Com o tempo, percebi que chegar ao sim é apenas metade da história - e essa, se for, é a metade mais fácil.
Como dizia o ex-primeiro-ministro Tony Blair, “a arte da liderança não é saber dizer sim; é dizer não”. Aprendi a ver que, talvez, o principal obstáculo para chegar ao “sim” seja aprender a dizer “não” corretamente. É comum não conseguirmos dizer “não” quando queremos e sabemos que deveríamos. Assim como em alguns momentos dizemos “não”, mais o fazemos de uma forma que impede o acordo e destrói o relacionamento.
Muitas vezes, nos submetemos a demandas impróprias, injustiças, ou nos envolvemos em lutas destrutivas nas quais todos saem perdendo. A maneira de fugir desta armadilha é o que chamo de não positivo.
Dizer “não” de forma positiva significa, em primeiro lugar, dizer “sim” a si próprio e a suas mais profundas necessidades e valores.
Um “não” positivo, em suma, é um sim – não – sim. O primeiro sim expressa suas necessidades e valores; o não afirma seu poder, e o segundo sim aprofunda mais o relacionamento. O segredo é o respeito por você mesmo e pela outra pessoa. O “não” positivo representa um casamento das duas palavras mais fundamentais de um idioma: “Sim” e “Não”.
O grande problema hoje é que divorciamos nossos “sins” de nossos “nãos”. Um “sim” sem “não” é conciliação, ao passo que um não sem sim é guerra.
O “sim” sem “não” destrói a própria satisfação da pessoa, enquanto o “não” sem “sim” destrói o relacionamento da pessoa com os outros.Precisamos tanto do “sim” como do “não” juntos, pois “sim” é a palavra chave de comunidade, e “não” a palavra chave da individualidade. “Sim” é a palavra chave da conexão, e “não” a palavra chave da proteção. “Sim” é a palavra chave da paz, e “não” palavra chave da justiça.
A grande arte é aprender a integrar os dois - casar o sim com o não. Conjugá-los! Esse é o segredo de se levantar por si próprio e fazer o que precisar, sem destruir acordos valiosos e relacionamentos preciosos.
A forma de dizermos “não”, às vezes, parece uma coisa de nada, mas, com o tempo, pode fazer enorme diferença em nossa vida, na vida dos outros a nossa volta e no mundo como um todo.
Dizer “não” pode também ser um presente para os outros. “Diga-me sim, diga-me não, mas diga agora”, é um refrão que ouvimos dos que estão do outro lado. O outro, frequentemente, prefere uma resposta clara, mesmo se for um não, à indecisão e à enrolação continuadas. Um “não” lhe permite prosseguir e tomar as próprias decisões.
Um “não” positivo pode unir-nos ao outro, num relacionamento mais autêntico. Se não falarmos nossa verdade – nosso não – para outro, podemos nos distanciar dele, já que sempre há algo importante não pronunciado que se coloca entre nós.
Imagine um mundo em que os “nãos” positivos fossem a norma, não a exceção.
Em casa, os pais que soubessem como dizer “não” de forma respeitosa aos seus filhos veriam menos brigas destrutivas e seus filhos seriam menos mimados e mais felizes, como as crianças quando são criadas com limites firmes e respeitosos.
Os que estivessem em relacionamento estremecidos veriam que seu casamento e suas amizades teriam probabilidade muito maior de sucesso.
No trabalho, os líderes que soubessem dizer “não” se sairiam muito melhor em manter suas organizações estrategicamente focadas.
Se os líderes e as nações soubessem como dizer “não” positivamente, as pessoas lutariam pelo que é certo de forma produtiva que levassem a soluções construtivas. O resultado seria mais conflito, sem dúvida, mas muito menos guerra e muito mais justiça.
Dizer “não” pode ser um caminho para esclarecer e assumir sua posição, e para afastar diversos incômodos da vida. Trata-se, como quase tudo na vida, de uma oportunidade de escolha, e de um ponto de equilíbrio difícil de atingir. Mas pode valer a pena tentar, sem se isolar em nenhum dos extremos da escala. Experimente dizer um “não” positivo!
Dizer “sim” para o destino significa acreditar que a gente merece algo parecido como crescer, iluminar-se, expandir-se, renovar-se, encontrar-se, e ser feliz. Isto é: vencer a culpa, sair da sombra e expor-se a todos os riscos implicados, para finalmente assumir a vida. Fazer suas escolhas, assinar embaixo, pagar os preços… e não se lamentar demais. Porque programamos o próprio destino a cada vez que, num tímido murmúrio ou num grande grito, a gente diz para si mesmo: “Sim!”.
Não há dúvida de que dizer “não” positivamente exige coragem, visão, empatia, força, paciência e persistência. Mudar velhos padrões requer prática. Pense nisso como um exercício. Com a prática e a reflexão, podemos melhorar muito a arte de dizer “não” positivamente.
Beth Landim




