Dias intensos... dialogando com o mundo e a ciência...
28/09/2018 | 21h49
Assim como o rio converge para o mar, o VI Congresso Internacional do Conhecimento Científico do ISECENSA teve o propósito de convergir pensadores e pensamentos, conhecimento, professores, alunos e profissionais da educação para estarmos sempre alinhados à ciência e ao conhecimento do mundo. É sabido que existem diferenças profundas entre culturas e sociedades. Uma palavra, no entanto - Universidade - parece permanecer constante no espaço e no tempo. Uma universidade não está fora, separada, mas está dentro da tessitura complexa e contraditória da sociedade, em relações de mútuos interesses.
O ISECENSA se abriu para respirar novos ares e saberes com a realização do VI CICC – Contemporaneidade do Conhecimento: a contribuição da universidade na ciência, humanização e ética. O principal objetivo do congresso é servir como um fórum de discussão interdisciplinar sobre os principais conhecimentos e oportunidades de pesquisa, aumentando o intercâmbio de conhecimento e a parceria em projetos conjuntos, com a proposta de integrar os diversos segmentos da ciência na busca de soluções para os problemas atuais... conversar com o mundo... dialogar...
Vivemos uma crise humana... Uma crise de valores, onde não nos reconhecemos. Parece que perdemos a sensibilidade, a moralidade, mas acima de tudo a humanidade... Estamos sempre a responsabilizar alguém ou alguma coisa... Vivemos um longo processo de desresponsabilização. Esta lavagem de mãos nos trará um preço: permanecer na impunidade. Nesta época de grande crise econômica e de caos, o VI CICC vem como uma brisa de esperança que nos traz o frescor da ciência, nos mostrando que é possível, que não podemos nos calar e nos acomodar. O diálogo com o conhecimento e com o mundo se torna cada vez mais imprescindível para a contemporaneidade.
Nossos palestrantes, nomes que evocam a ciência, a inovação e a realização, a partir de conhecimentos técnicos e científicos, retraçam nas temáticas abordadas, um cenário vanguardista: Dr. Juan Moreno (Espanha), Dra. Anita Hokelmann (Alemanha), Dr. Yaqui Andrés Martínes Robles (México), Nora Cavaco (Portugal), Dr. Pedro Miguel Parreira (Portugal), Dr. Edwin Tarapuez Chamorro (Colômbia), Elaine Paiva Mosconi (Canadá), Nuno Soares (Hong Hong), Lars Rohbock (Dinamarca) e Aresio Sousa (USA), entre outros, foram responsáveis por fazer acontecer 41 palestras, 60 mini cursos, 7 workshops, 1 apresentação teatral, 9 mesas redondas, 1 painel, 1 colóquio e 27 apresentações orais. Destacamos entre outras palestras a aula magna do Dr. Clóvis de Barros Filho sobre o tema “Inovação: Conceito, Atitude e Identidade”, Avaliação cinético funcional, A experiência mística a partir de um olhar Heideggeriano, Liberação miofascial no esporte, Educação Aquática, Revestimentos Cerâmicos, Estratégia do Oceano Azul, Planejamento Pessoal e Desafios Profissionais, Treino em Habilidades Sociais em Terapia Cognitiva Comportamental, Oficina de Urban Sketchers, Perspectivas e desafios da atuação do Enfermeiro no Setor de Emergência de Hospitais Públicos e Privados, Atualização no tratamento da entorse do tornozelo, Técnicas de higiene brônquica na unidade de terapia intensiva, Como elaborar Planejamento Estratégico de forma participativa?, Faça acontecer? Adquira as técnicas de vendas para fazer a sua empresa se destacar no mercado, Atualização das estratégias de avaliação e intervenção nas lesões musculares, O uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação nas práticas pedagógicas, Smart Cities e Mobilidade no Rio de Janeiro, Psicologia e Psiquiatria: uma discussão sobre os novos rumos da saúde mental, O impacto do exercício físico e mental nas funções motoras e cognitivas, Nanomateriais aplicados na Construção Civil, Identificação e Análise de patologias em Concreto Armado, Introdução ao Mercado de Contratos Futuros e Day Trade de BM&F Bovespa: Uma Abordagem Prática, Paredes Verdes, Pesquisas com anti-tumorais e possibilidades terapêuticas no tratamento de pacientes oncológicos sob a óptica multiprofissional, Teoria, Prática e Ética em Psicoterapia Existencial Fenomenológica, Práticas Clínicas em Jung, Apneia Obstrutiva do Sono: a utilização do Cpap como tratamento, Novos Modelos de Negócios, Reabilitação neurofuncional através da terapia do espelho em sequelas do A.V.E., Construindo a Tolerância Religiosa no Âmbito Universitário, Trabalhando as funções executivas na criança e no adolescente em contexto escolar.
Em meio a academia, a cultura, a música, o teatro e a poesia se fizeram presentes... Dias de efervescência cultural, acadêmica, pesquisa e ciências... Os mais de dois mil e quinhentos congressistas respiraram esperança... esperança que se baseia no conhecimento, na educação, na ciência, nos mostrando que o caminho para o nosso país é o CONHECIMENTO, da Academia.
Todos emanados por essa energia indescritível, saímos fortalecidos pela pesquisa e pela ciência... Trazer o mundo da pesquisa para nossos alunos é a certeza de que estamos no caminho certo.
Com afeto,
Beth Landim
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Não jogue fora seus sonhos...
17/09/2018 | 12h45
 
Um pensador russo chamado Guerdjef, no início do século passado, já falava em auto-conhecimento e na importância de se saber viver. Ele dizia: "Uma boa vida tem como base o sentido do que queremos para nós em cada momento e daquilo que, realmente, vale como principal".
Assim, ele traçou 20 regras de vida que foram colocadas em destaque no Instituto Francês de Ansiedade e Stress, em Paris.
