Todo o mundo civilizado está consternado com a morte do líder sul africano NELSON MANDELA. O que acrescentar mais? Mas refletir sobre o homem, sua personalidade, sua obstinação na vida, seu desprendimento da vida pessoal pela do seu povo, os valores pelos quais ele deu a vida, isto sim ainda vale refletir.
Hoje à tarde assisti num desses canais da TV a cabo um documentário sobre a trajetória desse líder negro, como poucos homens no mundo. Vemos dois Mandelas: hum, o líder revolucionário adepto do uso da violência como resposta ao Apartheid, quando ocorreram grandes massacres da população negra pelo governo branco sul africano, carismático, formado em Direito, preso político, articulista de uma revolução vitoriosa; outro, o pacificador, convencido da resposta democrática pelo consenso e pela paz, amadurecido nos seus anos de prisão, optando pela não violência e negociação como arma de conquista democrática, como forma de unir o seu país e promover a integração racial numa convivência pacífica entre negros e brancos.
Homem de personalidade forte decidiu que faria de toda a sua vida um objetivo único e prioritário: acabar com o preconceito e o ódio racial na África do Sul e levar o seu povo a uma condição de vida humana mais digna. Acabou segregado de sua família, mas não da sua causa. Virou líder de seu povo, mesmo preso, conseguindo ver-se respeitado pelo governo branco.
Consegui já com seus 74 anos, depois de libertado, eleger-se o primeiro presidente negro num país altamente racista e segregacionista. Quando libertado, dirigiu-se ao seu povo assim: “não estou aqui como um profeta, mas como um servo para o povo pelo que me resta da minha vida”.
Já no seu final, exaurido na sua saúde, ainda deixa uma lição para os homens públicos do mundo: “quando um homem cumpre o seu dever com o seu povo, com o seu País, ele pode descansar em paz”.
Poucos exemplos pelo mundo de homens assim desde o século passado. O Nelson Mandela, o Martin Luther King, o Mahatma Ghandi. Suas vidas e seus ideais pela libertação de seus respectivos povos.
Estamos precisando que surjam novos lideres desse quilate, em especial no Brasil e aqui em Campos, para libertar o povo sofrido da segregação na saúde, segregação na educação, segregação na dignidade, segregação no futuro.
O garotinho assim pareceu no início de sua vida política, mas depois, pouco depois, mostrou seu verdadeiro objetivo: conquistar o Poder pelo povo, mas não PARA O POVO, SENÃO PARA SÍ MESMO. Bem que poderia ter usado sua capacidade para o bem, mas preferiu se desviar e seguir o caminho do mal, da facilidade, da política da cooptação pelo estômago, pela perda da auto-estima e da dignidade individual das pessoas com políticas sociais paternalistas, clientelistas e sem compromisso com o futuro, verdadeiro crack social.


