Publicado hoje, (29), no jornal Folha de São Paulo[/caption]
E a semana começa...
29/11/2015 | 08h28
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Publicado hoje, (29), no jornal Folha de São Paulo[/caption]
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Sei não
12/11/2015 | 08h19
Ontem, quarta-feira (11), foi dia do Conselho de Ética da Câmara instaurar processo por suposta quebra de decoro contra o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). Hoje, quinta-feira (12), o presidente do Conselho de Ética da Câmara, José Carlos Araújo (PSD-BA), recebeu uma representação contra o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), entregue pelo deputado João Rodrigues (PSD-SC).
Os dois deputados estão entre os poucos e primeiros na Câmara que desde o começo da história das supostas contas na Suíça do presidente da Câmara Eduardo Cunha cobraram com firmeza - sem acordo de nenhuma espécie - explicações dele e representaram contra o mesmo no Conselho de Ética.
Sei não, cheira revanche, retaliação ou um modo de embaralhar e atrasar o processo contra o Eduardo Cunha. A outrora tão morosa comissão, tão cheia de mesuras ficou agilíssima de um dia para o outro. Sintomático que um dia depois de instaurar processo por suposta quebra de decoro contra o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), o presidente do Conselho de Ética da Câmara, José Carlos Araújo (PSD-BA), já tenha escolhido o relator da representação contra o líder do PSOL.
Sei não.
Charge publicada no jornal Folha de São Paulo
Mundo vulgar
30/07/2015 | 11h57
Beira ao surreal a decisão de um padre ser convocado a fazer o exorcismo em sobrevoo de helicóptero para banir o mal de uma cidade litorânea da Itália. Castellammare di Stabia, perto de Nápoles, sul da Itália estaria sendo assombrada por decadência moral e social.
Incidentes vêm apavorando a população. Igrejas tem sido invadidas, túmulos violados, crucifixos são virados de cabeça para baixo e imagens de Santa Maria atiradas de penhascos. Católicos da cidade de 65 mil moradores atribuem tais desordens à presença de adoradores do diabo.
Enquanto isso, em outro continente, ainda repercute a estupidez de um dentista norte-americano que matou o famoso leão do Zimbábue. O felino Cecil, tinha 13 anos, era calmo, líder de um bando de leões e deixou para trás 24 de seus filhotes . Entidades especializadas temem que sem o pai, o macho dominante do bando, é possível que as crias sejam mortas por outro leão que tentará assumir o lugar de Cecil no bando. Ou seja, Palmer também sentenciou os filhotes à morte.
O imbecil do dentista, de nome Walter Palmer, teria pago U$ 50 mil pela cabeça do leão que foi propositalmente afastado de uma área de proteção até uma propriedade privada e teve seu rastreador GPS removido. Em um "esporte" bem animal Cecil foi perseguido por 40 horas e, por fim, morto com um disparo de arma.
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Cecil (Foto: reprodução)[/caption]
Cecil (Foto: reprodução)[/caption]
Abaixo do volume morto: existe vida?
18/07/2015 | 12h11
Na política brasileira sim. É sabido que morte, neste ambiente quase irreal, não é como acontece na vida dos comuns. Morre-se e quando todos pensam que o defunto está bem morrido, eis que ressurge para espanto geral de todos e azar da população.
Hoje, acompanhava o noticiário do rompante do presidente da Câmara Federal, o nobilíssimo deputado Eduardo Cunha, com o governo federal quando topei com a foto abaixo no O Globo. Não contive o riso com a cena dos dois representantes maiores do Congresso Federal, o deputado Eduardo Cunha adentrando o que parece ser o gabinete do senador Renan Calheiros. No centro, ao fundo, o mordomo, na beca, com bandeja na mão, meio que surpreso mirando os dois parlamentares. Genial! Foi enorme a minha vontade de saber o que se passou, naquele momento, na mente do mordomo.
A causa do rompimento, todos vocês conhecem, dispensa esclarecimentos. O esdrúxulo é assistir o deputado afirmar que rompia pessoalmente com a presidente Dilma. Ou seja, quem rompeu não foi o presidente da Câmara Federal e sim o ser físico Eduardo Cunha. Deu para entender? É risível e trágico. O nobre deputado, finge não saber que enquanto estiver investido da função de presidente da Câmara, não mais fala em nome próprio. Quer partir para a briga pessoal larga o cargo!