“Dizem os "experts" em comportamento que, quem já consegue assimilar 10 delas, com certeza, aprendeu a viver com qualidade interior. Então vamos refletir sobre elas a seguir: 1) Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária e pense em você, analisando suas atitudes. 2) Aprenda a dizer não, sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme. 3) Planeje seu dia, sim, mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de você. 4) Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você se exaure. 5) Esqueça, de uma vez por todas, que você é imprescindível. No trabalho, casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua atuação, a não ser você mesmo. 6) Abra mão de ser o responsável pelo prazer de todos. Não é você a fonte dos desejos, o eterno mestre de cerimônias. 7) Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas. 8) Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os porque são perdas de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes. 9) Tente descobrir o prazer de fatos cotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem também achar que é o máximo a se conseguir na vida. 10) Evite se envolver na ansiedade e tensão alheias. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a ação. 11) Família não é você. Está junto de você. Compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade. 12) Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso, a trave do movimento e da busca. 13) É preciso ter sempre alguém em que se possa confiar e falar abertamente, ao menos num raio de cem quilômetros. Não adianta estar mais longe. 14) Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância sutil de uma saída discreta. 15) Não queira saber se falaram mal de você e nem se atormente com esse lixo mental. Escute o que falaram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento. 16) Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é ótimo ... para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.17) A rigidez é boa na pedra, não no homem. A ele cabe firmeza, o que é muito diferente. 18) Uma hora de intenso prazer substitui com folga 3 horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de se divertir. 19) Não abandone suas 3 grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé! 20) E entenda, de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente: ... Você é o que se fizer ser!”
Essa tese reforça a idéia de que nossa felicidade depende de nossos sentimentos, pensamentos e ações para conosco e para com os nossos semelhantes.
Por isso, não determine seu valor comparando-se com os outros. É só porque somos diferentes que somos especiais. Não ajuste seus objetivos de acordo com o que os outros acham importante: só você sabe o que é importante para você. Não dê por garantidos aqueles que você mais ama: Trate-os como se fossem sua vida, pois, sem eles, não teria significado.
Não deixe sua existência se esgotar pelos dedos, apegando-se ao passado e lançando-se ao futuro: vivendo um dia de cada vez, viverá cada dia de sua vida.
Não desista enquanto ainda tiver algo de si a dar, nada está acabado até que você pare de tentar. Não tenha medo de desafios: é correndo o risco que nos tornamos valentes. Abra as portas do seu coração para o amor, acredite que sempre é possível encontrá-lo e a receita mais rápida para receber amor é dar amor!
Não jogue fora seus sonhos, sonhe todos os dias, pois sonhos são o tempero da vida. Não corra demais pela vida afora, a vida não é uma corrida. É uma jornada! Consciente disso, você saboreia cada passo do seu caminho, pois você é eterno, assim como eterno é o oceano. Caminhe... Navegue... Voe... e acredite: o bem sempre vence! Desejo, a você, uma semana formidável!!
 
Com afeto,
Beth Landim
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Fé - força propulsora da vida!
17/09/2018 | 12h43
Todos os dias devemos fazer da vida uma canção de otimismo, nascida da alegria de quem vive de mãos dadas com o transcendente... Devemos fazer da vida um gesto de querer bem, que se prolongue através do espaço e do tempo... Devemos fazer da vida uma esperança, uma luz para os que tropeçam na noite...Um aceno do alto, para os que procuram o caminho...Um encontro para os que vivem na solidão....Para fazermos e sermos tudo isso, precisamos ser pessoas de fé!
Mas o que é Fé?Ter fé é renovar-se sempre, na convicção de seus ideais. Ter fé é DAR quando não temos, quando nós mesmos necessitamos. A fé sempre encontra algo valioso onde aparentemente não existe; pode fazer que brilhe o tesouro da generosidade em meio à pobreza e ao desamparo, enchendo de gratidão ao que recebe e ao que dá.
Ter fé é CRER, quando é mais fácil ficar na dúvida. A crença em nossas bondades, possibilidades e talentos, tanto como em nossos semelhantes, é a energia que move a vida fazendo grandes vencedores. Ter fé é GUIAR nossa vida, não com os olhos, mas sim com a alma. A razão necessita de muitas evidências para arriscar-se, o coração necessita só de um raio de esperança. As coisas mais belas e grandes que a vida nos dá não podemos ver, nem sequer tocar, só podemos acariciar com o espírito. Ter fé é ARRISCAR-SE na busca de um sonho, de um amor, de um ideal. Nada que vale a pena nesta vida pode se conseguir sem esta dose de sacrifício, a fim de adquirir algo que melhore nosso próprio mundo e o dos demais. Ter fé é VER positivamente a vida à frente, não importa quão incerto pareça o futuro ou quão doloroso foi o passado. Quem tem fé faz, de hoje, um fundamento do amanhã e trata de vivê-lo de tal maneira que, quando fizer parte de seu passado, possa vivê-lo como uma grata recordação. É CONFIAR, porém confiar não somente nas coisas, mas sim no que é mais importante... nas PESSOAS. Muitos confiam no material, porém vivem relações vazias com seus semelhantes. Compartilhar sonhos, acreditar na força da união, renova as esperanças e impulsiona o bem comum como objetivo maior.
Ter fé é BUSCAR o impossível: é não deixar nunca de cobrir nossos lábios com um sorriso, porque nunca sabemos quando nosso sorriso pode dar luz e esperança à vida de alguém que se encontra em pior situação do que a nossa.
Ter fé é CONDUZIR-SE pelos caminhos da vida da mesma forma que uma criança segura a mão de seu pai.
É fundamental cultivarmos a fé em nosso interior, pois só essa força divina é capaz de nos oportunizar a sensibilidade para não ficar indiferente diante das belezas da vida.
Seguindo o exemplo de uma grande representante da força feminina, Maria, acredito que a fé seja o “espírito que vivifica e renova todas as coisas”. Esta mulher vitoriosa, alimentada pela fé, pela audácia e pela convicção na grandeza dos seus projetos, nos deixou um grande legado. Sua serenidade e firmeza diante das mais diversas situações da vida nos mostram o melhor caminho a seguir.
