Ossos do (gigante) ofício
15/05/2015 | 10h56
Estive no mês passado na Galeria Scenarium, Rio de Janeiro. Fica em um sobrado, daqueles antigos de um Rio passado: provavelmente erguido em 1874. Faz parte, com orgulho, dos bens protegidos da cidade. Este prédio encantador com fachada azul de ladrilhos esmaltados foi restaurado e fica na Rua do Lavradio. Queria ver a exposição " TRAÇO LIVRE do Limite do Humor à Liberdade de Expressão". Lindo espaço, impecável no cuidado e apresentação dos trabalhos. Exposição concisa, finamente disposta por todo o piso térreo. Dá gosto ver a arte tratada de forma profissional. No final, nós da assistência nos sentimos respeitados e valorizados. Bom, trago uma primeira seleção do que vi para vocês. É do genial humorista brasileiro Miguel Paiva. Nos desenhos,  a dificuldade histórica que o humor enfrenta para existir e cumprir o seu quinhão na criação, ao não se curvar aos poderes e poderosos, sejam eles quais foram. São corajosos os que desafiam o status quo. Em mim, despertam profunda admiração. Nos ensinam. FullSizeRender(21) FullSizeRender(22) FullSizeRender(23) FullSizeRender(24) FullSizeRender(25) FullSizeRender(26) FullSizeRender(27)          
Comentar
Compartilhe
Hoje, no início da tarde...
03/04/2015 | 03h05
Ao final do velório do amigo Kapi, querido por tantos, desprezado por outros, como são os homens de verdade, o colega blogueiro Antunis Clayton me deu esse toque: " Se a gente toda manhã, antes de partir para os nossos afazeres, passasse ao menos 15 minutos em um velório, alguns dos nossos 'problemas' se dissolveriam". A Cultura de Campos perdeu um sonhador. O Teatro campista sofre uma perda irreparável. Nós perdemos um amigo insubstituível. Fica o sorriso, o carinho, o reconhecimento ao genial Kapi. Fica a certeza de que ficamos ainda mais pobres! kapi    
Comentar
Compartilhe
Um Rio
18/01/2015 | 05h27
Reproduzo via mural do Artur Gomes, poeta e produtor cultural, publicado no Facebook, o poema escrito por Antonio Roberto Góis Cavalcanti (Kapi), entre os anos 1977 e 1978. Há mais de duas décadas, a sensibilidade do poeta Kapi já antevia a agonia do "nosso" Rio Paraíba do Sul.
Um rio Era uma vez… Um rio Que de tão vazio, já não era rio e nem riachão, tão pouco riacho.Não era regato, nem era arroio, muito menos corgo.uma vez… um rio que, de tanta cheia, já não era rio e nem ribeirão.Era mais que Negro, era mais que Pomba, era mais que Pedra, era mais que Pardo, era mais que Preto, bem maior ainda que um rio grande. Era uma vez… um rio que de tão antigo era temporário, era obsequente, era um rio tapado e antecedente. Que não tinha foz, que não tinha leito, que não tinha margem e nem afluente, tão pouco nascente. Mas que era um rio. Não era das Velhas, não era das Almas, não era das Mortes. Era um Paraíba, era um Paraná, era um rio parado. Rio de enchentes, rio de vazantes, rio de repentes: Um rio calado: Sem Pirá-bandeira, Sem Piracajara, Sem Piracanjuba. Em suas águas não havia Pira não havia íba, não havia jica, não havia juba. Nem Pirá-andira, nem Piraiapeva, nem Pirarucu. Era um rio assim: Sem pirá nenhum. Mas que era um rio. Era uma vez…. Um rio. Que, de tão inerte, Já não era rio. Não desaguou no mar, não desaguou num lago, nem em outro rio. É um rio antigo, que de tão contido não é natureza. Um dia foi rio, há muito é represa. [caption id="attachment_8661" align="aligncenter" width="556"]IMG_4154 Ft. Artur Gomes[/caption]  
