Corra que a Odebrecht vem aí
Alexandre Bastos 03/12/2016 00:50

odebrecht

Primeiro foi a negação. Investigada pela Operação Lava Jato, a Odebrecht jurava inocência, rejeitava provas incontestáveis e atacava. Estava segura, pois havia décadas a prática de pagar propina a políticos e manter silêncio funcionara bem. Não havia polícia, procurador, juiz ou ministro capaz de quebrar isso. A empreiteira tinha um segredo muito bem oculto. Demorou, mas os investigadores descobriram o Setor de Operações Estruturadas, dedicado ao gerenciamento de propina, com códigos, valores e datas de pagamentos. Conseguiram a colaboração de uma secretária, que explicou como as coisas funcionavam. A Lava Jato fez a Odebrecht ajoelhar.

Na quinta-feira, dia 1º, o inimaginável aconteceu. Emílio Odebrecht, o patriarca, foi à sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, onde assinou um acordo de colaboração com as investigações. Seu filho Marcelo, preso há um ano e meio, o mais duro contendor dos procuradores, também assinou. Autorizados por eles, outros 77 executivos foram à PGR assinar os seus. Contar a verdade sobre tudo o que fizeram de errado é o preço para reduzir penas e manter o grupo Odebrecht vivo. O que for dito, no entanto, escurecerá o futuro de centenas de políticos.

Nem mesmo os investigadores conseguem dimensionar o real potencial de destruição da delação a vir. Somados, depoimentos e provas obtidas a partir do setor da propina resultarão em centenas de histórias com provas documentais – os “anexos” –, capazes de contar uma parte obscura da história recente do Brasil. São relatos da subversão dos sistemas políticos e institucional pela propina, distribuída de forma multipartidária e sem limites ideológicos.

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