Coragem para colocar a timidez de lado e poder realizar o que temos vontade. Solidariedade para não ficarmos neutros diante do sofrimento da humanidade. Bondade para não desviarmos os olhos de quem nos pede uma ajuda. Tranqüilidade para quando chegar ao fim do dia, podermos deitar e dormir o sono dos anjos. Alegria para distribuirmos, colocando um sorriso no rosto de alguém. Amor próprio para perceber nossas qualidades e gostar do que temos por dentro. Sinceridade para sermos verdadeiros, gostar de nós mesmos e vivermos melhor. Felicidade para descobri-la dentro de nós mesmos e doá-la a quem precisar.Esperança para acreditarmos na vida e nos sentirmos eternas crianças.Sabedoria para entender que o bem existe, apesar do mundo gritar que isso é pura ilusão. Desejos para alimentar o nosso corpo, dando prazer ao nosso espírito. Amor para amarmos e nos sentirmos amados. Para desejarmos tocar uma estrela, sorrir para lua. Sentir que a vida é bela, andando pela rua. Para descobrirmos o sol que existe dentro de cada um de nós e fazê-lo brilhar e iluminar a vida daqueles que nos rodeiam, pois não existe motivos para tristeza na vida de quem tem fé e luta por um futuro melhor.E acima de tudo, a capacidade de sonhar para podermos, todos os dias, alimentar a nossa alma.Porque os sonhos são eternos, apenas se transformam e mudam de lugar!!!
Com afeto,
Beth Landim
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Os sete sapatos sujos...
17/09/2018 | 12h41
Hoje divido com vocês trechos do escritor moçambicano Mia Couto, que compartilha as suas impressões acerca do futuro da África e do mundo, destacando que mais do que gente preparada para dar respostas, necessitamos de capacidade para fazer perguntas... “Não podemos entrar na modernidade com o atual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei sete sapatos sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos.
O primeiro sapato é a idéia que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas. Nós já conhecemos este discurso. A culpa já foi da guerra, do colonialismo, do imperialismo, do apartheid, enfim, de tudo e de todos. Menos nossa. É verdade que os outros tiveram a sua dose de culpa no nosso sofrimento. Mas parte da responsabilidade sempre morou dentro de casa. Estamos sendo vítimas de um longo processo de desresponsabilização. Esta lavagem de mãos tem sido estimulada por algumas elites africanas que querem permanecer na impunidade. Os culpados: são os outros, os da outra etnia, os da outra raça, os da outra geografia. Estou completamente cansado de pessoas que só pensam numa coisa: queixar-se e lamentar-se num ritual em que nos fabricamos mentalmente como vítimas. Choramos e lamentamos, lamentamos e choramos. Queixamo-nos até à náusea sobre o que os outros nos fizeram e continuam a fazer. E pensamos que o mundo nos deve qualquer coisa. Lamento dizer-vos que isto não passa de uma ilusão. Ninguém nos deve nada. A desresponsabilização é um dos estigmas mais graves que pesa sobre nós.
O segundo sapato é a idéia de que o sucesso não nasce do trabalho. Ainda hoje despertei com a notícia que refere que um presidente africano vai mandar exorcizar o seu palácio de 300 quartos porque ele escuta ruídos “estranhos” durante a noite. O palácio é tão desproporcionado para a riqueza do país que demorou 20 anos a ser terminado. As insônias do presidente poderão nascer não de maus espíritos, mas de uma certa má consciência. Nunca ou quase nunca se vê o êxito como resultado do esforço, do trabalho como um investimento a longo prazo. As causas do que nos sucede (de bom ou mau) são atribuídas a forças invisíveis que comandam o destino.
O terceiro sapato é o preconceito de quem critica é um inimigo. Muitos acreditam que, com o fim do mono partidarismo, terminaria a intolerância para com os que pensavam diferente. Mas a intolerância não é apenas fruto de regimes. É fruto de culturas, é o resultado da História. Muito do debate de idéias é, assim, substituído pela agressão pessoal. Basta diabolizar quem pensa de modo diverso. Existe uma variedade de demônios à disposição: uma cor política, uma cor de alma, uma cor de pele, uma origem social ou religiosa diversa.
O quarto sapato é a idéia que mudar as palavras muda a realidade. Uma vez em Nova Iorque um compatriota nosso fazia uma exposição sobre a situação da nossa economia e, a certo momento, falou de mercado negro. Foi o fim do mundo. Vozes indignadas de protesto se ergueram e o meu pobre amigo teve que interromper sem entender bem o que estava a se passar. No dia seguinte recebíamos uma espécie de pequeno dicionário dos termos politicamente incorretos. Estavam banidos da língua termos como cego, surdo, gordo, magro, etc… Nós fomos a reboque destas preocupações de ordem cosmética. Estamos reproduzindo um discurso que privilegia o superficial e que sugere que, mudando a cobertura, o bolo passa a ser comestível. Hoje assistimos, por exemplo, a hesitações sobre se devemos dizer “negro” ou “preto”. Como se o problema estivesse nas palavras, em si mesmas. O curioso é que, enquanto nos entretemos com essa escolha, vamos mantendo designações que são realmente pejorativas.
O quinto sapato é a vergonha de ser pobre e o culto das aparências. A pressa em mostrar que não se é pobre é, em si mesma, um atestado de pobreza. A nossa pobreza não pode ser motivo de ocultação. Quem deve sentir vergonha não é o pobre, mas quem cria pobreza. Vivemos hoje uma atabalhoada preocupação em exibirmos falsos sinais de riqueza. Criou-se a idéia que o estatuto do cidadão nasce dos sinais que o diferenciam dos mais pobres. É triste que o horizonte de ambições seja tão vazio e se reduza ao brilho de uma marca de automóvel entre outras coisas... É urgente que as nossas escolas exaltem a humildade e a simplicidade como valores positivos. A arrogância e o exibicionismo não são, como se pretende, emanações de alguma essência da cultura africana do poder. São emanações de quem toma a embalagem pelo conteúdo.
O sexto sapato é a passividade perante a injustiça. Estarmos dispostos a denunciar injustiças quando são cometidas contra a nossa pessoa, o nosso grupo, a nossa etnia, a nossa religião. Estamos menos dispostos quando a injustiça é praticada contra os outros. Persistem em Moçambique zonas silenciosas de injustiça, áreas onde o crime permanece invisível. Refiro-me em particular à violência domestica.
O sétimo sapato é a ideia de que para sermos modernos temos que imitar os outros. Todos os dias recebemos estranhas visitas em nossa casa. Entram por uma caixa mágica chamada televisão. Criam uma relação de virtual familiaridade. O resultado é que a produção cultural nossa se está convertendo na reprodução macaqueada da cultura dos outros. O futuro da nossa música poderá ser uma espécie de hip-hop tropical, o destino da nossa culinária poderá ser o Mac Donald’s. Falamos da erosão dos solos, da deflorestação, mas a erosão das nossas culturas é ainda mais preocupante. Temos que gostar de nós mesmos, temos que acreditar nas nossas capacidades. Mas esse apelo ao amor-próprio não pode ser fundado numa vaidade vazia, numa espécie de narcisismo fútil e sem fundamento. A razão dos nossos atuais e futuros fracassos mora também dentro de nós. Mas a força de superarmos a nossa condição histórica também reside dentro de nós. Saberemos, como já soubemos antes conquistar certezas, que somos produtores do nosso destino.”
