Repercussões e intercorrências de um erro médico irreversível e a insensibilidade de gestores na vulnerabilidade do paciente, diante da responsabilidade institucional e empresarial judicializada." Norte Fluminense 2011- 2026.
Marco Antônio de Barcelos Andrade.
Os fatos:
Um erro médico ocorrido em fatídico dia 22 de agosto de 2011 no Hospital São João Batista em Macaé-RJ e pelo plano de saúde da UNIMED, me conduziu a invalidez permanente.
Foi uma falha profissional que causou danos a minha vida, à saúde e à vida social e profissional como paciente. Decorreu de ação, omissão por negligência, imprudência e imperícia.
Foi caracterizado, houve o dano e a prova de culpa ligada diretamente à conduta do profissional e empresarial/institucional.
Diversas Intercorrências foram provenientes da Negligência: Omissão e falta de cuidado ao deixar de fazer algo necessário, como um exame ou diagnósticos precisos. O que leva a Imprudência: a ação precipitada e sem cautela, que os profissionais assumem com riscos sem necessidade e a consequente Imperícia: a falta de habilidade técnica, prática ou conhecimento específico para realizar o procedimento em tela.
O Que foi feito pelo paciente?
Diante dos resultados maléficos a sua vida, reuniu receitas, exames, fotos, mensagens e comprovantes de atendimentos. Solicitou o prontuário médico completo ao hospital/ clínica. Denunciou, registrou uma queixa no Conselho Regional de Medicina do estado para apuração ética. Então, buscou apoio legal: constituiu um advogado especialista para avaliar pedidos de indenização e promoção da justiça. Incrível levou 10 anos para ser exarada a sentença. A essa altura não se sabe o que é pior para a vítima. Morrer ou ficar debilitado e inválido no meu ir e vir e visão ocular para o resto da vida.
O fatídico dia 22 de agosto de 2011 há exatamente 14 anos, o atendimento médico ocorreu em Macaé e após uma forte crise de vesícula e ser avaliado pelo cirurgião que constatou um quadro cirúrgico de emergência.
Fui para o centro cirúrgico no qual fiquei durante 5 horas em sofrimento e com duas paradas cardíacas. Diante disso, uma providência após uma semana sem resultados, o amigo José Eduardo e os primos Paulo Cassiano pai e filho,” me transferiram na marra” pois não queriam dar a transferência para Campos dos Goytacazes-RJ
Graças a Deus foi obtida a transferência para o hospital Álvaro Alvin em Campos dos Goytacazes-RJ e após dois meses em coma eu acordei.
Consequências:
Porém, com espanto e angustiado, verifiquei que onde não enxergava mais e depois a triste constatação de que não falava mais com normalidade e não conseguia andar e as tentativas posteriores de mobilidade com extrema dificuldade.
Assim passei a ser submetido a novos tratamentos de reabilitação com fonoaudiologia e fisioterapia, a fala não foi restaurada. Conclusão: voltei andar com muita dificuldade e a visão, perdi 70% e fala continua enrolada.
Perfil: Isso impediu e ceifou a continuidade da minha brilhante carreira de implantodontista e Professor universitário na pós-graduação em Campos dos Goytacazes-RJ e ainda no mestrado em implante na Universidade Faculdade São Leopoldo Mandic – Campinas -SP, dissertação que consegui defender após as sequelas e ainda participei de dois congressos na escola europeia de óssea integração Barcelona 2008 e Glasgow 2009. Desenvolvi também das atividades como pesquisador no GPIDMR- Grupo de Pesquisa Interinstitucional de Desenvolvimento Municipal-Regional/ITEP/UENF-RJ, em eventos com projetos e trabalhos publicados em 2018 a 2025 em eventos científicos regionais.
Fui formado pela faculdade de Odontologia de Campos em 18/07/92
Exerci uma odontologia de excelência e atendimentos a casos de alta complexidade era referência onde atendia além de Campos dos Goytacazes-RJ, São Fidelis-RJ, Quiçamã-RJ e Guarapari-ES.
Em 1993, servir ao exército brasileiro como oficial dentista temporário.
Em 1994 iniciei com consultório profissional no edifício CDT, sala 706, à rua Alvarenga filho 114 até agosto de 2011.
Profissionalmente, a interrupção da carreira impactou os sonhos profissionais na Odontologia e no Magistério na pós-graduação da FOC – Faculdade de Odontologia de Campos -RJ. O que amava fazer que era devolver o sorriso e alta estima, mas Deus sempre me conforta pela minha fé, pois não é fácil a adaptação a nova vida e só para ilustrar estou na digitação esse texto, letra por letra sem perder a linha do raciocino.
Resultados:
Diante dos procedimentos apresentados pela estrutura de gestão jurídica para atendimento ao cidadão brasileiro, verificou-se que é urgentíssimo ampliar o quadro de magistrados para celeridade nos processos e uma reforma na dinâmica processual e negócios jurídicos para a avaliação de sentenças, pois no caso estava com 43 anos quando sofri o erro médico e só aos 57 anos que encerrou o processo. Foram anos de angústia com a morosidade processual e com uma sentença reformada no tribunal de justiça que o valor da indenização equivale 3 vezes do que deveria estar em 2026.
O início do processo na estrutura jurídica brasileira foi início de 2013 e a sentença foi em 2023 e com recursos e embargos está finalizando acredito início de setembro de 2026. Incrível!
Todos esses anos que fiquei sem trabalhar? Quanto seria a indenização mais uns 10 anos no mínimo? E os sonhos que são impagáveis? E milhares de pessoas que vão a óbito sem receber?
Mas, Deus foi maravilhoso que um ano após as sequelas colocou na minha vida um anjo e amor da minha vida a Fátima Lopes que é companheira de todas as horas e está ao meu lado em todos os momentos bons e ruins, obrigado Jesus pela força e fé!