador  Matheus Wolino é possível visualizar uma parte da estrutura do casarão que não resistiu ao efeito do tempo e às condições de deterioração e desabou. 
No ano passado, o imóvel recebeu uma cobertura metálica como forma de proteção diante do avançado estado de deteriorização. Com sua arquitetura rural do século XIX, o Solar é um testemunho da história e do acervo relacionado à produção de Alberto Lamego — pai e filho.
Sobre a cobertura, o jornalista e historiador Edmundo Siqueira já escreveu, na Folha da Manhã, sobre como o abandono do Airizes foi parar na justiça. Em texto publicado  pelo jornal, ele explica que o imóvel é protegido por tombamento federal desde 1940 — três anos depois da criação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O Solar também é objeto de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), com trânsito em julgado, que determina a realização de seus restauro completo no menor prazo possível, com os custos arcados pelo município de Campos. A decisão final da justiça, de 2020, retirou o Iphan e a família Lamego a responsabilidade pela recuperação do imóvel. 

Antes da justiça bater definitivamente o martelo, o Iphan havia realizado uma intervenção de grande porte no Solar.  Iniciadas em 2003, obras incluíram a substituição de grande parte de todo o telhado, com a retirada das telhas originais e  a colocação de outras de padrão contemporâneo. Também foram substituídos elementos do madeiramento e da alvenaria de sustentação, além de tratamento de cupim.
A intervenção do Iphan permitiu, apesar das descaracterizações, que o Solar permanecesse de pé. A medida, no entanto, acabou se mostrando apenas um intervalo no longo período de abandono, novamente novamente interrompido em maio de 2024 pela Prefeitura de Campos.
Por meio de um contrato com a empresa Bruta Empreendimentos Ltda, no valor de R$ 2,2 milhões, iniciou-se os serviços de "escoramento, reconstrução do telhado e demais obras de restauração, preservação e conservação do prédio histórico".
Na primeira fase da intervenção, a Prefeitura construiu a estrutura para cobertura de proteção. As ações de escoramento das paredes, porém, ainda estão incipientes. A sobrecobertura é essencial para proteger o prédio das chuvas e de outras intempéries, mas o escoramento das estruturas internas é urgente e precisa ser feito para que o Solar consiga resistir até o início das obras de restauro completo.
Inicialmente, a Prefeitura informou que buscaria uma Parceria Público-Privada(PPA) para viabilizar a restauração do prédio, mas a iniciativa ainda não foi anunciada. A Folha nova encaminhou demanda ao município para saber em que estágio está o processo de efetivação da parceria com a iniciativa privada para a recuperação do patrimônio histórico do município.
Enquanto isso, o Solar do Airizes, um dos mais importantes exemplares da arquitetura rural da história de Campos, continua enfrentando a ação do tempo e o risco de novos desabamentos. 

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