A causa do rompimento, todos vocês conhecem, dispensa esclarecimentos. O esdrúxulo é assistir o deputado afirmar que rompia pessoalmente com a presidente Dilma. Ou seja, quem rompeu não foi o presidente da Câmara Federal e sim o ser físico Eduardo Cunha. Deu para entender? É risível e trágico. O nobre deputado, finge não saber que enquanto estiver investido da função de presidente da Câmara, não mais fala em nome próprio. Quer partir para a briga pessoal larga o cargo!
Casas da Mãe
15/07/2015 | 11h25
Existem casas e casas. Ontem o Brasil inteiro lembrou-se daquela famosa. A Casa da Dinda que é delle, não é dos brasileiros, volta ao noticiário 23 anos após figurar em toda mídia por conta do processo do impeachment do dono da casa, o ex-presidente, hoje senador Fernando Collor. Andava ausente do imaginário brasileiro. Pois está lá ela, de plaquinha nova, desenho de letras bem delicado.
O espaço é como cartola de coelho, faz aparecer o impensável. Dela, ontem (14) foram retirados três automóveis de bacana: um Porsche, uma Ferrari, além de um modelo quase exclusivo da Lamborghini.
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Pedro Ladeira/Folhapress[/caption]
Pelo olhar do dono, não esperava por essa. Aliás, os nobilíssimos congressistas que estavam no camarote assistindo a operação da Lava Jato surrar o governo e o partido do governo, como se só esses representassem a mixórdia da política nacional, desceram do camarote.
O espaço é como cartola de coelho, faz aparecer o impensável. Dela, ontem (14) foram retirados três automóveis de bacana: um Porsche, uma Ferrari, além de um modelo quase exclusivo da Lamborghini.
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Pedro Ladeira/Folhapress[/caption]
Pelo olhar do dono, não esperava por essa. Aliás, os nobilíssimos congressistas que estavam no camarote assistindo a operação da Lava Jato surrar o governo e o partido do governo, como se só esses representassem a mixórdia da política nacional, desceram do camarote.
INDIGESTÃO
O ponto da ganância
LUIS FERNANDO VERISSIMO
04/05/2015 | 10h18
O ponto da ganância 
LUIS FERNANDO VERISSIMO
Desde que o capitalismo e a moral burguesa nasceram, ao mesmo tempo, vivem brigando. Só conseguem viver juntos com a hipocrisia
Tudo pode ser reduzido a uma metáfora culinária. Comparamos mulheres com frutas e revoluções com omeletes e dizemos que as pessoas envelhecem como o vinho — ou ficam melhores ou azedam. E já ouvi dizerem de uma mulher que lembrava um vinho da Borgonha. Nada a ver com sabor ou personalidade, e sim com o formato da garrafa (pescoço longo e ancas largas).
O capitalismo triunfante também evoca uma questão de cozinha, a do ponto. Qual é o ponto em que a ganância humana deixa de ser um propulsor econômico e volta a ser pecado? Da Margaret Thatcher diziam que ela queria o impossível: devolver à Inglaterra os valores morais da Era Vitoriana ao mesmo tempo em que desencadeava a era do egoísmo sem remorso e declarava que sociedade não existia, só existia o indivíduo e suas fomes. Dilema antigo. Desde que o capitalismo e a moral burguesa nasceram, ao mesmo tempo, vivem brigando. Só conseguem viver juntos com a hipocrisia, que teve uma das suas apoteoses na era vitoriana invocada pela Sra. Thatcher.
No Brasil de tantos escândalos, cabe a pergunta: qual é o ponto da ganância? Quando é que a mistura desanda, o molho queima e o que era para ser um pudim vira uma vergonha? Há quem diga que o mercado sabe quando e como intervir para salvar a moral burguesa. Digo, o pudim. Claro que, para isso funcionar, é preciso confiar que todas as pessoas sejam, no fundo, social-democratas, ou capitalistas só até o ponto certo do cozimento. Ou acreditar que a ganância pode destruir a ideia de sociedade e ao mesmo tempo esperar que a ideia sobreviva nas pessoas, como uma espécie de nostálgica produção caseira.
O capital financeiro que hoje domina o mundo nasceu da usura, que era punida pela Igreja Medieval. A história da sua lenta transformação, de pecado em atividade respeitável, culminando com sua adoção pela própria Igreja, é a história da hipocrisia humana. A Inquisição mandava os usuários para a fogueira, onde... Mas é melhor parar com as metáforas culinárias, antes de começar a falar nos grelhados.
Publicado hoje no O Globo
Sobre o autor
Luciana Portinho
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