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Ela faz questão de ressaltar que é de Campos. Quando vai para fora, leva com a marca o nome da cidade. “Não faria outra coisa na minha vida. Por tanta responsabilidade, me sinto tomada, não cansada”, afirma Angela.
A cliente de Angela Bechara é uma mulher na faixa de 25 a 45 anos. “Esse é o segmento do mercado que me ocupo. Uma mulher independente, que trabalha e quer estar elegante, confortável, sem perder a sensualidade. A mulher de hoje é antenada, permanece mais tempo no mercado, é mais ativa”. Aliás, essa é a missão da empresa que leva o seu nome. Angela, que se diz tímida e não gosta de se expor, fica feliz quando sua roupa é reconhecida para além de Campos. “Fátima Bernardes tem expressão, ao escolher a minha marca, ela, que tem bom gosto, fa-la um pouco do meu perfil”. [caption id="attachment_6211" align="aligncenter" width="450" caption="divulgação"]
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Para chegar a ter suas roupas publicadas na Vogue, Caras e L’Officiel, Angela trabalhou, sem descuidar em aprender continuamente em workshops de criação, palestras e cursos. Enfrentou a falta de mão de obra qualificada na cidade, segundo ela, crescente. Contou com o apoio do Sebrae, em especial cita a Adriana Cabral, que nunca descuidou do Polo de Moda de Campos. “Campos já foi um polo de moda no jeans. A Prefeitura poderia chegar mais junto do setor de confecção através de incentivos e formação de mão de obra. Somos cada vez mais carentes de mão de obra, da costureira ao cortador”, esclarece. Angela é casada com Guilherme Barros Castro, com quem tem a empresa Angela Bechara. Ele faz a direção, a gestão, e ela cuida da criação, modelagem, acabamento, definição do tema das coleções e dos produtos. A grife tem uma loja em Campos e uma pronta-entrega em Ipanema, no Rio de Janeiro. — Hoje, contando comigo, são seis estilistas, sendo que dessas, três são modelistas. Desta equipe, duas vieram de fora, uma de Londrina, Paraná, e outra de Friburgo, região Serrana do Rio de Janeiro. A empresa, no atual estágio, me consome, a vida pessoal fica meio de lado. A moda não dá férias, mal termina uma coleção, começa o planejamento da próxima — frisa. Sua vivência com os tecidos e com a costura remonta da infância. Na sua casa, viviam cinco mulheres: ela, suas quatro irmãs e a mãe. Com tantas meninas para vestir, a mãe tomou a prática decisão de contratar uma diarista: uma costureira que ficava de segunda a sexta-feira, costurando para as cinco. Naquele tempo, não se comprava roupa pronta e sua mãe também costurava e bordava. Angela Bechara observava a mãe de perto, ao ficar grudada ao lado, pegando os retalhos e se metendo a fazer as roupas das bonecas. — Às vezes, para não atrapalhar a costureira, cortava os retalhos e montava com cola no corpo da boneca. Isso era para os desfiles que fazia com as poucas bonecas, mas que acabavam tendo muitas roupas. Eram mais de 50 vestidos, caixas e mais caixas; tinham guarda-roupa rico — conta Angela sorrindo. Luciana Portinho



