Era FHC
Robson Colla 06/10/2010 22:44
Muito se fala da era Lula, mas, justiça seja feita, o precursor de todo o desenvolvimento que o Brasil vivencia hoje foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Com as reformas estruturais que promoveu no país (sem falar no plano Real, ainda no governo Itamar Franco), colocou o país no cenário internacional como uma nação responsável no controle de seus gastos e com metas definidas de crescimento futuro. FHC não preparou o país para as próximas eleições; preparou o país para as próximas gerações. E este é um legado que a história ainda haverá de lhe imputar. Querer comparar governos (FHC x Lula) é um exercício tão inócuo quanto discutir a pretensa vitória da Bolívia na Copa do Mundo do Brasil. Foram épocas distintas e situações estruturais distintas. FHC lançou as bases do que o Brasil é hoje. Herdou um país em recuperação após uma desastrosa administração Collor. Recuperação esta iniciada por ele ainda no Governo Itamar Franco, quando foi Ministro da Fazenda. Teve a coragem e a competência de enxergar o Brasil dentro de um contexto mundial. Não querer enxergar isso é pensar a política de uma forma muito mesquinha e pequena.  Da mesma forma que dizer que Lula não foi competente em seu mandato, principalmente por entender que o discurso que ele tinha como o candidato de 1989 não tinha mais espaço em mundo globalizado como temos hoje, é depreciar o processo democrático que muitos lutaram para que todos nós dele usufruíssemos hoje. Lula soube se reinventar, ainda que ainda mantenha alguns resquícios de seu tempo de sindicalista (haja vista a forma como trata a imprensa). Enfim, a coisa é mais ou menos por aí. Lula gostou tanto da política econômica de FHC que colocou um tucano no Banco Central, mantendo-o até hoje (recentemente filiado ao PMDB). O Fome Zero fez água, de modo que foi preciso eliminá-lo e ressuscitar os programas da gestão anterior, aglutinando-os sob o nome "Bolsa Família". Por fim - não por ironia do destino, mas por fisiologismo pragmático -, ressurge Collor, agora como aliado, em fotografias, abraços e discursos inflamados de apoio, de modo que nem se pode falar em "carta fora do baralho" ou "comparação descabida". O exemplo aí das comparações está mais do que vivo e faz parte da base do governo. Se for pra comparar, façamos com honestidade. É preciso saber como a casa foi encontrada e como foi devolvida. Estabilizar a herança collorida é uma coisa, recauchutar programas preexistentes depois de falhar miseravelmente num vexatório "Fome Zero", bom, aí é outra coisa. Qualquer que seja o próximo presidente, herdará um país ainda mais avançado em suas reformas estruturais e deverá colocar mais uma pedra nesta grande construção que se chama Brasil.

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