O texto de Mia parece que foi escrito para nós... fica então a reflexão... tirarmos os sapatos sujos... e se possível calçarmos as sandálias da humildade e do trabalho...
Com afeto,
Beth Landim
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A força do silêncio...
17/09/2018 | 12h39
O autor Aldo Novak expressa uma reflexão fundamental no mundo atual em que vivemos:
“Pense em alguém que seja poderoso... Essa pessoa briga e grita como um papagaio, ou olha e silencia, como um leão? Leões não gritam. Eles têm a aura de força e poder. Observam em silêncio. Somente os poderosos, sejam leões, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio. Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas. Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos.
Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis. Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota. Olhe! Sorria! Silencie! Vá em frente e lembre-se de que há momentos de falar, que há momentos de silenciar. Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso. Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) idéia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques. Não é verdade! Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir. Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça.
Você pode escolher o silêncio. Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenocrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar: “Responda com o silêncio, quando for necessário. Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais. Use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não responder em alguns momentos. Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas. E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas”.”
E você, já parou para pensar no poder do silêncio? Já pensou que aprender a fazer silêncio pode ser tão importante quanto aprender a falar e a se relacionar com outras pessoas? É interessante perceber que em uma sociedade tão materialista como a nossa, que privilegia o TER em detrimento do SER, é urgente a necessidade de mergulharmos dentro de nós mesmos. Fazer silêncio é mais que não falar, que ficar quieto sem nada a dizer. Silenciar é uma arte que comunica tanto quanto outros sons. Nesta sinfonia que é a vida, cultivar instantes de silêncio pode nos proteger da impulsividade que invade nossa alma e pode nos auxiliar no contato com nossa essência. Assim, podemos descobrir coisas antes não observadas com a devida atenção. Na melodia da vida, as pausas remetem ao momento em que realmente passamos a entrar em nós. É claro que muitos poderão dizer que ficar quieto e silenciar pode ser uma atitude egoísta e covarde em alguns momentos em que se espera que algo seja dito ou feito.
Bem, realmente isso não é verdade! Precisamos olhar o silêncio por um outro ângulo. Aquele que educa a alma, que nos traz equilíbrio frente à vida. Aquele que nos auxilia a preservar nossa identidade. E, como tudo na vida, esse silêncio sábio pode ser aprendido, cultivado. Afinal, o silêncio deve ser muito importante, caso contrário não teríamos nascido com duas orelhas e apenas uma boca, concorda? Deste modo, devemos fazer do silêncio a paz que nos serena a alma e ilumina a vida nos instantes de agressões, dúvidas ou dor, mas também lembremos dele nas horas das alegrias mais profundas, de forma que sempre possa nos acompanhar em todos os instantes da vida como grande aliado. Ao desenvolvermos a habilidade de silenciar, evidenciamos a prudência, característica maior dos sábios. Enfim, o silêncio pode ser reconhecido como uma virtude que evita polêmicas desnecessárias e brigas perigosas.
Grandes sábios afirmam que quem muito fala, nada tem a dizer. Isto parece fazer bastante sentido, quando por prepotência, vaidade e orgulho, algumas pessoas defendem, de forma douta, graves erros, para os quais constroem justificativas totalmente mentirosas. O leitor certamente conhece casos e casos...
Assim, como homens e mulheres sensatos que somos, devemos desconfiar de todos os discursos apelativos que produzem entorpecimento da razão crítica! Todavia, devemos interpretar o silêncio como uma arma poderosa para responder, de forma harmoniosa, aos ataques de má fé! Precisamos da calma e do silêncio. Não o silêncio do fechamento, da indiferença, mas o silêncio da atenção, da escuta; o silêncio da sintonia com o sagrado, com o transcendente, o sobrenatural! O texto de Novak enfatiza que a característica própria de um homem corajoso é falar pouco e executar grandes ações. A característica de um homem de bom senso é falar pouco e dizer sempre coisas razoáveis. Não há menos fraqueza ou imprudência em calar, quando se é obrigado a falar, do que leviandade e indiscrição em falar, quando se deve calar.
O silêncio tem uma força de comunhão que não leva ao isolamento, mas nos coloca em sintonia com todas as criaturas, particularmente com todas as pessoas que pensam, esperam e amam. Mas, só é capaz de vivenciá-lo e usá-lo como arma, quem possui decisão interior e firmeza de caráter, conseguindo saborear e estabelecer uma comunicação autêntica consigo, com os outros, com a natureza e com Deus. Lembre-se: Silenciar é uma arte praticada com excelência por poucos! Sábios são os que conseguem!
Com afeto,
Beth Landim
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A arte dos relacionamentos duradouros
17/09/2018 | 11h39
Muitos de nós nos perguntamos qual é a receita para construir relacionamentos duradouros. As experiências nos mostram que não há uma receita pronta a ser seguida. Mas então, qual é o segredo?
Outro dia encontrei um texto belíssimo que nos revela esse segredo e gostaria muito de partilhar com vocês meus leitores...
Conta uma lenda dos índios sioux que... “Certa vez, Touro Bravo e Nuvem Azul chegaram de mãos dadas à tenda do velho feiticeiro da tribo e pediram:
- Nós nos amamos e vamos nos casar. Mas nos amamos tanto que queremos um conselho que nos garanta ficar sempre juntos, que nos assegure estar um ao lado do outro até a morte. Há algo que possamos fazer?
E o velho Pajé emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
- Há o que possa ser feito, ainda que sejam tarefas muito difíceis. Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte da aldeia apenas com uma rede, caçar o falcão mais vigoroso e trazê-lo aqui, com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia. E tu, Touro Bravo, deves escalar a montanha do trono; lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias. Somente com uma rede deverás apanhá-la, trazendo-a para mim viva! Os jovens se abraçaram com ternura e logo partiram para cumprir a missão.
