TI exerce papel essencial para salto da educação no Brasil
Robson Colla
19/10/2012 12:42
Falta mão de obra capacitada. Essa é a resposta para muitas das perguntas sobre as lacunas que surgem diariamente com as novas demandas no mercado de tecnologia, principalmente quando a questão é direcionada a necessidades corporativas, como a inserção de profissionais de TI dentro dos direcionamentos de negócios.
Esse é um cenário comum a muitos segmentos. Pensando novamente em tecnologia, quantas são as vagas que ficam em aberto durante muito tempo ou, pior, com alta rotatividade de profissionais, por faltar conhecimentos mais aprofundados em questões específicas? Hoje, o CIO vive um momento muito peculiar neste panorama, pois ao mesmo tempo em que tem que mudar sua visão para dentro dos negócios, precisa contar com fornecedores capazes de suportar os serviços de TI que ele provia, para que a desejada continuidade seja alcançada.
Além disso, o líder da área de tecnologia deve treinar sua equipe para que haja múltiplas capacidades sendo exercidas no departamento, que, por sua vez, deve manter o mesmo curso.
Estas e outras questões foram abordadas no painel “Tecnologia e Educação: Como as Comunicações podem intensificar o Desenvolvimento da Sociedade”, que focou 100% dos seus esforços na questão da educação de base como a principal necessidade para o futuro do País, sendo a tecnologia o principal motor para dar tração a esta projeção.
“Quando falamos que TI vai dar vazão ao crescimento educacional do País, não estamos falando de tecnologias novas, mas sim no que já temos”, afirma Antonio Carlos Valente, presidente da Telefônica | Vivo.
Deste ponto, parece que entramos em questões absolutamente enraizadas no escopo de investimentos do governo, mas, na verdade, não se trata apenas disso. Obviamente, o setor privado sempre tenta buscar por meios de incentivar a especialização de seus funcionários, seja com a estruturação de políticas de carreira, incentivos como o pagamento de 50% da graduação ou um road map que seja capaz de colocar alguns profissionais para “rodar” dentro de alguns setores da empresa, para que ele seja altamente capacitado em diferentes áreas da companhia.
Mas é um fato que se o governo alinhar os investimentos na base da educação com o uso da TI, certamente o futuro pedirá das empresas especializações de verdade para capacitação dos profissionais, e não esse desprendimento do foco dos negócios para tratar de um assunto tão enraizado ao social da nação. “Hoje, o governo investe cerca de 5,5% do PIB em educação, mas faz errado. Está na hora de direcionar da forma correta todo esse montante e a utilização de tecnologias certamente vai auxiliar a mostrar a rota correta”, pontua Rodrigo Abreu, presidente da Cisco Brasil.
Outro Rodrigo, desta vez da IBM, também acredita que falta a correlação correta entre o que e como é investido o dinheiro para educação. “Falta engenheiro, médico… Falta formação. Sou grande fã do ensino a distância (EAD), pois é capaz de atingir muitas pessoas, em diversas partes do território, em volume maior, com mais consistência, proporcionando um rápido crescimento na base de alunos, futuros profissionais”, acrescentou Kede, presidente da Big Blue Brasil. “E saber investir significa entender que os novos meios de comunicação e interação proporcionados pela internet mudaram por completo o formato que deve ser aplicado nas aulas, e através de tablets, aplicações, videoconferências os alunos vão se mostrar mais interessados, serão mais produtivos.”
Rafael Steinhauser, vice-presidente sênior e presidente da Qualcomm América Latina, aproveita o gancho de mobilidade deixado pelo executivo da IBM e pontua que para todas essas coisas acontecerem, é necessário um esforço conjunto de desburocratização dos processos e adoção e investimentos do governo. “Todas as mudanças nas formas de conexão ainda não foram absorvidos pelo segmento de educação”, diz.
Site: Information Week