Comentar
Compartilhe
Filie-se ao PPLU!
08/05/2014 | 02h32
Conheci este moço irreverente, Cristiano Pluhar, historiador gaúcho que comprou - como antes eu - Campos, toda a sua baixada, lagoas e escalonados tabuleiros. No pacote do Cristiano tinha uma moça, sua mulher e companheira. No meu, mais antigo, teve um moço que por bom tempo foi meu leal companheiro nos embates da vida. Bom, conheci o professor e poeta Cristiano quando exerci a função de repórter da Folha da Manhã. Tive o prazer de entrevistá-lo de perto, olho no olho, conversa livre, de perceber o quão questionador e crítico é. De lá pra cá Cristiano se tornou articulista da Folha Dois, deixa lá semanalmente a sua escrita inteligente e ouso dizer, meio anárquica, bagunçadora dos coretos do poder. Semana passada, publicou este artigo que segue. Tem a sua cara e ousadia. Eu gostei, me diverti..... sugiro que leiam! Lá vem o PPLU! Cristiano Pluhar Dias desses, por conta de opiniões que disparei sobre a medíocre atuação da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, presidida pela Patrícia Cordeiro, publicamente, me rotularam “opositor” do Governo atual. Verdade. Todavia, esclareço que não participo de nenhum grupo político e nunca tive favorecimento algum para nada. Nesses 13 anos em que lido com Cultura, sempre faltou dinheiro e, se continuo “no mundo”, é por vício incurável. Na semana passada, Ruan Silva Lemos, “meu” aluno no Colégio Salesiano, extremamente inteligente, em conversa informal, me disse: “Você é bem renomado na Cidade.” Ri e disse a minha verdade: Não, guri. Só me divirto. Já tive vida partidária. Por conta da profissão – metalúrgico – do meu amado pai Clênio Pluhar, cresci dentro do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas – RS e até meus 21 anos fui filiado ao Partido dos Trabalhadores – PT. Como digo, estudei e larguei o mundo partidário. Nunca da Política. Esclareço aos fieis despolitizados defensores do Governo Garotinhocentrista que minhas singelíssimas opiniões são oriundas da ideologia nonsense Pluharista, base do inexistente PPLU (Partido Pluharista) que aceita adeptos com única exigência: tornarem-se sócios do SPORT CLUB INTERNACIONAL. Independente do Governo, o Pluharismo condena a construção de um estúdio com verba pública – denúncia de João Vicente –, não aceita o inacreditável Carnaval (Campos – dos Goytacazes – Folia) fora de época – que teve como atrações principais Escolas de Samba do Rio de Janeiro (?) –, acha muita graça do comercial da Prefeitura frisando os investimentos na Cultura campista – mostrando, na verdade, seus feitos quase insignificantes – e, também, pessoas que foram próximas se vendendo em “prol da Arte” – “grandes” estudiosos da sociedade! Que necessidade ridícula da Situação política campista em buscar alguma possível ligação com partidos, meios de comunicação ou, até mesmo, amizades. Aqui, caros, é PPLU! Mera imaginação dentro desta bosta de realidade cultural que contada aos “de fora”, é triste e nada lúdica história da carochinha.
Comentar
Compartilhe
Noroeste na fita, com Nino Bellieny
05/05/2014 | 12h13
