Manifestações, partidos políticos e o futuro
Robson Colla 30/06/2013 12:24
Se há uma lição que podemos tirar das manifestações dessas últimas semanas é que estamos vendo uma profunda descrença nos partidos políticos, que não estão atendendo aos anseios de uma população cansada, sobretudo, dos conchavos políticos que se fazem nos salões dourados dos palácios governamentais. Como resolver a questão? Sinceramente, eu, tanto na condição de eleitor quanto na de dirigente partidário, não tenho a resposta. Em um mundo que funciona em uma velocidade cada vez maior; onde as demandas da população são crescentes; onde a informação chega de forma cada vez mais rápida a cada cidadão, pergunto: qual o papel destinado aos partidos políticos neste novo mundo que se descortina? Um fato que as recentes manifestações nos mostraram é que nenhum partido político, nem os governos, podem prescindir ou não levar em consideração o poder das redes sociais. É um grave erro que muitos partidos e governos ainda cometem. Este movimento iniciado, como disse FHC, por um “curto-circuito” (a redução das tarifas do transporte público) tomou proporções inimagináveis até poucas semanas atrás. Não foi uma “revolta do proletariado”. Foi a reação de uma sociedade que vem perdendo espaço nas decisões políticas do país. No meio destas manifestações estavam muitas pessoas que jamais subiram em um ônibus urbano ou no metrô. Mas foram se manifestar por causas não tão díspares como muitos tentam fazer parecer, afinal, como pano de fundo está a corrupção política, a malversação das verbas públicas e a falta de representatividade política, o que leva o Estado brasileiro a deixar acontecer a enorme carência nas áreas da saúde, transporte e educação, dentre outras. É preciso que nos reinventemos como sociedade e como classe política. É preciso que esta juventude que foi para as ruas, também venha para os partidos políticos para ajudar a reinventá-los, sob a ótica do novo e moderno mundo que estamos vivendo. Os partidos políticos e os governos ainda estão funcionando em formato analógico, enquanto a sociedade como um todo já está, há muito tempo, trabalhando em formato digital. O futuro cabe a nós construí-lo!  

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