No dia estabelecido, na frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves. O velho tirou-as dos sacos e constatou que eram verdadeiramente formosos exemplares dos animais que ele tinha pedido.
- E agora, o que faremos? Os jovens perguntaram.- Peguem as aves e amarrem uma à outra pelos pés com essas fitas de couro. Quando estiverem amarradas, soltem-nas para que voem livres. Eles fizeram o que lhes foi ordenado e soltaram os pássaros.A águia e o falcão tentaram voar, mas conseguiram apenas saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela impossibilidade do vôo, as aves arremessaram-se uma contra a outra, bicando-se até se machucar.
Então o velho disse: - Jamais esqueçam do que estão vendo, esse é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas jamais amarrados. Libere a pessoa que você ama para que ela possa voar com as próprias asas. Essa é uma verdade no casamento e também nas relações familiares, de amizade e profissionais. Respeite o direito das pessoas de voar rumo ao sonho delas.
A lição principal é saber que somente livres as pessoas são capazes de amar.”
Assim podemos constatar que não há uma fórmula especial para relacionamentos duradouros, o que é essencial é transformar as pequenas coisas cotidianas em grandes coisas. É jamais se achar muito velho para dar-se as mãos. É lembrar de dizer "te amo", pelo menos uma vez ao dia. É nunca ir dormir zangado. É ter valores e objetivos comuns. É estar unidos ao enfrentar o mundo. É formar um círculo de amor que una toda a família. É proferir elogios e ter capacidade para perdoar e esquecer. É proporcionar uma atmosfera onde cada qual possa crescer na busca recíproca do bem e do belo.
É não só casar-se com a pessoa certa, mas ser o companheiro perfeito. E para ser o companheiro perfeito é preciso ter bom humor e otimismo. Ser natural e saber agir com tato. É saber escutar com atenção, sem interromper a cada instante. É mostrar admiração e confiança, interessando-se pelos problemas e atividades do outro. Perguntar o que o atormenta, o que o deixa feliz, por que está aborrecido. É ser discreto, sabendo o momento de deixar o companheiro a sós para que coloque em ordem seus pensamentos. É distribuir carinho e compreensão, combinando amor e poesia, sem esquecer galanteios e cortesia.
É ter sabedoria para repetir os momentos do namoro. Aqueles momentos mágicos em que a orquestra do mundo parecia tocar somente para os dois. É ser o apoio diante dos demais. É ter cuidado no linguajar, é ser firme, leal. É ter atenção além do trivial e conseguir descobrir quando um se tiver esmerado na apresentação para o outro. É saber dar atenção para a família do outro, pois, ao se unir o casal, as duas famílias formam uma unidade. É cultivar o desejo constante de superação. É responder dignamente e de forma justa por todos os atos. É ser grato por tudo o que um significa na vida do outro.
O amor real, por manter as suas raízes no equilíbrio, vai se firmando dia a dia, através da convivência estreita. O amor, nascido de uma vivência progressiva e madura, não tende a acabar, mas amplia-se, uma vez que os envolvidos passam a conhecer vícios e virtudes, manias e costumes de um e de outro. O equilíbrio do amor promove a prática da justiça e da bondade, da cooperação e do senso de dever, da afetividade e advertência amadurecida. O segredo dos relacionamentos está em regá-lo todos os dias, com liberdade...
Pense nisso! Boa semana!
Com afeto,
Beth Landim
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A arte de viver...
03/08/2018 | 12h43
 
O ser humano é o único que pode, conscientemente, escolher o direcionamento das suas ações, tornando claras as intenções de sua essência interior e, através de suas atitudes, demonstrar o valor de suas palavras, o poder de seus pensamentos e o calor de seus sentimentos em tudo o que realiza.
Diferente do que muitas pessoas pensam, não basta apenas ter bens para usufruir, ou uma vida social e profissional bem sucedida. É preciso que você faça sua parte, buscando o auto conhecimento e a positividade em seus atos, e o sucesso torna-se conseqüência natural de tudo que se procura fazer com perfeição e com amor. Desta forma, nossos pensamentos, nossos movimentos, nossos planos, tudo em nossa vida são canais por onde o fluxo de energia passa.
Assim, quando realizamos toda e qualquer ação, seja simplesmente pensando, sentindo ou atuando concretamente, conscientes da correta atitude para cada momento, criamos uma abertura para as dimensões mais profundas no nosso Ser, onde temos acesso ao amor e à sabedoria sem limites.
A qualidade presente em nossa consciência quando assumimos atitudes é o que determina o campo vibratório e sensível onde iremos atuar e viver a plenitude de sermos, simultaneamente, humanos e divinos. Todavia, é na busca pela divindade e humanidade que aprendemos a arte de viver, que exige uma caminhada rumo ao nosso interior e o desenvolvimento de uma atitude amorosa para conosco e para com os outros. A atitude amorosa é expressa de infinitas maneiras. É preciso descobrir nosso único e incomparável jeito de amar e amar muito. É fundamental abrirmos o coração para atos simples e amorosos de serviço às pessoas, aos animais, às plantas, enfim, a toda a Natureza. Quanto mais aprendemos a amar e a aprovar o nosso Ser, a partir de uma consciência de auto-aceitação, mais prazerosas serão as nossas atitudes na vida. O prazer torna-se consciente em cada ato, em cada gesto, quando reconhecemos que o amor e o respeito que podemos sentir por nós mesmos e pelos outros está sempre disponível na dimensão da Alma. No entanto, ao vivenciar essa atitude amorosa é essencial ter os dois pés no chão e estar aberto para viver experiências significativas. E sempre se lembrar de que o AMOR começa no interior de nossa alma. O amor é um sentimento que faz parte da "felicidade democrática", aquela que é acessível a todos nós. É democrática a felicidade que deriva de nos sentirmos pessoas boas, corajosas e ousadas. Já a "felicidade aristocrática" deriva de sensações de prazer possíveis apenas para poucos: riqueza material, fama, beleza extraordinária. Felicidade aristocrática está relacionada à vaidade e é geradora, inevitável, de violência, em virtude da inveja que a grande maioria sentirá da ínfima minoria.