O movimentado jornalista Nino Bellieny deu partida, ontem, em novo empreendimento na blogosfera. É o blog  "Nino Blog Bellieny" ver (aqui). Nele, você leitor antenado, encontrará notícias do mundo corporativo, empresarial, político, judiciário e comportamental.  Nino Bellieny traz o seu jeito elegante e agudo de ver o mundo pra dentro da web. Ganhamos, nós!
Comentar
Compartilhe
MULHER BRASILEIRA
28/03/2014 | 11h39
MULHER BRASILEIRA
Luciana Portinho
Cida, mulher brasileira é doce como os bolos e guloseimas que faz. Seu sonho profissional: ser uma boleira de mão cheia. De uma alegria sincera, risada farta, é transparente em suas emoções. Conheci a Cida dias atrás. Ela e mais outra colega, a eficiente Suely, são as responsáveis pela saborosa (e calórica) comida que desde sábado passado, todos nós que participamos do treinamento/inserção ingerimos com fome de leão. No início da jornada, logo ao chegar, Cida ou Aparecida de Fátima Marques de Freitas travou; uma indigestão encobria o pânico que dela se apossou. Por algum curto e intenso momento, ela pensou que não daria conta de cozinhar para as 40 pessoas presentes à jornada de estudos e debates que se realiza em Itaperuna, cidade polo do noroeste fluminense. Ela nos conta a historia de vida, com explicita gratidão de quem foi lá embaixo. Do fundo do poço de uma depressão em que não enxergava futuro, nem claridade, veio ela há três anos. “Pensei que nunca mais fosse trabalhar”. Depois de ter sido a vida toda empregada doméstica, foi contratada pelo restaurante Galo a Galope. Perto de fazer dois anos no trabalho e de ter desenvolvido amizade com o patrão, ele abruptamente morreu. “Seu Nelde era muito amigo, me dava apoio, conversava franco comigo, de repente enfartou, fiquei sem chão”, diz ela. Cida - 41 anos e dois filhos - foi parar na Igreja, espaço onde encontrou suporte para o desalento que a dominou. Hoje, é evangélica e credita a Deus a recuperação no humor e na disposição de viver. Com o incentivo da irmã em fé, Maricéia, abraçou a nova atividade profissional de fazer bolos para festas e casamentos. “Recebo feliz toda a encomenda, penso em dar o de melhor em mim, faço com carinho e amor”. Agora, Cida está efusiva, a mil. Foi convidada a algo inimaginável. Dará uma entrevista ao vivo, na próxima terça (01/04), na TVI, televisão local, ao vivo, no programa do jornalista e também diretor executivo da emissora, Nino Bellieny. Cedo, pela manhã, Cida chegou para fazer o café da moçada. No cantinho da cozinha, fez questão de mostrar: “Vou aparecer na TVI linda, vê só, já fiz minha sobrancelha ontem à noite”. [caption id="attachment_7766" align="alignleft" width="500" caption="Cida, nossa brasileira faceira"][/caption] Estaremos, a tempo e hora, de olho na tela, assistindo Cida falar dos bolos de sonho e desejos de futuro, o link é esse aqui.
Comentar
Compartilhe
APLAUSOS
15/03/2014 | 05h50
O corpo do ator e animador cultural, David Moreira, assassinado com um tiro no pescoço, no Parque Rosário, está sendo velado no Teatro Municipal Trianon. Segundo a Folha Online, será a partir das 21h transferido para Barra do Itabapoana, distrito de São Francisco de Itabapoana, onde será velado na madrugada e sepultado às 9h de amanhã, domingo. O delegado adjunto da 134ª, Paulo Pires, em coletiva, prendeu dois menores suspeitos. Com a apreensão da arma do crime - um revólver calibre 38 -, os dois confessaram o crime. Foram quatro tiros, um atingiu David. Leia reportagem na íntegra aqui.

