Quando chegar a maré cheia vou pegar uma daquelas pranchas de areia e vou embora ... Vou matar todas as saudades vou para minha Campos dos Goytacazes, vou com todas as velas enfunadas, descer na Rua da Jaca e ouvir histórias de lobisomem contadas por José Cândido, vou ver a lua seresteira acender suas velas nas margens da grande curva. Quero ver tudo! Ver Atafona afogada na areia soltando o vento leste, quero ouvir o murmúrio do canavial e o gemido das velhas catanas, vou procurar aqueles objetos perdidos que deixei no fundo do meu quintal deixa chegar a maré cheia! Vou pegar uma daquelas pranchas de areia e vou me embora... Vou para a minha Campos do GoytacazesAntonio Carlos Pereira Pinto ( Encontrei este poema, sem data, remexendo nos papéis. Bonito, de um tempo remoto, em uma dessas viradas do calendário que inventamos para nos lembrar da dimensão real. Tempo menos fornalha, do céu mais camarada, das velas levadas pelo vento em dias de água no Paraíba do Sul.) [caption id="attachment_8623" align="aligncenter" width="400"]
Ft. Globo. G1[/caption]



