Operação prende cinco pessoas em Campos por golpe do falso advogado no Paraná
A Operação Cedro de Ouro cumpriu seis mandados de prisão de pessoas envolvidas no golpe do falso advogado na manhã desta quinta-feira (18). As investigações apontam que o grupo criminoso causou um prejuízo de aproximadamente R$ 500 mil à vítima, que é um empresário do Paraná. Dois alvos ainda seguem foragidos. O caso foi divulgado na manhã desta quinta durante coletiva de imprensa realizada na sede da DP de Campos.
A ação foi realizada pela 134ª Delegacia de Polícia, do Centro de Campos, em apoio à Delegacia de Arapongas-PR. De acordo com a polícia, cinco pessoas foram presas em Campos e uma na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Houve ainda apreensão de aparelhos celulares que serão analisados.
O delegado Ricardo Freitas, titular da DP do Paraná, passou mais detalhes sobre como a investigação foi iniciada.
“Em dezembro do ano passado, um dos empresários da nossa cidade acabou caindo naquilo que se chama normalmente de golpe de falso advogado, em que os golpistas tiveram acesso a informações reais de processos judiciais que ele tinha para receber alguns valores e indenizações de algumas empresas dele. E, com essas informações reais, passaram a entrar em contato, falsamente se apresentando como advogado dele. E, por conta disso, convenceram ele, através de uma conversa, inclusive simulando serem juízes de tribunais superiores, convenceram ele a fazer algumas transferências bancárias que totalizam por volta de 550 mil reais. Esses valores foram dispersos em algumas contas bancárias, principalmente aqui em Campos, mas também na capital do Rio de Janeiro. Foi feito levantamento bancário dessas contas em que o dinheiro transitou e identificado alguns envolvidos. Hoje, foi feito o cumprimento de mandados de busca e prisão com saldo até o momento de seis prisões. Dois alvos ainda seguem foragidos e também foram feitos cumprimentos de mandado de busca residencial e também de estabelecimento comercial aqui na região central de Campos”, esclareceu.
Ricardo detalhou ainda sobre a participação dos envolvidos nesse golpe.
"Eles são a primeira camada de recebimento desses valores. Então, eles recebem em contas pessoais ou CNPJs a eles vinculados e passam a movimentar rapidamente esses valores e dispersar. Parte deles faz o saque, transforma em contas de cartão de crédito e plataformas de apostas esportivas, criptomoedas, fazem todo um giro financeiro para esconder esse dinheiro com o indicativo de lavagem de capitais. E, normalmente, acabam recebendo uma porcentagem desses valores e repassando o resto para quem está ali agenciando e organizando esse pessoal”, explicou.
Já o delegado titular da 134ª DP, Carlos Augusto Guimarães, afirmou que a operação trouxe fatores relevantes devido aos presos terem algum tipo de envolvimento com agiotas do município e com investigações já em andamento em sua delegacia.
“Importante destacar também que além da investigação desenvolvida no Paraná, essa operação de hoje nos proporcionou o conhecimento de algumas pessoas que não estão formalmente investigadas nessa operação, mas que teriam algum tipo de envolvimento direto e indireto com, por exemplo, alguns agiotas aqui do município que têm vinculações com essas pessoas que foram presas hoje. Então, já existem algumas investigações nossas com essas pessoas que foram presas, como vítimas desses agiotas. Então, essas investigações vão continuar tanto pela Polícia Civil do Paraná, até mesmo porque tem dois foragidos, e aqui as nossas investigações também vêm complementar essas investigações todas que foram feitas lá pelo Paraná”, comentou.
Carlos Augusto contou ainda que mandados de busca e de prisão foram cumpridos em uma loja do Shopping Pelinca Square Center. Segundo relato da filha da proprietária, a empresária teria uma dívida com um agiota do município e pretendia quitá-la com ouro. No entanto, por dever dinheiro, o homem queria a loja dela até que a convenceu a utilizar uma conta dela pessoal para realizar algumas transferências.
“Pode ser que tenha algum tipo de vinculação com a investigação do Paraná, mas também já temos investigações nossas aqui dessa extorsão propriamente dita, efetuada por esse agiota aqui, ao pessoal dessa loja no Shopping Pelinca Square Center”, explicou.
A ação contou ainda com o apoio da 37ª DP da Ilha do Governador e da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) Campos.