O escritor campista Adriano Moura precisou fazer uma viagem no tempo para encontrar o menino que era aos 12 anos. A experiência desafiadora, segundo ele, foi para criar o personagem do seu novo livro "Telêmaco: a história do pescador". A obra é sua primeira voltada ao público infantojuvenil. Numa narrativa alusiva à "Odisseia de Homero", Telêmaco enfrenta perigos como traficantes e mineradores que exploram ilegalmente recursos minerais do rio Paraíba do Sul, num encontro com o oceano e figuras lendárias da região.
O lançamento do livro está marcado para o próximo dia 16 de abril, às 19h, no Casarão Centro Cultural, localizado na rua Salvador Corrêa, 117, no centro de Campos. Moura aproveita e deixa o convite.
Sobre escrever para um público tão diferenciado ele conta:
-Escrever para o público infantojuvenil foi uma experiência desafiadora. Dar voz a um personagem de 12 anos implica descobri-lo em mim, mas permitir que ele interprete o mundo com seu olhar, não com o meu. Mas é assim que todo autor deve agir com seus personagens. Permitir que ele seja e fale.
A forma de escrever é outro ponto que vale abrir uma aspas do autor: "Há também o problema da linguagem, que precisa ser acessível ao jovem leitor e aprazível ao leitor adulto. A classificação etária é, para mim, mero critério editorial, didático, que diz pouco da obra, menos ainda sobre o leitor a quem ela supostamente se destina."
No caso da obra em si, na sinopse, "Telêmaco: a história do pescador" é uma novela infanto-juvenil que mistura aventura, suspense, realismo fantástico e crítica ambiental.
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Telêmaco é um adolescente cujo pai, o pescador Ulisses, desaparece depois de sair para pescar. Assim que a defesa civil cessa as buscas, sem acreditar que o pai estivesse morto, o jovem decide sozinho, a bordo de uma embarcação, continuar a procura por praias e ilhas da região situada no interior do Rio de Janeiro, onde está situado o distrito de Atafona, no município de São João da Barra, que tem sido engolido pelo mar devido a, dentre outros fatores, degradação ambiental.
Numa narrativa alusiva à "Odisseia de Homero", Telêmaco enfrenta perigos como traficantes e mineradores que exploram ilegalmente recursos minerais do rio Paraíba do Sul. O personagem, porém, não se encontra sozinho em sua jornada. Recebe ajuda de um homem misterioso que, assim como seu pai, havia desaparecido e que todos pensavam que tinha morrido.
Outro ponto da narrativa é que figuras lendárias da região como Ururau (enorme jacaré do papo amarelo) e a Moça do Mangue, protetora de um manguezal, atravessam os caminhos do personagem ajudando-o a se livrar dos perigos que aparecem.
Desta forma, a viagem de Telêmaco é um mote para que o leitor reflita sobre a urgência de se pensar as questões ambientais no mundo contemporâneo, ameaçado pela poluição. O desaparecimento de Ulisses se deve ao fato de ele ter descoberto as atividades ilegais no rio que abastece a região. Embora ninguém acredite nas histórias contadas pelo adolescente, sua viagem ajuda as autoridades a prenderem os bandidos. Ao término da narrativa, o personagem percebe que não era somente o pai que ele buscava, mas também o seu próprio crescimento.
Sobre o autor, Adriano Moura publicou seu primeiro livro de poemas "Liquidificador" em 2007, após trazer a público duas peças teatrais em 2005: "A matrioska ou o jogo da verdade" e "Relatos de professores". Desde então, ele vem desenvolvendo promissora carreira na poesia, na ficção e na dramaturgia, somando até agora dez lançamentos.
Moura ainda desenvolve intensa atividade como crítico literário, com diversos artigos em periódicos, além de coautoria em publicações destinadas aos estudos literários desenvolvidos junto ao público universitário. Tal postura confirma o perfil de escritor moderno por ele assumido, empenhado na produção literária em paralelo à reflexão crítica e teórica.