Comentar
Compartilhe
Lúcifer é julgado por campista
13/11/2013 | 02h35

É hoje, quarta-feira,  às 19h, no Sesc Campos, Av. Alberto Torres, 397. Garantia de boa conversa com Adriano Moura. O livro " O Julgamento de Lúcifer" já se encontra à venda em Campos na Livraria Honey Book, Av. Pelinca. Lançado recente no Rio de Janeiro, teve esgotada sua primeira edição. Vai pegar fogo!

Comentar
Compartilhe
Especial
28/09/2013 | 11h34
Ela, Maria Rita Maia, foi para mim das mulheres mais instigantes no campo do estudo literário goitacá. Mulher decididamente doce e alegre. Professora dinâmica, palestrante que nos prendia pelo domínio da matéria, pela naturalidade de sua fala. Tive o prazer de integrar o Conselho Editorial da Fundação Cultural Jornalista Lima com Rita Maia. Algumas reuniões foram feitas, das quais também participavam o imortal professor Aristides Soffiati, o professor doutor Carlos Frederico de Menezes e o jornalista Chico de Aguiar, então diretor de Literatura da fundação. Guardei, momentos produtivos e elegantes de encontro e resultados. Fica a todos, o convite da Academia Campista de Letras que nesta próxima segunda-feira (30/09),  prestará homenagem a esta mulher culta. A estação não poderia ser mais adequada: Rita combinava com flores. Noite especial!
Comentar
Compartilhe
Da música ao atabaque do candomblé
01/08/2013 | 04h43
Ele é baiano de nascimento e o campista o conhece como um cantor de Axé e de MPB. Durante alguns anos arrastou multidões em cima de um trio, no Farol de São Tomé. Hoje o vemos dedilhando suave o violão na noite goitacá. Seu nome Jota Leone. Anda banido dos grandes shows que a prefeitura organiza, mas, continua popular. Ganhou tempo então de dedicar-se a outra faceta. Jota Leone, há alguns anos acrescentou novas palavras ao seu nome e virou Jota Awofa Ifajánà Ajagajiji Leonni. É que há dois anos foi iniciado no Culto de Ifá, assumiu de vez a sua identidade religiosa e inaugura a Casa do Rei Besen, “Kwe Arosv-Ro Besen”. Vai ser no próximo sábado, a partir das 20h, a solenidade festiva de abertura da casa de candomblé, em Campos. É uma casa de Axé (força maior); local de consultas e socorros espirituais. O Axé, ele explica, “É como uma força espalhada da terra para que todos possam usufruir das forças da natureza mais simples que são a água, a terra, o fogo e ao ar”. [caption id="attachment_6750" align="aligncenter" width="500" caption="Ft. Hellen de Souza"][/caption]

 

- Sou baiano e como tal já nasci entrelaçado na religião. Foi uma mãe de santo que fez meu parto. Continuo sendo o Jota Leone músico, não vou parar de cantar nunca. Achava bonita a religião, mas fugia, não queria comprometimento, exige dedicação. É um caminho árduo, mas, de vitória, de conquista da paz, abro uma casa de respeito, tranquila – fala Jota. No espaço da casa, propositalmente igual a uma casa de roça, a preparação para o dia de inauguração pública é notável. Jota descreve como uma ‘Roça de Santo’ o centro de candomblé. Em ioruba (nagô) Kwê significa casa. Para entender o ritual do candomblé é preciso certo esforço. A origem é africana, é de lá que saem as referências culturais desta religião que preserva o primitivo da vida. É então compreensível que tudo seja meio incompreensível no primeiro contato. Nessa religião afro-brasileira as palavras possuem mais de uma significação. Todo corpo docente da casa, desde o Babalaô Baba Ifajèmi, veio de São Paulo com a função de criar em Campos uma casa de Axé, “Jota se fez merecedor da nossa dedicação, merece o nosso respeito”, frisa o babalaô. No Culto de Ifá, onde Jota foi iniciado a conduta moral exigida aos adeptos é rígida e complexa. Ifá é a codificação genética do mundo e representa também a força e a coragem maior. Se Olodumari (Deus) é o grande senhor, Exu é o movimento na vida, “É a polícia do céu na terra. Popularmente Exu é caracterizado como o Diabo, nada disso, ele é o vigia de Deus na terra”, esclarece ele. Se no senso comum macumba e candomblé se equivalem, para os adeptos dessa última, a macumba não passa de uma transfiguração pejorativa ou ainda um instrumento musical. Tudo no ambiente da casa tem uma razão de ser e um nome estranho.  No ambiente os elementos existem para criar o circuito de equilíbrio. Segundo o dogma do candomblé o circuito do equilíbrio é a energia das forças elementares da natureza ou força simples. É com o nascimento do humano que a forma dessa força se modifica, passa à manipulação surge a magia. Medo é palavra banida do espaço. “Ao conhecer a fé jamais temos medo de nós mesmo, é o amor que transforma, é acreditar em si mesmo”. Nessa atmosfera de louvor a criança é considerada o maior tesouro, em prol da união, agradecem à força da criação. Em meio a panos de brilho e turbantes coloridos a cor branca predomina. Ao som de atabaques e chocalhos, eles cantam e dançam. Pela força das palavras, emana o agradecimento da vida.
Luciana Portinho
Capa da Folha Dois de hoje, 01/08.
   
Comentar
Compartilhe
Próximo >
Sobre o autor

Luciana Portinho

[email protected]

Arquivos