Maria Laura Gomes
12/08/2026 19:34 - Atualizado em 12/08/2026 19:40
O júri popular de José Ricardo Silva Ribeiro, acusado de matar a professora Luanda Bittencourt Mota Ribeiro, de 46 anos, em fevereiro de 2022, teve nesta quarta-feira (12) o depoimento de testemunhas e o interrogatório do réu. Durante o julgamento, realizado no Fórum Juíza Maria Tereza Gusmão Andrade, em Campos, José Ricardo admitiu ter agredido Luanda e efetuado os três disparos que atingiram a professora, mas negou que tivesse a intenção de matá-la. O crime aconteceu dentro de um estacionamento na Rua 13 de Maio, no Centro. Ex-companheiro da vítima e policial civil aposentado, José Ricardo foi preso dois dias depois.
Durante a tarde, foram ouvidos o irmão de criação do acusado, Juliano da Cruz Ribeiro; o policial aposentado Emílio Carlos de Assis, que trabalhou com José Ricardo; o policial Carlos Rogério Gama Ferreira Júnior, que participou da prisão do réu; e o criminalista Roberto Carlos Mesalina.
Irmão de criação de José Ricardo, Juliano da Cruz Ribeiro falou sobre o momento em que soube do crime. “Perdi o chão na hora, né? Ninguém imaginava que aconteceria isso”, afirmou.
Emílio Carlos de Assis trabalhou com José Ricardo durante anos, inclusive por cerca de uma década após 2010. Em depoimento, classificou o réu como um policial zeloso e competente. “Ele era um policial muito bom”, disse.
Carlos Rogério Gama Ferreira Júnior, que participou da prisão de José Ricardo, contou que, naquele momento, ouviu do acusado apenas que ele iria para Campos para se entregar.
O criminalista Roberto Carlos Mesalina respondeu a questionamentos sobre a dinâmica dos disparos e a chamada “zona de incapacitação balística”, região do corpo em que um tiro pode ter elevado potencial letal.
Ao ser interrogado, José Ricardo disse que foi até o carro de Luanda para conversar e negou ter ido ao local com a intenção de matá-la. De acordo com a versão apresentada por ele, a conversa começou de forma tranquila, mas terminou em discussão.
José Ricardo admitiu ter agredido Luanda, mas disse que a atingiu apenas uma vez. Também negou que o crime tenha sido planejado.
“Eu nunca pensei em matar a minha mulher. Eu não queria matar ninguém.”
O réu confirmou que estava armado. Segundo ele, portar a arma fazia parte de sua rotina como policial e, por isso, não teria ido ao encontro de Luanda armado especificamente para cometer o crime.
José Ricardo também disse que Luanda tentou sair do veículo e que ele a segurou. Em outro momento do interrogatório, afirmou que conseguiu se despedir dela antes de deixar o carro.
Questionado sobre o que teria provocado sua reação, José Ricardo mencionou a discussão e o estado emocional em que se encontrava. Ele também confirmou se lembrar de uma testemunha ter dito algo no sentido de questionar se ele “não era homem” e disse ter se sentido desafiado.
Ao falar sobre os tiros, José Ricardo confirmou ter feito três disparos, em rápida sequência. Segundo sua versão, no primeiro não percebeu reação de Luanda e somente depois dos demais percebeu que ela havia sido atingida.
Até as 18h desta quarta-feira (12), José Ricardo havia sido a última pessoa ouvida no julgamento. O júri ainda não havia sido encerrado.