Diretor Marcelo Fonseca estreia documentário sobre usina em Campos usada pela ditadura militar
Dora Paula Paes 19/05/2026 10:24 - Atualizado em 19/05/2026 10:35
Divulgação/Foto de Hugo Emerick
O diretor Marcelo Fonseca se prepara para apresentar em Campos e Macaé, em breve, o documentário “Usina Cambahyba: Das Cinzas da Tortura à Terra Prometida”, que apresenta investigações históricas e judiciais. Na obra, Marcelo apresenta como a Usina Cambahyba, em Campos, foi utilizada para a incineração de corpos de opositores políticos durante a ditadura militar.
A denúncia constrói o novo filme de Marcelo Fonseca, que também conta com análises do historiador Lucas Pedretti.
De acordo com Marcelo, a narrativa reúne relatos de trabalhadores que vivenciaram o cotidiano da usina, evidenciando as relações de poder e as dinâmicas sociais que estruturavam o espaço; além de depoimentos de familiares de vítimas da ditadura, trazendo à tona a dimensão humana da violência e o impacto prolongado do desaparecimento forçado. “Sem corpo, não há rito. E essa ausência de materialidade, somada à negação do que aconteceu no próprio país, perpetua a violência”, afirma o diretor.
Divulgação


O documentário traz Cláudio Guerra, ex-agente do DOPS do Espírito Santo, que também confessa ter participado do transporte e da destruição de corpos na Usina Cambahyba. De acordo com esses relatos, ao menos 12 corpos de vítimas da ditadura teriam sido levados ao local e incinerados, evidenciando um método sistemático de ocultação de provas e eliminação de vestígios da violência estatal.

Para Marcelo, o filme nasce da urgência de enfrentar lacunas que seguem abertas na memória coletiva do país. “A memória é um campo de disputa e no Brasil ainda se questiona a própria existência da ditadura. Segundo a Comissão Nacional da Verdade, mais de 200 pessoas seguem desaparecidas sob responsabilidade do Estado, sem que suas famílias tenham conseguido enterrar seus mortos”, frisa.

O filme aponta que a Usina Cambahyba não operava de forma isolada, mas integrava uma engrenagem mais ampla da repressão.
Divulgação/Foto de Renan Carneiro
A narrativa ainda estabelece conexões entre o DOI-CODI, na Rua Barão de Mesquita, na Tijuca, no Rio de Janeiro, e a chamada Casa da Morte, em Petrópolis, revelando como os chamados “porões da ditadura” também se estendiam ao interior do estado.
“Nessa produção, procuramos evidenciar a existência de uma rede articulada de violência estatal, conectando centros urbanos e territórios rurais. Trata-se de um dos primeiros trabalhos audiovisuais a reunir e explicitar essas conexões de forma estruturada no interior do Estado do Rio”, destaca Marcelo.

Segundo o diretor, o documentário dialoga diretamente com recomendações da Comissão Nacional da Verdade ao contribuir para o direito à memória e à verdade, ampliar a visibilidade sobre o destino de desaparecidos políticos e aprofundar o debate público sobre a responsabilidade do Estado durante a ditadura.
“O filme existe porque há uma demanda social por reparação, memória e justiça, e porque essa lacuna segue aberta não só para as famílias, mas para opaís”, reflete o diretor.
Com informações da assessoria. 

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