Frente ampla sim, frente frouxa não!
- Atualizado em 23/07/2020 12:36
Flávio Dino, governador do Maranhão
Flávio Dino, governador do Maranhão
O governador do Maranhão Flávio Dino vem se articulando para se oferecer como alternativa progressista nas próximas eleições presidenciais. Seu discurso principal é o da frente ampla. Simpatizo muito com sua política e considero a possibilidade de votar nele para presidente, mas só concordo em parte com o diagnóstico e a terapia que ele propõe. Concordo que é preciso ser amplo nas alianças. Ir além da esquerda e da centro-esquerda. O sectarismo identitário e o esquerdismo, doença infantil do comunismo, devem ser abandonados com urgência.
Mas amplitude não pode significar a contunidade da rendição programática e do rebaixamento de expecativas que fizeram a esquerda fracassar quando esteve no poder.
A frente ampla deve ser construída, mas precisa ser também uma frente forte e radical no sentido do rumo de transformações que constituem um projeto nacional de desenvolvimento.
Sem esta ousadia não é possível enfrentar as condições sociais e políticas que alimentam o Bolsonarismo. Derrotar Bolsonaro deve sim ser prioridade, mas não se trata apenas de derrotar um potencial ditador, e sim de transformar as condições que favorecem a emergência e consolidação de ditadores. Sem derrotar o neoliberalismo econômico não é possível salvar o liberalismo político. A frente ampla não pode ser frente frouxa. Se Dino conseguir combinar amplitude de alianças com ousadia programática, será uma alternativa promissora. Se sucumbir à rendição programática que arruinou a esquerda e a democracia, será mais uma decepção.

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    Roberto Dutra

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