Ser professor é dureza mesmo. Principalmente aqui em Campos, onde são mal remunerados, mal comandados, mal estruturados, mal tratados, mal treinados, vilipendiados, "idiotizados" pelas chefias, desrespeitados pela Chefe do Executivo e seu Sec Suledisse só bobagens, obrigados a trabalhar em locais (em são muitos, mas muitos mesmo) em péssimo estado de conservação, em casas velhas com banheiros únicos e cozinhas fétidas que a vigilância sanitária da prefeita interditaria, se fosse séria, acorrentados do lado de fora e divididos na sua liderança pelos vereadores vendilhões do povo, enfim... um santo ofício.
O professor da rede pública municipal de Campos precisa: 1) dar horas-aula em locais (escolas) diferentes no mesmo turno do dia, 2) deslocar em ônibus e vans de horários irregulares e mal conservados, 3) comprar materiais de aula com dinheiro do seu salário, 4) preparar suas aulas fora do horário de trabalho, 5) levar sua alimentação em marmitas frias ou ficar com fome, porque não mais podem alimentar-se nas escolas, nem mesmo o seu café da manhã que o empregador rosa está obrigado a fornecer por Lei, 6) acordar de madrugada para tentar chegar na sala de aula no horário, 6) pegar caronas com estranhos estradas à fora correndo todo tipo de riscos, 8) andar 3, 4 até mais quilômetros à pé, com chuva ou sol, porque não têm transporte para chegar ao seu local de trabalho obrigatoriamente fornecido pelo empregador-município, 9) submeter-se ao mando de diretoras sem ligação com a educação e a missão de ensinar, porque indicadas por confiança de alguns capachos do prefeito rosa, gastar com roupas porque o empregador-município não lhes fornece os uniformes obrigatórios, enfim, mais um rosário de coisas a serem deduzidas.
Na defesa de seus poucos interesses, estão promovendo suas movimentações organizadas, mesmo com um sindicato muito politizado partidariamente e radicalizado em suas vertentes (PSOL, PSTU, PC do B e etc) que acabam por trazer no bojo das manifestações legítimas da classe, nuances de radicalismo, inclusive trazidas por pessoas de fora do seio dos educadores.
Mas, como refletiu o blogueiro Gustavo Matheus (não gosto dessa palavra, mas ele não tem culpa), aqueles por ele chamados "caçadores de manifestações", na verdade, tentaram assumir o comando das manifestações e ditar um pouco das regras do movimento em frente à Câmara ontem à tarde (eu não presenciei os fatos).
Ocorre que, independente de serem ou não professores aqueles rapazes, eles foram corajosos na articulação dos movimentos de ruas e podem sim, dar uma contribuição nas ações dos manifestantes, ombrear com eles nas ruas, nas causas, porque elas também são de todos nós, e até porque a população também não é lá muito de participar concretamente desses movimentos de ruas e de categorias, porque não lhes afeta diretamente, nem mesmo nos bolsos.
Os vereadores de oposição fizeram o seu papel de estarem do lado dos nossos professores, como era de ser esperado, e saíram na defesa deles, do lado de fora da Casa do Poder da sub-prefeita rosa e seus asseclas. Nesse momento talvez, aqueles dois rapazes altamente politizados, ainda que de linhas radicais, tivessem ficado amedrados com a participação dos vereadores, daí aparentemente suas ações despropositadas naquele momento, achando que estavam ajudando na causa dos professores e defendendo-os da ingerência política, exatamente daqueles que estão ao lado dos educadores, ainda que vereadores, e não aproveitadores. Fez bem na crítica o Gustavo, mas perdoa-os e que lhes sirva a lição. Podem ajudar, somar, mas... não comandar os outros.
Vamos tentar voltar às ruas pelas mesmas causas com todos e como cidadãos, como antes.


