O que aprendi com Alexandre de Moraes
Érica Viana 17/09/2026 11:56 - Atualizado em 17/09/2026 12:59

Alguns pontos de vista a partir da minha experiência pessoal com Alexandre de Moraes e Bolsonaro, além do aprendi na graduação e minha carreira de Relações Públicas:

* Você prefere ser respeitado ou amado? Eu prefiro dar as ordens. Não sou carente para querer ser queridinha por todos.


* Você tem medo dos outros falarem mal de você? Então recolha-se como um ermitão, e ainda assim correrá o risco.  Defina qual opinião realmente te importa! 


* Depois que todos os jornais da cidade, do país, e até internacionais me massacraram, o que falam de mim não importa. Importa o que Deus sabe a meu respeito, e aqueles a quem estimo, ou quem represente uma parceria interessante.


* É preferível ser temido e obedecido a ser o querido. De que adiantou tanta motociata e tanto grito histérico de "mito"? A quem os homens que detém as armas serviram? Ao seu autoproclamado "chefe supremo constitucional", ou ao ministro mais temido da Suprema Côrte.


* Numa guerra, vence quem tem poder bélico e frieza para ser odiado.


* Enquanto um lado gritava e incitava a população, o outro em silêncio emitia ordens até de madrugada, que eram cumpridas nas primeiras horas da manhã pela polícia federal.


* Poder é mandar em quem tem as armas, algemas, competência para apreender  bens privados de terceiros, bloquear contas e até prender.


* Quem quer ter a imagem de “queridinho”, sempre vai ser visto como condescendente. Logo, qualquer pessoa, se sentirá mais confortável em ofender, trair ou contrariar o mocinho em vez de fazer o mesmo contra o vilão.


* Poder não é popularidade e nem gritos de “mito”, tampouco filas em cercadinho que reunem pessoas mendigando um segundo de atenção e afeição. Poder é mandar e sua ordem ser cumprida, ainda que esta ordem constitucionalmente não deveria ser acatada.


* Enquanto Bolsonaro dizia “Acabou porra”, “Vamos lotar a avenida e fazer uma foto para o mundo”, Alexandre nada dizia, apenas assinava documentos e no dia seguinte aqueles que detém as armas invadiam residências e aprendiam bens de pessoas que nem mesmo sabiam o motivo para tal.


* Fotos e vídeos não libertam ninguém, e nem impediram aqueles que foram chamados de "ladrões" de subirem rampas. No entanto o contrário, serviram como subsídios para prisões e condenações de milhares dos que não aprenderam a lição comigo.


* Ninguém é obrigado a produzir provas contra si, mas já que produziram.


* Qualquer motivo é motivo.  Não é necessária tanta criatividade, descontextualizar imagens e conversas. Aparências enganam, então faça aparentar. 


* Quem canla NÃO consente. O silêncio é um direito constitucional e nem todas as pessoas merecem uma resposta, ou ouvir sua voz, ter sua atenção. 


* Quem se omite diante do erro de seus apoiadores, peca por omissão. Por exemplo, deixar milhares de pessoas acampadas acreditando numa solução inexistente e depois de ter usado e abusado do versículo "Por falta de conhecimento meu povo pereceu". 


* Prender primeiro, e explicar depois. Pesca probatória. Flagrante eterno. Foram outras lições.


* Quer poder maior que fazer o que quiser sem se justificar.


* Alexandre nunca me decepcionou. Eu não esperava nada de bom dele, e ele correspondeu as minhas expectativas. Eu o conheço documentalmente, ele nunca recua. E a palavra que não faz curva é mais respeitável, quando comparada a voz de um “líder” que convoca a nação contra seu algoz e ao final do dia pede ajuda a um ex-presidente para escrever pedido de desculpas.


* Alexandre quando sofre um embate responde dobrando a aposta e quem o ataca acaba por prejudicar cidadãos comuns que são usados como palanque de politicagem, promessas de campanha acerca do Supremo. Aqui me refiro a deputags e advogados que se servem do sofrimento de seus clientes como trampolim para candidaturas.


* “Ah! Érica, mas no caso da Lei Magnitsky, ele voltou atrás” – não foi bem assim, "caro gafanhoto". Alexandre não fez nenhum pronunciamento, não esperneou publicamente, articulou silenciosamente, desfez algumas de suas ações talvez, mas no final conseguiu exatamente o que queria sem dar explicação para ninguém. Criar suas próprias regras e quebra-las de acordo com seu interesse também é poder. Ele venceu. 


