Batalha da TG
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Foto: Divulgação
Após um ano, a Batalha da TG, projeto mensal de rap realizado na comunidade Tira Gosto, no Parque Califórnia, em Campos, encerrou seu primeiro ciclo. O projeto nasceu em 2020 com uma premissa simples e necessária: ocupar com cultura um território marcado por operações policiais e ausência de equipamentos públicos de lazer.
Ao longo de um ano, foram dez eventos gratuitos, com estrutura de som, MCs locais, jurados e equipe técnica, tudo dentro da própria comunidade, para o público da própria comunidade. O formato é direto: rappers se enfrentam no microfone, improvisando versos julgados por uma banca. Mas o que acontece em volta disso é o que importa. Famílias inteiras ocuparam um espaço que costuma aparecer nas notícias só por razões trágicas. Mães com filhos de colo encontraram até fraldário na estrutura.
"Quando um menino de quinze anos pega o microfone e a comunidade inteira para pra ouvir o que ele tem a dizer, alguma coisa muda nele. E muda em quem ouve também", disse João Lobo, produtor do evento.
De acordo com a organização e produção do evento, a violência no entorno chegou a ameaçar a continuidade das atividades ao longo do ciclo, e o projeto enfrentou uma pausa forçada por restrições orçamentárias antes de retomar e completar as dez edições. Mas nenhum desses obstáculos foi suficiente para silenciar o que havia sido construído.
“A batalha não vai deixar o Hip Hop se silenciar na Tira Gosto. O edital acabou. A batalha continua”, resume a organização.
O ciclo encerrado foi realizado com apoio do Governo Federal, do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, por meio da Política Nacional Aldir Blanc. Agora, os organizadores seguem buscando novas parcerias, para garantir que as próximas temporadas aconteçam. A intenção é clara: o que foi construído em um ano não será desmontado.
O Hip Hop tem uma longa tradição de ocupar exatamente os vazios que o Estado deixa. Foi assim nas periferias de Nova York nos anos 70, nas favelas cariocas nos anos 90. E é assim, agora, na Tira Gosto.