Microsoft: Brasil é mercado-chave para indústria de TI
Robson Colla
09/04/2013 09:26
A Microsoft enxerga o Brasil como um dos mais importantes mercados estratégicos no mundo em tecnologia da informação e, além dos R$ 200 milhões que já investiu este ano num centro de pesquisa e desenvolvimento e num de seus Laboratórios de Tecnologia Avançada no Rio, já empenhou aproximadamente R$ 170 milhões nos últimos anos em projetos de educação e fomento a start-ups no país — que vão continuar a acontecer. É o que afirma o presidente da empresa no Brasil, Michel Levy, em entrevista ao GLOBO.
— O Brasil é com certeza um dos dez mercados-chave no mundo para a Microsoft. — afirma Levy. — E, entre os Brics, se Índia e China contam com mercados maiores até por conta do tamanho de suas populações maiores, o Brasil compensa isso com a vitalidade de seu mercado, e por isso lidera.
Para o executivo, há na verdade dois Brasis a considerar: o maduro e o emergente. O Brasil maduro se traduziria nos indicadores do World Economic Forum quanto à pujança do mercado financeiro e à sofisticação dos grandes ambientes de negócios. Mas, diz Levy, ainda há uma miríade de pequenas e médias empresas em regiões emergentes que se encontram numa fase anterior de desenvolvimento.
— A utilização da tecnologia no país avança cada vez mais, e não por acaso estamos com um grupo desenvolvendo mais profundamente aqui os recursos de nossas ferramentas de busca Bing, bem como nossos sistemas de relacionamento com o cliente (CRM) e gestão corporativa (ERP), que compõem a plataforma Microsoft Dynamics — diz.
Levy não revela quanto a Microsoft vem crescendo no país, mas diz que é acima da média do mercado, a uma taxa anual de dois dígitos. Reconhece que o gargalo principal para as empresas é o custo de operar no Brasil, com mão de obra cara e outros fatores.
— Mas o governo vem tomando medidas para tornar o país mais competitivo. Não por acaso estamos presentes em 13 cidades brasileiras.
O executivo — que estará no Rio na semana que vem para o Fórum de Líderes Governamentais, o qual discutirá no âmbito da América Latina e Caribe temas que vão desde inovação até inclusão das mulheres no mercado de trabalho — reconhece que a Microsoft passou por uma profunda reformulação com o advento da internet móvel e da nuvem web, que se alastra mundo afora.
— Nossas plataformas agora são planejadas para funcionar da mesma forma numa ampla gama de dispositivos, de computadores a tablets e smartphones — diz.
Embora a Microsoft tenha tomado um caminho próprio ao fabricar ela mesma o tablet Surface, Levy afirma que suas relações com gigantes de hardware como Intel e afins não foi abalada e continua como antes. Aliás, por falar em Surface, o tablet continua sem data para chegar ao país.
— Mais que uma mudança tecnológica, a mobilidade representa uma grande mudança de hábitos em nossas vidas — admite ele. — É algo inexorável.
A Microsoft está reformando o antigo prédio da CEG onde funcionará seu laboratório e centro de pesquisa. Uma parte do projeto, dedicada à seleção de start-ups para incentivo, já está funcionando, enquanto o laboratório deve ser ativado no segundo semestre, após a conclusão da reforma.
— Nosso investimento no país é contínuo, com programas permanentes de estímulos a start-ups que contam 3 mil empresas, e o Partners in Learning, projeto de capacitação tecnológica de professores e alunos em escolas públicas. Mais de meio milhão de estudantes no país já participaram dessa iniciativa.
Recentemente, a empresa inscreveu em seu programa de fomento educativo e tecnológico Innovative Schools World Tour o Colégio Estadual José Leite Lopes/NAVE (Núcleo Avançado em Educação), na Tijuca, projeto da Oi e do Oi Futuro em parceria com o governo do estado e outras entidades como a PUC-Rio e o C.E.S.A.R. (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife). Mundialmente, a empresa de software desembolsa US$ 9,5 bilhões por ano em pesquisa em desenvolvimento.
Fonte: Site O Globo