A beleza de Caraíva é impactante e perceptível logo na chegada. Depois de algumas horas de estrada de terra ( são 42 Km vindo da BR 101 ), do alto do morro pode-se apreciar a beleza do local. A união do rio com o mar, destaca-se pela mistura de cores desse fenômeno natural, emoldurada pelas árvores nativas do Parque Nacional do Monte Pascoal. Realmente, amor a primeira vista.
Para entrarmos em Caraíva definitivamente, devemos deixar o carro em um dos estacionamentos em Nova Caraíva ( em média 10 reais a diária ) e atravessarmos o rio de mesmo nome. Embarcamos uma das jangadas que fazem essa travessia e o trajeto não dura mias de cinco minutos. Aqui fica a certeza de estarmos chegando em um lugar realmente diferente e único. Chegando ao outro lado, esqueça os carros, motos, sapatos ( principalmente de salto alto ) pois o chão é de areia e o único meio de transporte são de charretes e os populares "Taxivalo". Não se preocupe, pois logo em sua descida da jangada, haverá alguns de prontidão para te levar com suas malas até a sua pousada ou camping ( entre dez e vinte reais o transporte ).
Depois de instalado, aproveite Caraíva com tranquilidade. O agito fica por conta dos bares da praia, que ficam virado para o mar e sempre rola uma música. Ponto de encontro dos jovens afim de papear, conhecer novas pessoas, praticar slackline, alugar uma prancha de SUP para remar, etc. É típico por lá colocarem tendas na praia como forma de se proteger do sol, o que dá mais charme ao ambiente. Outro lugar interessante para curtir pela manhã é no Cantão, onde as águas rasas permitem um banho delicioso entre a água salgada do mar e doce do rio. Muito comum ver as pessoas entrarem pelo mar e vagarosamente deixar a correnteza levar até o rio. Uma prática comum entre os banhistas. Após a praia o ponto obrigatório de parada é no "Boteco do Pará". Com o Pôr do Sol deslumbrante, e uma vista incrível à beira rio, deve-se tomar uma cerveja bem gelada e apreciar os pastéis de Arraia, petisco carro chefe do restaurante. Deixe-se levar pelo clima agradável e caso sinta muito calor, um banho de rio em frente é um presente inesquecível que você levará na memória. Quando o sol se põe dando lugar a noite, mais um
a descoberta incrível e até então imperceptível. Caso esteja despreparado, pode ser difícil de encontrar o caminho de volta para a pousada. Caraíva não tem postes de luz. Com a energia elétrica instalada a partir de 2007 , foi colocada uma rede de energia subterrânea, para melhorar a infra-estrutura e a qualidade de vida da população, mas com a preocupação de manter o charme e a excentricidade do local. Sem contar com o céu tão estrelado que chega a pulsar nos olhos. Esta é Caraíva, magia e encanto, música, amor e fantasia. Triste, muito triste é ir embora de lá. A travessia de volta pelo Rio, as luzes acesas das lindas casas coloridas, o som do chorinho e do xote entoando ao fundo, são momentos inexplicáveis que deixam o coração apertado e a certeza que você foi marcado por um lugar inexplicavelmente apaixonante. Por Filipe Aquino, Empresário do Turismo
Lima: Ela vai te pegar pelo estômago (Parte I)
Terceira cidade mais populosa das Américas, Lima costuma ser apenas uma escala obrigatória rumo a Cusco e Machu Picchu, sede do antigo Império Inca, redescoberta em 1911. Pura injustiça. É verdade que a árida capital peruana não possui o charme europeu de Montevidéu, nem a flagrante vibração de Buenos Aires. Mas, se lhe faltam chamarizes turísticos, digamos, mais óbvios, sobram-lhe atributos gastronômicos. A metrópole é um verdadeiro deleite ao paladar. Basta dizer que a comida é, junto com a mineração, um dos pilares econômicos do Peru. E para a capital converge toda a rica produção do país. Só de batata são mais de 3 000 espécies. De milho, outras dezenas. É também a terra do ceviche, da quinoa, do pisco e do chef Gastón Acurio.
Dos cinco melhores restaurantes da América Latina, segundo o ranking da revista inglesa Restaurant, do qual faço parte, três ficam em Lima. E a cidade acaba de ser eleita pela revista National Geographic como um dos dez destinos gastronômicos para se conhecer em 2016. Portanto, se é um gourmet e ainda não esteve lá, é bom começar a fazer as malas. A visita pode (e deve) coincidir com o Mistura, mega festival gastronômico anual que atrai cerca de 400 mil pessoas do mundo todo ao distrito de Magdalena del Mar, na Costa Verde limenha. A edição deste ano, marcada para acontecer entre os dias 2 e 11 de setembro, foi destacada pela revista Time Out de Londres como uma experiência imperdível.
Um dos maiores eventos do gênero no mundo, o festival é uma excelente desculpa para uma visita à cidade banhada pelo Oceano Pacífico, fundada pelos espanhóis em 1535, nos vales dos rios Chillón, Rímac e Lurín. E ótima oportunidade de conhecer a rica gastronomia peruana gastando pouco. Só para citar um exemplo, por R$ 13,00 come-se um fornido prato de chicharrón (a palavra significa algo como torresmo, mas consiste em pedaços de carne tenra de porco ou frango sob pele crocante), acompanhado de batata, milho cozido e molho. Provei um delicioso na La Cabañita, uma das centenas de barraquinhas organizadas por temas e espalhadas pela estrutura gigantesca montada diante do mar. A entrada no vento custa cerca de R$ 25,00 e a programação inclui shows, apresentações de danças folclóricas e uma feira de foodtrucks.