É difícil definir felicidade, mas pode-se, de modo simplificado, dizer que uma pessoa é feliz quando é capaz de usufruir sem grande culpa os momentos de prazer e de aceitar com serenidade as inevitáveis fases de sofrimento. É impossível nos sentirmos felizes o tempo todo, mas os períodos de felicidade correspondem à sensação de que nada nos falta, de que o tempo poderia parar naquele ponto do filme da vida. A vida pode e deve ser melhor e mais prazerosa, só depende de nós, por isso não podemos permitir que constantes pensamentos e sentimentos negativos tomem conta de nós.A arte de viver consiste na busca e aspiração à felicidade e ao prazer em cada ato presente, não mais acreditando cegamente que você conseguirá ser plenamente feliz (nas férias, quando se aposentar, ao ganhar muito dinheiro). A felicidade está ao nosso alcance sempre, basta desejarmos e nos dispormos a isso.
A arte de viver tem como elemento chave o amor, principalmente o amor próprio! Por isso, ame-se... Pare de se incomodar e se irritar em demasia com pessoas mal-humoradas, com bobagens cotidianas. Procure refletir e compreender possíveis ressentimentos, mágoas, sentimentos negativos. Não se culpe! Busque melhor conhecer e entender a si próprio e a outrem. Renove-se! É necessário parar, pensar, orar! Mesmo diante de agitações e problemas, sossegue a si mesmo. PARE! Imagine, mesmo que por curto tempo, que um rio a correr calmamente, entre algumas pedras, produz um burburinho acolhedor e paz perfeita. No fundo das águas, veja peixes nadando, tranqüilos. Acredite. Dentro de todas as pessoas existe um universo de aptidões que dorme. Qualidades e capacidades que, se fossem postas em atividades, produziriam grandes alegrias e as incitariam a dar valor à vida. O que vemos fora é o que temos por dentro. Precisamos distribuir benefícios, pois eles voltam para nós mesmos, de uma maneira ou de outra. Essa é a lei da vida, a lei de Deus. Reflita. A arte de viver é uma conquista cotidiana da atitude amorosa! Mas é preciso saber que amor não se implora, não se pede, não se espera... Amor se vive ou não. É o amor que fica, que marca as pessoas... Parafraseando Arthur da Távola, o amor... Ah, o amor... O amor quebra barreiras, une, destrói preconceitos, cura doenças... E é certo que quem ama, é muito amado, e vive a vida mais alegremente!!!
Com afeto,
Beth Landim
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É sempre tempo de repensar atitudes...
20/07/2018 | 21h45
Saudade e distância são dois registros que nos suscitam inúmeros questionamentos. Muitas vezes, é na ausência que dimensionamos a imensidão dos espaços ocupados em nossa vida. Família... trabalho... amigos... tudo parece infinitamente maior quando estamos longe. Mas qual será o verdadeiro entendimento que temos a cerca daqueles que tanto nos completam e nos fazem felizes?
Podemos conviver décadas com filhos, pais, parceiros e amigos sem nunca conseguirmos, de fato, uma intensa relação. Muitas vezes isso ocorre pela nossa correria do cotidiano que nos atropela e nos impede de valorar corretamente pessoas, situações e momentos...
Sorrir e chorar junto, gostar da mesma coisa e até mesmo superar, lado a lado, grandes conflitos não significa, necessariamente, alcançar o íntimo do outro e romper as barreiras do individualismo.
Quantos aborrecimentos surgem daí? Alguns mal-entendidos, brigas e mágoas se dão, não porque somos maus ou porque temos a intenção de ferir o outro, mas, exatamente, pelo fato de avaliarmos de forma errada as relações e os sentimentos alheios. Temos sempre a tendência a analisar o outro com o “nosso pensar” e com o “nosso agir”, nos esquecendo muitas vezes que o outro é um ser humano que assim como nós carrega dentro de si valores próprios, dificuldades e temores.
Relacionar-se é uma deliciosa aventura e, ao mesmo tempo, uma fonte imensurável de alegria e risco, pois uma andorinha só não faz verão, e o que seria de nós isolados de todos que nos cercam e caminham lado a lado conosco nesta etapa do caminho?
Em todo mal-entendido reside muito desgaste e sofrimento desnecessário. Por isso, é preciso estar atento àqueles que amamos, aos anseios e necessidades daqueles que nos cercam. Atenção à palavra que devia ter sido pronunciada, mas ficou fechada na garganta e era hora de falar e, sobretudo, ao silêncio que não foi erguido no momento exato quando era momento de calar.
São nos relacionamentos que as personalidades se confrontam, os medos se comunicam e a sutil necessidade de impor, característica inerente ao ser humano, se aflora e se disfarça em zelo e proteção. Se somos todos tão dependentes de amar e receber amor, precisamos lapidar nossas emoções e fixar atitudes que alarguem nossos passos e abram nosso coração em direção ao outro. Somos seres que buscam incessantemente a luz, então temos que buscar com mais intensidade esta ligação com o divino que irá nos inspirar sempre, nos tornando pessoas mais leves, de bem com a vida, sem tantos temores e receios que nos impedem de prosseguir, retardando o nosso progresso.
Partilhar a vida com alguém é a oportunidade divina de enriquecê-la. Sempre vale a pena apostar nos relacionamentos quando entre os pares, sejam eles, filhos, pais, companheiros ou amigos, existe a vontade de descobrir esse outro, tocar sua alma, entender o que deseja, do que precisa, o que pode e o que lhe é possível fazer.
Não há manuais de instrução, guias rápidos ou receitas capazes de aprimorar os relacionamentos humanos. Nem seria preciso. Temos mecanismos, fundamentalmente, mais poderosos: a sinceridade, a abertura, a humildade e, prioritariamente, o amor. Esses mecanismos nos permitem sair de nossas próprias varandas e olhar em torno. Compreender que a existência humana é bem maior que nossas pequenas certezas individuais. Se nos escondemos nelas, perdemos a oportunidade de escutarmos o outro e renovarmos nossos conteúdos. Sequer compreendemos que as inevitáveis perdas podem pesar menos que os possíveis ganhos e elas dependem de nossas atitudes. Viver deve ser a arte de compartilhar e a chance de recriar-se. A vida e, em conseqüência, os relacionamentos, deve ser elaborada e, quantas vezes forem necessárias, recriada.
