Antes de apertar o "CONFIRMA"
Érica Viana 03/10/2026 21:25 - Atualizado em 03/10/2026 22:14

Eu pensei e repensei se poderia, neste espaço, fazer alguma declaração de voto e, ao deparar-me com o relógio agora, às 19h47 do dia 3 de outubro de 2026, concluí que, perante a instabilidade jurídica cotidiana, porém sobressalente durante as últimas semanas, é preferível alertá-los sobre algo que cabe a todos, democraticamente.
Experiência pessoal
Durante alguns pleitos, atuei no serviço eleitoral como mesária. Tenho experiência na Igreja como liderança juvenil, com crianças na Rede Municipal e com idosos, tanto na família quanto em um dos meus trabalhos. Por isso, quero ser bem didática aqui.
Workshop Fé e Política no Dia Nacional da Juventude 2019.
Workshop Fé e Política no Dia Nacional da Juventude 2019. / Érica Viana
Vale a pena sair de casa para votar?
- Sim. Nossos antepassados morreram por este direito. Houve tempo em que votar era um direito adquirido por quem lutava em guerras. Outrora, nem matando exércitos e legiões tal possibilidade existia. No entanto, é bom lembrar que, no Brasil Império, já existia processo eleitoral com os chamados votos de província e votos paroquiais, por exemplo.
Contudo o que importo hoje, é que além de toda a nossa História, cada voto conta e pode mudar drasticamente os rumos de uma nação, de um estado, de um município, de um bairro, da sua rua, e da sua casa. A política de uma forma ou de outra atinge você.

Quando você se ausenta do poder de decidir, você delega a estranhos um poder que pode melhorar ou piorar sua vida ou a de quem você ama. Isso se chama omissão.

Lembro que quando eu era criança às vezes via cartazes nas ruas dizendo “Vote nulo”. – puro suco de ignorância – A abstenção, o voto branco ou nulo não extingue o voto dos outros. A contagem é feita sobre os votos válidos.

Por exemplo, quando olhei o resultado das eleições de 2022, percebi que o somatório das abstenções, dos votos em branco e dos votos nulos, somado aos votos dados a Bolsonaro, formava um número maior do que aquele que elegeu o atual mandatário. Ou seja, na realidade, a maioria da população não votou em Lula. Se, talvez, os que anularam o voto, teclaram “branco” ou não saíram de casa tivessem escolhido votar no candidato mais competitivo naquele momento, estes quatro anos teriam sido bem diferentes. Ou não? Responda para si. 

Note e anote!
- No pleito atual, temos muitos cargos a serem definidos pelas nossas mãos; por isso, apostar na memorização de números e da ordem de votação pode ser uma cilada.
Faça o seguinte: pegue papel e caneta e anote o número correto dos seus candidatos. Quando estiver diante da urna, LEIA o que está escrito na tela antes de teclar qualquer número. Depois de apertar os números, olhe novamente para a tela e verifique se o que aparece corresponde ao seu candidato (nome, cargo e foto). Somente depois disso confirme o voto.Somente depois disto confirme o voto.
Eu sou testemunha — dos tempos de mesária — da grande quantidade de eleitores que saíam da urna perguntando se podiam voltar, porque tinham confundido algum número e somente depois de apertarem a tecla “Confirma” perceberam que votaram errado. Por exemplo, digitavam o número do deputado federal no lugar do estadual, etc. Embora sempre fossem alertados a citar os nomes e conscientizados de que deveriam conferir antes de confirmar, muitos só se davam conta do erro ao ouvirem o barulhinho da máquina.
E a nossa lei é clara: os mesários não podem interferir nesse momento. Aliás, ninguém pode se aproveitar para fazer campanha no dia da eleição.
Muita gente erra na vida por coisas bobas como essas: não ler com calma, não compreender o que lê ou ter ansiedade de terminar logo. Isso também é muito comum nas eleições.
Portanto, não se importe com o tamanho da fila! Leia o que está escrito e controle a mão para não clicar em nenhuma tecla antes de o cérebro assimilar a informação lida.

Celular na cabine, pode ou não pode?
- Mais um motivo para anotar ou levar o famoso “santinho com a colinha eleitoral”. É totalmente proibido levar o celular para a urna, porque o voto é secreto.
Embora as pessoas sejam livres para fazer declarações públicas ou vestir camisetas que simbolizem alguém ou um partido no dia do pleito, lá dentro da cabine, você decide.
Sem contar que a proibição do uso de celular na urna também configura uma medida de proteção não só ao processo eleitoral, mas também ao eleitor (em algum suposto caso de coação) e até ao candidato (considerando a hipótese de uma falsa acusação).

Por fim:
Leia e vote, acima de tudo!
Não transfira para terceiros o poder de decidir quem tomará decisões sobre a sua vida no futuro.
Encerro o blog de hoje por aqui, pois se as poucas palavras que aparecem no visor da urna às vezes são mal lidas, imagine um texto com mais de vinte e duas linhas.

Encontro do Ministério Fé e Política da Renovação Carismática Católica de Campos.
Encontro do Ministério Fé e Política da Renovação Carismática Católica de Campos. / Publicado no Facebook de Dalva

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