* Fuja de quem prometer ser contra o SISTEMA! Não adianta lutar contra o sistema. Ignore-o, ou sirva-se dele, e crie o seu. Já dizia Olavo de Carvalho.  


* Não tenha pena de quem não teve pena de você. 


* O combinado não sai caro. Até no mundo do crime existe código de ética.


* Na primeira oportunidade, destrua com as próprias mãos, assinaturas, ou ordens, os seus inimigos. Do contrário eles voltarão mais fortes que você e serás obrigado a viver implorando por suas migalhas. Olavo avisou isto a Bolsonaro e aconteceu.


* Se você não ocupar o espaço, outro o tomará. Assim que você enxergar um espaço de poder ocupe-o, pois ele não ficará vazio por muito tempo.


* Fiz como Alexandre, nunca voltei atrás de uma palavra, de uma manifestação, de uma postagem. Eu não me arrependo de nada, até porque se me arrependesse não teria sentido o inquérito 4828 ter sido arquivado, e isso seria um indício de culpa. O imbrochável do mito pediu desculpas no final do dia, eu nunca pedi, e olha que não tenho testículos e nunca fui treinada para a guerra.


* Em verdade somente um arrependimento eu tenho, de não ter tirado maior proveito da situação e dos que me usaram gratuitamente para se promoverem as custas das minhas lágrimas.


* Novamente repito, Alexandre nunca me decepcionou e por isso o respeito e admiro. Sei o tamanho de sua crueldade e o que é capaz de fazer. Pior que ele, é quem dependeu do seu voto e apoio, mas te deixa abandonada na masmorra. Quem dá ordens para que seus pares te deixem de lado. Decepcionante é quem faz bravata, mas não tem firmeza para jogar até o fim, e quando chega no dia do julgamento resolve fazer piada se humilhando.


* "Ah! Érica, mas o mito não pediu seu apoio" - Quantas vezes ele ia nas manifestações esporádicas, validando-as  com sua presença e carência de aplausos. Seus aliados convocaram tantas vezes atos e pix patriotas. Lembra-te da Lava Jato, das Dez Medidas Contra a Corrupção. É o político que precisa do eleitor e não o contrário. Agora tem milhares de eleitores sem direitos políticos, menos votos. Lembra-te do líder por excelência, Jesus Cristo, ele vai à frente e se sacrifica primeiro pelos seus.


* Alexandre honrou e segue honrando os seus. O mocinho fez o quê? Deixou os seus à míngua para salvar a pele dos filhos que fizeram besteira? Apenas uma dúvida.


* Você pode não gostar de ler isso, mas abra os olhos, quem está derrotado? Quem está condenado, inelegível, exilado e etc? E quem ainda dita o que acontece?


* Você pode não gostar, mas eu fui a vítima do primeiro inquérito, o 4828 e literalmente no fundo de uma solitária fria, úmida, com sede, faminta, desnuda e sem descarga, aprendi todas estas lições.


* Onde estão os outros presos de 2020, 2021 e 2023? Quem são? Como você pode ver,  eu sou a única que ainda estou aqui.


* A sua imagem é sua primeira ferramenta para transmitir autoridade, mudar sua realidade.


* Quem domina os símbolos e a percepção pública pode ser o que e quem quiser.


Se não quiser acreditar nas minhas palavras, veja com seus próprios olhos as duas imagens a seguir:


1  - Um líder amado que demonstra descontrole, com mangas desajeitadas, sem paletó, visualmente mais desalinhado, sob um ângulo de visão à altura dos olhos, como se fosse alguém igual a qualquer um, como quem parece suplicar respeito.


Descontrole, desordenado, resultado o condenado e perdedor.
Descontrole, desordenado, resultado o condenado e perdedor. / Foto de Rafael Sobrinho para O Globo



2 - Do outro lado, uma autoridade, que demonstra altivez, distanciamento, plenitude. Além do ângulo de baixo para cima, demonstrando que ele está acima de você, sua toga é fluida, quase como se levitasse.


A foto foi feita horas antes de Alexandre tornar Bolsonaro réu.
A foto foi feita horas antes de Alexandre tornar Bolsonaro réu. / Foto de Fábio Setti para The New Yorker

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