Ansiando por coisas prontas e procurando, no outro, os modelos exatos das coisas que nos completam, jamais encontraremos a cumplicidade tão necessária nos relacionamentos diários. Admitir a liberdade do outro é tarefa árdua e fundamental para o próprio crescimento. A alma daqueles que amamos será sempre uma terra inexplorada e não-mapeada, mas a humildade e a coragem de habitá-la sempre serão facilitadores desse sinuoso caminho. Erguemos muralhas difíceis de invadir porque, inseguros de nossos potenciais, precisamos usar máscaras. Enquanto isso, impedimos que o outro nos descubra e se aproxime, perdendo um tempo que se chama “presente precioso” e que devemos vivê-lo com plena intensidade.
Seja como for, desejo que a alma daqueles que você ama, seja sempre a busca constante de seu encontro e crescimento pessoal, para que os relacionamentos floresçam e o estreitamento dos laços afetivos sejam instrumentos de reescrita de sua história.
Com afeto,
Beth Landim
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A Tailândia de cada um de nós...
20/07/2018 | 21h40
Uma onda de alivio e de alento invadiu as nossas casas e os nossos corações... O mundo todo parou diante de 13 pessoas dentro de uma caverna... Rezei muito!!! Rezamos todos... Rezei para pedir e para agradecer o resgate do time dos Javalis Selvagens e seu professor da caverna Tham Luang, no norte do país. Mas junto a tudo isso tivemos um grande aprendizado! Em primeiro lugar, temos que contextualizar a cultura. Pois na Tailândia é natural fazer essas expedições nas cavernas.
A partir do desafio que se apresentou, o professor e técnico, bem como todos os meninos, tiveram um controle emocional surpreendente. Ficar 15 dias na escuridão total, na umidade, com pouquíssima alimentação (9 dias sem comer)... é para os FORTES! Utilizavam a meditação, a fé, a unidade do grupo, a sabedoria do professor que não deixou que o grupo desanimasse ou desagregasse.
Chamou-me também muito a atenção, a reação dos pais! Em nenhum momento culparam ou agrediram verbalmente o professor. O que vimos foi apoio, fé, dedicação na espera, controle emocional, para o que nos é mais precioso: Nossos Filhos. Muito interessante também, foi não divulgar o nome das crianças que saíram primeiro e assim sucessivamente. Para não criar mais ansiedade aos pais, os nomes foram divulgados todos juntos... Isso reflete outra coisa, não pensarmos: “No meu pirão primeiro”... Pensarmos que a minha dor é a sua dor... e desta forma, o alívio deve ser conjunto, assim como o sofrimento... SOLIDARIEDADE. O povo tailandês se comportou como se os meninos fossem da sua família, na verdade esse pensamento positivo invadiu a todos nós com muito afeto. A energia positiva do mundo todo fez a diferença neste resgate...
Não podemos nos esquecer dos mergulhadores, que sabiam do grande desafio e que não fugiram dele... Não podemos nunca nos acovardar!! Dedicados, profissionais, mas sobre tudo afetuosos, sabedores de sua responsabilidade nesta missão tão delicada e cheia de intempéries! Não podemos nos esquecer jamais de Saman Kunan, de 38 anos, levou suprimentos para o grupo de 13 pessoas, mas ficou sem oxigênio quando retornava para a entrada da caverna Tham Luang e acabou morrendo. Destacamos, ainda, o desprendimento também do médico e de dois membros da marinha que ficaram o tempo inteiro na caverna acompanhando o resgate, dando um apoio imprescindível.
Junto a tudo isso, estavam as orações do mundo inteiro!! E quando nos unimos em oração, independente do resultado, nos fortalecemos para enfrentar a instabilidade que a vida nos reserva! A expressão “Hooyah”, herdada da Marinha americana e que visa elevar o moral... proliferava nas redes sociais tailandesas... “Missão cumprida!”!!! Questões culturais, relacionadas ao respeito, explicam essa decisão. Rachapol Ngamgrabuan, governador da província Chiang Rai e coordenador do esforço de resgate, não escondeu a emoção com o sucesso da operação.
Sou uma pessoa que gosta de pensar e AGIR na vida, nos acontecimentos e trazer a reflexão para o meu mundo, e fiquei pensando: Quantas cavernas entramos ao longo de nossa história?! E de quantas conseguimos sair... Somos capazes de manter este equilíbrio emocional? Às vezes, a caverna não sai de nós! Estamos no escuro e não nos permitimos encontrar a luz... Existe também a possibilidade de sabermos os caminhos, mas não termos resistência para lutar... Porém, quando estamos no “fundo do poço”, na caverna ou na escuridão, penso que em primeiro lugar temos que ter fé! Fé em Deus, fé em nós, fé na vida, que vale a pena ser vencida! E depois muito amor por nós mesmos, e pelos que nos amam verdadeiramente.
Dizem que quem canta, seus males espanta! Cantarolar internamente é um dos meus insights, para não entrar na caverna! Outra coisa é passar na minha mente, meus momentos maravilhosos, que se eternizaram em meu coração... Os passo e repasso... todos os dias... pois me alimentam, me dão esperança, me tornam forte para as intempéries da vida! São meus... vividos... tenho a certeza da força que os senti... Significam AMOR...
E o amor, esteve presente em todo este resgate! O amor do mundo, dos Tailandeses, de todos que de uma forma ou de outra estiveram dentro da caverna com os Javalis Selvagens! Penso, que mais do que o resgate de vidas tivemos mais uma prova de que o mundo pode ser melhor! Precisamos de tão pouco... Mas o amor é o oxigênio da vida!
Existe um ditado tailandês que diz: “Evitarás ofender a quem te ajuda pedindo mais do que este lhe dá”. Esta é a resposta para nossas cavernas... Que possamos dar sem querer nada em troca, mas jamais deixemos de dar amor... Mesmo que em doses homeopáticas ou cavalares, cada um sabe o que tem pra dar... E pode sempre melhorar... Que todos nós possamos deixar, nas cavernas por onde passarmos, a expressão da marinha americana “Hooyah”, sempre tendo em mente, que teremos muitas cavernas pela frente. E então, nossas mãos, nossos corações, nossas orações e principalmente o amor um pelo outro, nos levará a luz...
Que a Tailândia de cada um de nós, possa sempre acreditar que, enquanto há vida, vale a pena buscar a felicidade...
Com afeto,
Beth Landim
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A Marca do Amor...
