Guardião da história de Campos dos Goytacazes, a coleção do acervo pessoal do pesquisador e colecionador Welligton Paes ganha um espaço especial na Casa de Cultura Villa Maria, da Uenf. O material, reunido ao longo de décadas de dedicação à memória do município e do Norte Fluminense, começou a chegar ao espaço em julho deste ano e será transferido gradativamente para a Universidade.
Médico campista reconhecido por sua atuação na área de Ginecologia e Obstetrícia e como membro ativo de entidades culturais da região, Welligton Paes também é escritor e memorialista dedicado à preservação da história de Campos.
Os primeiros itens retirados foram revistas do século XIX e do início do século XX, parte de um conjunto que também reúne obras de autores campistas, publicações sobre a história local e regional, fotografias de personalidades ligadas à trajetória da cidade, cartas e álbuns pessoais.
A escolha pela Villa Maria como destino da doação tem um motivo específico: a vontade de que o conjunto permaneça íntegro, sem ser diluído dentro de um acervo maior. Quando um material é doado a uma biblioteca pública, ele passa, por determinação legal, a integrar o acervo geral da instituição, perdendo as características particulares de organização que possuía originalmente.
Da mesma forma, a fragmentação por tipo de material — com uma parte destinada à biblioteca, outra ao arquivo e outra ao museu — descaracterizaria a coleção, que reúne, além de livros, documentos pessoais, fotografias, jornais, quadros, medalhas e troféus. Para preservar essa identidade, optou-se por uma solução única de guarda na Uenf, mantendo a coleção compacta e reconhecível como um conjunto.
Mudança já começou
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Divulgação Uenf
O servidor Alexandre Silva Red explicou a proposta de acolhimento dos documentos pela Villa Maria:
— Diferente de outras alternativas, trouxemos a opção de manter o material do Dr. Welligton todo reunido em um espaço reservado na Casa de Cultura.
Para o diretor da Villa Maria, Giovane Nascimento, a iniciativa reforça o papel da instituição na preservação da história local:
— A valorização de acervos pessoais como o do Dr. Welligton reafirma a importância de iniciativas que articulam memória, pesquisa e institucionalização, assegurando que trajetórias individuais e coletivas permaneçam acessíveis às gerações futuras — afirmou.
A expectativa é que a iniciativa também sirva de estímulo a outros doadores, para que documentos culturais e históricos sejam preservados no espaço da Uenf.
A historiadora Sylvia Paes, sobrinha de Welligton, destacou a importância dos documentos históricos para a comunidade acadêmica:
— A biblioteca já colaborou com muitas pesquisas, trabalhos para mestrado e doutorado, e é claro que, estando organizado e digitalizado, o material vai atender a um número ainda maior de pessoas, até mesmo à distância — assegurou.
Welligton Paes afirmou que se dedica há muitos anos à pesquisa histórica e à salvaguarda de registros e documentos sobre a região:
— Junto a amigos, decidi assumir a missão de preservar a cultura campista. Desde então, passei a reunir os registros e livros que recebia relacionados a Campos dos Goytacazes, além daqueles que passei a pesquisar e adquirir. E até hoje isso é o meu maior lazer — declarou.
Ao acolher acervos particulares com o cuidado de preservar sua identidade original, a Uenf amplia seu compromisso com a valorização da produção intelectual, artística e documental da região, consolidando a Casa de Cultura Villa Maria como referência para pesquisadores, estudantes e para a comunidade interessada na história local.
Membro efetivo do Lions Clube de Campos, da Academia Campista de Letras, da Academia Pedralva Letras e Artes e de outras entidades ligadas às letras e às artes, Welligton Paes recebeu o Prêmio Municipal de Cultura “Alberto Ribeiro Lamego”, em 1999, concedido pela Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), e a Medalha Tiradentes, em 1994, concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). É autor de diversas obras dedicadas à memória campista.
Em setembro de 2023, durante o Festival Doces Palavras, lançou o livro “Médicos que pertencem ou pertenceram à Academia Campista de Letras”, estudo biográfico sobre acadêmicos da ACL que atuaram na área médica.