
Contrastando com a sofisticada liturgia da cerimônia campal, o Papa Francisco encerrou a Jornada Mundial da Juventude — JMJ Rio 2013 — na tarde de ontem, com a Missa de Envio para mais de três milhões de pessoas, na praia de Copacabana, Rio de Janeiro.
Mais uma vez a multidão ouviu e viu suas palavras e gestos explícitos de humildade responsáveis pela imensa empatia que ele desperta no mundo inteiro.
Presente à missa, a presidente Dilma Rousseff. Ao seu lado, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner; o vice-presidente do Uruguai, Danilo Astori e o presidente da Bolívia, Evo Morales. O governador do Rio, Sérgio Cabral, e o prefeito da cidade, Eduardo Paes, também marcaram presença.
Antes, no sábado, em encontro com representantes da sociedade civil, no Teatro Municipal, Francisco falou da importância da participação da sociedade para reabilitar a política. “É uma das formas mais altas de caridade”. O Pontífice destacou que um país cresce quando seus mais diversos setores dialogam. Defendeu o estado laico, onde as muitas religiões convivam livremente. E acrescentou: “É impossível imaginar um futuro para a sociedade sem uma vigorosa contribuição das energias morais numa democracia que evite o risco de ficar fechada na pura lógica da representação dos interesses constituídos”, disse.

Desde o momento em que pisou no solo brasileiro, o Papa Francisco evidenciou para o mundo o perfil do papado. Protocolos não interfeririam naquilo que ele mais preza como líder mundial da Igreja Católica: estar perto dos fiéis. Em sua primeira viagem internacional, Jorge Mário Bergoglio (nome do papa) surpreendeu jovens e adultos de todas as religiões com atitudes simples, discursos diretos e firmes, gestos sinceros e, principalmente, a quebra de regras oficiais para estar tão próximo ao seu “rebanho” a ponto de tocá-lo, o que para muitos católicos representou um “verdadeiro milagre”. A coerência naquilo que prega e pratica no cotidiano é a marca do Papa. Desperta no outro a confiança de ser um humano de uma só cara, de poder alimentar a esperança em dias melhores, para cada um em particular e para toda a sociedade humana.
Aos bispos deixou o recado direto, se coloquem nas periferias e sejam. “Padres irmãos, pacientes e misericordiosos e homens que amem a pobreza”, que não sejam ambiciosos e não tenham “psicologia de príncipes”, afirmou o Papa Francisco.

No último dia da jornada, aos jovens, em a homilia de domingo, Francisco centrou em apenas três palavras: “ide, sem medo, para servir”. É o apelo no despertar do missionário que existe em cada um, é o apelo à partilha solidária, é sair do medo que paralisa a ação de servir ao próximo.
Para um evento que foi criado pelo Papa João Paulo II, teólogos avaliam que o evento no Rio de Janeiro atingiu a sua finalidade. A próxima jornada será em 2016, em Cracóvia, Polônia, terra do papa que a criou.
O Rio de Janeiro viveu dias de alegre movimentação popular e de congraçamento. Ficam ensinamentos e um rastro de saudade.
Luciana Portinho
Capa da Folha Dois de hoje, 29/07.
Fotografias, Google.