07/07/2018 | 12h17
 Nos conta uma história... Quando eu era criança, bem novinha, meu pai comprou um dos primeiros telefones da vizinhança. Ainda me lembro muito bem daquele aparelho preto e brilhante fixado na parede, perto da escada. Eu era muito pequeno para alcançar o telefone, mas ouvia fascinado quando minha mãe o utilizava para falar com alguém. Então, um dia, descobri que, em algum lugar dentro daquele objeto maravilhoso, havia uma pessoa fantástica. O nome dela era “Uma informação, por favor”, e não havia nada que ela não soubesse. “Uma informação, por favor” podia fornecer qualquer número de telefone e até a hora certa. Minha primeira experiência pessoal com esse gênio na garrafa veio num dia em que minha mãe estava fora, na casa de um vizinho. Eu estava na garagem, entretendo-me com a caixa de ferramentas quando bati com força, sem querer, o martelo no dedo. A dor foi terrível, mas não parecia haver propósito algum para chorar, uma vez que não tinha ninguém em casa para sentir pena. Andei pela casa, para cima e para baixo, chupando o dedo dolorido, até que parei perto da escada. Foi aí que tive um pensamento maravilhoso: – O telefone! Rapidamente, fui até a sala, peguei uma pequena banqueta e puxei-a para perto do telefone. Subi em cima dela, tirei o fone do gancho e segurei-o contra o ouvido. Depois de dois ou três pequenos estalos, ouvi uma voz suave e nítida no ouvido: – Informações. – Machuquei meu dedo… – choraminguei no telefone. As lágrimas vieram facilmente, agora que eu tinha audiência. – Sua mãe não está em casa? – ela perguntou. – Não tem ninguém aqui, só eu – balbuciei, soluçando. – Está sangrando? – Não. Eu machuquei o dedo com o martelo, mas está doendo… – Você consegue abrir o congelador? – ela perguntou. Respondi que sim. – Então, pegue um cubo de gelo e segure-o no dedo machucado – disse a voz. Depois daquele dia, eu ligava para “Uma informação, por favor” por todo e qualquer motivo. Pedi ajuda com minhas lições de geografia, e ela me ensinou onde ficava a Filadélfia. Ajudou-me também com os exercícios de matemática. Explicou que o pequeno esquilo que acabara de pegar no bosque comia nozes e frutinhas. Então, um dia, Petey, meu canário, morreu. Liguei para “Uma informação, por favor” e relatei a triste história. Ela me ouviu e, depois, começou a falar aquelas coisas que os adultos geralmente dizem para consolar uma criança. Mas continuei inconsolado. – Por que é que os passarinhos cantam tão lindamente e trazem tanta alegria pra gente para, no fim, acabar como um monte de penas no fundo de uma gaiola? – perguntei. Ela deve ter sentido um pouco da minha dor, porque disse suavemente: – Paul, lembre-se sempre de que existem outros mundos onde se pode cantar. De alguma maneira, isso me fez sentir-me melhor. No outro dia, lá estava eu de novo. – Informações – disse a voz já tão familiar. – Como escrevo “exceção”? Tudo isso aconteceu na minha pequena cidade natal, na região noroeste dos Estados Unidos. Quando eu tinha 9 anos, nós nos mudamos para o outro lado do país, para a cidade de Boston. Senti muita falta da minha amiga. “Uma informação, por favor” pertencia àquele velho aparelho preto na casa antiga e, de algum modo, nem pensava em experimentar o novo aparelho branquinho que ficava na mesa do corredor perto da sala. Conforme eu crescia, as lembranças daquelas conversas infantis nunca saíam totalmente da minha memória. Frequentemente, em momentos de duvida ou perplexidade, eu tentava recuperar o sentimento sereno de segurança que eu tinha quando tirava minhas dúvidas com ela. Passei a compreender como ela havia sido paciente, compreensiva e gentil ao perder tempo atendendo as ligações de um menininho. Alguns anos depois, quando estava viajando para a costa oeste, para estudar na faculdade, meu avião fez escala em Seattle, perto da minha cidade natal. Eu teria mais ou menos meia hora entre os dois vôos. Falei durante uns 15 minutos, por telefone, com minha irmã, que na época morava lá. Em seguida, sem pensar no que estava fazendo, disquei o número da operadora da minha cidade natal e pedi: – Uma informação, por favor. Como num milagre, ouvi a mesma voz suave e clara que conhecia tão bem, dizendo: – Informações, pois não. Eu não havia planejado aquilo, mas as palavras saíram como se fossem involuntariamente: – Você poderia me dizer como escrevo “exceção”? Houve uma longa pausa. Depois, a resposta suave e gentil. – Imagino que seu dedo já tenha sarado! Eu ri. – Então, é você mesma! – eu disse. – Fico pensando se você faz alguma idéia de como você foi importante para mim durante aquele tempo. – E eu fico pensando – ela disse – se você faz alguma idéia do que suas chamadas significavam para mim. Nunca tive filhos e ficava esperando todos os dias que você ligasse. Contei o quanto havia pensado nela todos aqueles anos e perguntei se poderia ligar para ela novamente quando voltasse para visitar minha irmã. – Por favor, faça isso! – ela respondeu. – Peça para falar com a Sally. Três meses depois, estava de volta a Seattle para visitar minha irmã. Quando liguei, uma voz diferente respondeu: – Informações. Pedi para chamar a Sally. – Você é amigo dela? – a voz perguntou. – Sim, um amigo de muito tempo. Meu nome é Paul. – Sinto muito ter de lhe dizer isto, mas a Sally estava trabalhando aqui apenas meio período nos últimos anos porque estava doente. Infelizmente, ela morreu há cinco semanas. Antes que eu pudesse desligar, a voz perguntou: – Espere um pouco. Você disse que seu nome é Paul? – Sim. – Bem, a Sally deixou uma mensagem para você. Ela escreveu e pediu para eu guardá-la caso você ligasse. Eu vou ler pra você. Diz o seguinte: “Diga a ele que eu ainda acredito que existem outros mundos onde a gente pode cantar. Ele vai entender”. Eu agradeci e desliguei. De fato, entendi muito bem. Que a marca do amor possa impregnar sempre a sua vida. Nunca subestime a “marca” que você pode deixar nas pessoas. As pessoas se esquecerão do que você disse, do que você fez… mas as pessoas nunca se esquecerão de como você as fez sentir…
Com afeto,
Beth Landim
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