Felipe Manhães - Teatro Trianon esquentando as noites em Campos. Literalmente.
Felipe Manhães - Atualizado em 01/04/2026 08:01
Felipe Manhães
Felipe Manhães / Reprodução
No último fim de semana, Campos recebeu uma atração artística quase internacional no Teatro Municipal Trianon, uma banda tributo aos Bee Gees, que, se tocasse ao lado dos originais, seria difícil distinguir. O grupo levantou a platéia e esquentou a noite com os clássicos da banda britânica. O problema é que outra coisa também esquentou: o teatro.
O ar-condicionado do teatro simplesmente não deu conta de garantir um mínimo de conforto, nem para o público, nem para a banda. As pessoas suavam tanto, que houve quem levantasse e fosse para fora, tamanho o calor. Ventiladores ao lado das fileiras foram ligados, mas praticamente não influenciaram na temperatura. Convenhamos. Ventiladores no maior teatro do estado fora da região metropolitana do Rio é um absurdo. Não eram nem para estar ali. Quem entrava, e os via, se sentia entrando em um estabelecimento de um município de 50.000 mil habitantes, não de 500.000 mil como o nosso.
Quem estava presente sentiu vergonha em receber na cidade músicos tão talentosos e não proporcionar uma estrutura básica para sua apresentação. Um ar-condicionado que funcione é o mínimo do mínimo.
Os músicos se manifestaram no microfone sobre o calor, de uma forma até discreta para não transparecer o constrangimento. O vocalista, que fazias as vezes do Robin Gibb, teve que descaracterizar o figurino original para conseguir continuar cantando.
Quem estava presente não sabe até hoje se o ar-condicionado estava com defeito, se foi ligado apenas no momento em que o show começou, ou sabe-se lá o que. Certo é que, mesmo que o frio chegasse depois, as pessoas já estavam suadas, desconfortáveis e não concentraram sua atenção na apresentação, pelo insuportável calor.
Em tempos em que as notícias se espalham quase que instantaneamente, situações como essa, além de afastar novos artistas da cidade, causam verdadeiro trauma na população, que não vai querer mais frequentar o teatro para não passar por esse desconforto.
Desse jeito, a cidade nunca vai se livrar da pecha pejorativa de roça que infelizmente tem até hoje. Capricho e zelo nos equipamentos públicos da cidade são muito bem-vindos, mas o básico vem antes.

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