Oportunidades da TI
Robson Colla
25/02/2011 18:46
Atuo há 24 anos no setor de informática, mais precisamente na área de Automação Comercial. E esse setor é parte do complexo de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), que tem um peso de 8,3% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Como o setor cresce acima do dobro da expansão do PIB, a projeção é para que o peso de TI no PIB cresça pelo menos 50% nos próximos 10 anos, saltando dos atuais 3,5% para 5,3%. Com o advento da “computação em nuvem” (cloud computing) e da virtualização dos sistemas, os modelos atuais de software e de serviços de TI já estão sendo questionados. O mundo, em dez anos, não será resultado do avanço linear do que temos hoje em tecnologia. Há o fenômeno avassalador da mobilidade e a explosão das redes sociais. Mais competitivas serão as economias dos países que melhor captarem essa evolução da tecnologia. Entendo que o Brasil deverá estar entre eles, como uma das lideranças do setor.
Hoje, os serviços públicos, as inúmeras modalidades de transações financeiras e comerciais, a manufatura, a educação, a saúde e até mesmo o lazer são radicalmente alterados pelas convergências da tecnologia de informação e comunicação reunidas na internet. Por isso, TI é bem mais do que um mero setor da economia. TI é um insumo fundamental para todos os setores econômicos. É a base sobre a qual fluem os serviços e os negócios da economia moderna. Por isso, governo e setor privado devem intensificar os esforços para dotar o Brasil de uma moderna infra-estrutura de comunicações por banda larga, indispensável para que TI possa ser instrumento da melhora da gestão em todos os campos da sociedade. Ao mesmo tempo, devem ser redobrados os esforços para se fazer a plena inclusão digital dos milhões de brasileiros que ainda estão à margem da internet.
Em 2009 a indústria de TI teve um faturamento da ordem de US$ 22,4 bilhões, e emprega, no Brasil, mais de 600 mil pessoas, pagando um salário que é o dobro da média nacional.
A composição empresarial do setor apresenta uma forma dispersa e inalterada: 94% são micro e pequenas empresas; 5%, médias, e apenas 1%, grandes empresas.
Existe uma carência significativa de profissionais qualificados no setor. Projeções apontam, para este ano, um déficit de 71 mil profissionais. Mantendo-se o quadro atual, a falta de profissionais pode chegar a 200 mil em 2013. Para vencer o desafio de aumentar em 50% o peso relativo do setor de Tecnologia da Informação no PIB, o país precisará incorporar cerca de 750 mil novos profissionais ao mercado.
Esses números são um desafio para o Brasil. Um profissional de TI precisa ter o domínio de fundamentos como matemática, lógica e inglês dentre outros. Caberá ao poder público dar atenção redobrada à boa formação e qualificação profissional. Além de vetor econômico, TI deve ser vista como vetor educacional.
As oportunidades oferecidas pela TI – especialmente de se criar renda e empregos de alto valor – são claras. Uma nova parceria entre o poder público e o setor privado dará ao país os meios para fazer grandes realizações até 2020, usando a TI como recurso estratégico da nação.