Ensino e Empreendedorismo
Robson Colla 09/03/2011 13:46
O que uma coisa tem a ver com a outra? Acredito que no mundo de hoje, tudo! O mundo vem mudando de uma forma extremamente rápida, que mal nos dá tempo de acompanhá-lo. As tecnologias evoluem a uma velocidade tal que o novo de hoje já é o ultrapassado de amanhã. E o nosso ensino? Bom, o nosso ensino segue os mesmos padrões definidos pela Universidade de Chicago, há muito tempo atrás, pouco se alterando até hoje. Ainda continuamos a ensinar aos nossos alunos matérias que jamais serão usadas por eles ao longo de sua vida profissional. Queremos que eles mirem o futuro, porém o modelo ainda é o mesmo do passado. Em 1905, dentro dos padrões da Universidade de Chicago, o tempo de aproveitamento de uma aula, por aluno, era de 52 minutos. Hoje, esse tempo é de cerca de apenas 8 minutos. A mesma Universidade de Chicago diz que quando as crianças deixam a escola apenas 6,83% do que aprenderam foi efetivamente absorvido, ou seja, desperdiçamos 93,7% do que nos foi passado. A forma de educação de nossas crianças é muito parecida com a linha de produção de um automóvel, tal qual Henry Ford a concebeu em 1908. E quando falo de educação, falo da pública e da particular. Me lembra um clipe do Pink Floyd (Another brick in the wall). Procure assistir esse clipe. Não sou especialista em educação, muito pelo contrário, e, inclusive, não passei de um aluno mediano. Porém, vejo com muita preocupação a não preparação de nossos jovens para o futuro que já chegou. Os jovens não são preparados para empreender, quando, em minha opinião, o deveriam ser desde sua entrada ainda no jardim de infância (nem sei se existe mais isso!). Assusta-me a quantidade de jovens que mal completam o antigo segundo grau ou a faculdade e dizem que o maior desejo é passar em um concurso público. Poucos são os que vejo querendo empreender algo. Se eu fosse dono de escola, colocaria como matéria obrigatória o empreendedorismo. Chamaria para palestras gente como Ricardo Semler, Eike Batista, David Portes (aquele camelô que hoje vive de dar palestras), Ricardo Amorim (Manhattan Connection), Antônio Ermírio de Morais, dentre outros. Em um mundo competitivo como o de hoje, empreender é obrigatório, seja qual for a sua área de atuação. Falo muito isso com minha filha, que está no 4o ano de medicina. Ela tem que aprender a empreender, não basta apenas ser médica. Muito de minha longa colocação acima é fruto de uma preocupação com a profunda transformação que já está ocorrendo em nossa região e muitos não estão percebendo. Os investimentos pesados no Porto do Açu e os que virão para a Barra do Furado não estão sendo percebidos com atenção pelos nossos jovens. Meu medo é que aconteça com Campos e São João da Barra o que aconteceu com Macaé há 30 anos. Me aponte 20 macaenses que ficaram milionários com o movimento gerado pela indústria do petróleo. A maior parte das pessoas que fez fortuna em Macaé veio de fora. Campos precisa incutir nos jovens a veia empreendedora. E precisa capacitá-los com as ferramentas dos empregos do futuro e não com fórmulas consagradas do século passado.

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