Quatro dias são suficientes para explorar o festival, os pontos turísticos que realmente interessam em Lima – o Museu Larco, a Plaza Mayor, a Catedral, San Isidro e o bairro boêmio de Barranco – e se entregar de corpo e alma aos seus encantos culinários, o verdadeiro objetivo da viagem. Escolha o bairro de Miraflores para se hospedar – aproveite para ver o por do sol no Parque del Amor – e visite o maior número de restaurantes que puder. Antes de iniciar seu périplo gastronômico, não deixe de conhecer a Casa de la Gastronomía, um museu dedicado ao assunto. Depois de percorrer os ambientes que recontam 500 anos de história da alimentação no país, incluindo uma sala inteira dedicada ao pisco, destilado de uva que é a bebida nacional, você estará cheio de fome e sede para explorar o que Lima tem de melhor a oferecer.
Na próxima terça, cinco restaurantes imperdíveis na capital peruana.
Por Fabio Codeço - Crítico de gastronomia da Veja Rio.
xo do nível do mar a 3 900 acima. No maior, uma sequênica de dezessete receitas, o comensal se depara com pratos arrojados, originais e, principalemnte, saborosos. Espere comer igurias exóticas como o tunta, tubérculo que remonta ao tempo dos Incas. Uma experiência realmente emocionante.
Calle Santa Isabel, 376, Miraflores. +51 1 242-8515
Astrid y Gastón
Principal chef do país, Gastón Acurio inaugurou o restaurante em 1994, em Miraflores, junto com a esposa, a confeiteira Astrid Gutshe. Em setembro de 2014, o casal transferiu o estabelecimento para a Casa Moreyra, antiga sede da Fazenda San Isidro, uma linda construção erguida há 300 anos que, por si só, já vale a visita. As mesas se espalham por cômodos amplos, com piso de tábua corrida e pé direito alto
ornamentados por decoração contemporânea. Embora mantenha-se na sociedade, Acurio passou o bastão da cozinha para seu antigo pupilo, Diego Muñoz, que segue no propósito de fazer comida de vanguarda sem tirar o pé das tradições. É o lugar ideial para uma noite especial, com serviço impecável e elaborações surpreendentes. Mas prepare-se para uma sequência longa, cerca de 30 pratos.
Avenida Paz Soldán 290, San Isidro +51 1 442 2776
Maido
O Peru possui uma grande colônia de japoneses, que começaram a migrar no seculo XIX e hoje representam 3% da população peruana. Este encontro forjou a chamada cozinha nikkei, fusão que mescla a delicadeza oriental aos típicos ingredientes andinos. Endereços especializados neste tipo de culinária estão por toda parte em Lima. E o Maido é um de seus representantes mais sofiticados. A casa de ambiente arroja
do é domínio do chef Mitsuharu Tsumura, o Micha, jurado do programa Master Chef Peru. Ele cria delícias como sushis de lula com chia e de vitela com o ovo de codorna e molho ponzu. Micha é também um entusiasta dos ingredientes da Amazônia, bioma que tem boa parte de seu território em solo peruano. O sanduíche de paiche (pirarucu) no pão assado ao vapor é de comer rezando.
Calle San Martín, 399, Miraflores. +51 1 446-2512
Panchita
Casa de perfil mais decontraído (e preços mais convidativos) do chef Gastón Acurio. No bonito salão, chama atenção o bufê de pratos frios, ao centro, e um forno à lenha à direita, de onde saem os ótimos pães servidos no couvert. O cardápio revisita a típica comida de rua, oferecida em preparos esmerados, como as causas limeñas, massa de milh
o recheada, e o delicisoso pastel de choclo, uma espécie de escondidinho de milho. Não saia sem provar a especialidade local, os anticuhcos, espetinhos grelhados em chama aberta, método que caramliza a superfície da carne e lhe confere sabor levemente defumado. O de peixe espada é imperdível. Cada pedido vem acompanhado de batata dourada, milho cozido na menteiga e salsa criolla. Os drinques também são ótimos.
Calle 2 de Mayo, 298, Miraflores +51 1 242-5957
Isolina
No boêmio bairro de Barranco, perto da Ponte dos Suspiros, o restaurante inaugurado no ano passado presta uma bela homenag
em à culinária caseria peruana, e às antigas tabernas, tipo de estabelecimento que inspira a charmosa decoracão. O conceito ali é baseado na chamada confort food, aquele tipo de comida que acessa nossa memória afetiva e nos remete aos almoços em família. Não à toa, todos os pratos são oferecidos em porções fartas, para partilhar. Da cozinha do chef José del Castillo saem receitas sem firulas, mas muito saborosas. Não deixe de provar o ceviche, uma de suas especialidades. Depois, invista em sugestões de inspiração criolla, culinária que derivou dos antigos escravos africanos. O osobuco cozido lentamente, servido em molho rico e abundante, acredite, é uma delícia, apesar do aspecto pouco convidativo.
Avenida San Martín Porlongacion, 101, Barranco.+51 1 2475075
Por Fabio Codeço – Crítico de gastronomia da Veja .
Sobre o autor
Filipe Aquino
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