Arte vai além-mar
[caption id="attachment_6019" align="aligncenter" width="450" caption="Ft. Folha da Manhã"]
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A felicidade para o artista é ter a agenda cheia. Não por acaso, o artista plástico campista João Oliveira, anda leve, pisando nas nuvens. Quando descer aportará em algum canto do mundo. Em Campos, o artista era reconhecido, há tempos. Pela exposição virtual da imagem e de suas telas expostas no Trianon, em outubro do ano passado, na rede social Facebook, João Oliveira chamou a atenção de um agente cultural na Europa. Daí em diante, os convites para exposições se multiplicam. A primeira exposição internacional aconteceu no mês de março passado, em Paris, França. Foi na Galerie Arts & Events, a “Conexion Art Mondial”, próximo ao famoso Centro Cultural Pompidou. Dos 16 artistas participantes — cada um com duas obras — de um total de 32 obras expostas, o artista campista teve o privilégio de ser o único a vender um quadro. A curadoria foi de Heloisa de Aquino Azevedo.
— Há muito almejava isso, sair com minha arte para além de Campos. Com a exposição “Criancices”, do ano passado, no Trianon, postei os trabalhos no Facebook. Aí, um cidadão Frances James, da cidade de Humenne, Eslováquia, gostou do que viu e me propôs fazer gratuitamente um vídeo. “Entra no Face daqui a 24h que o vídeo estará na rede”, me disse ele. De imediato, foram 91 compartilhamentos — disse João.
Esta pessoa que fez o vídeo para João integra a Solitart Gallery Frantsek Jakub, é patrocinada pela prefeitura de Humenne para incentivar artistas (pintores e escultores) no mundo inteiro. Heloísa, Comissária de Arte em Paris, no segundo dia do vídeo na rede social, entrou em contato com João, convidou-o a participar de uma exposição. O resultado está descrito acima, o artista passou 10 dias em Paris, “uma experiência maravilhosa, aconteceu de tudo, sem pompa, tudo à vontade”, vendeu um quadro, ganhou medalha. Segundo o artista, a última exposição em Paris contou como apoio da Embaixada Brasileira em Paris que se fez representar e expediu convite virtual à comunidade europeia.
Desde então, estabeleceu-se uma troca intensa, com gente de Brasília, da Itália, São Paulo... Assim como diz o povo “desgraça atrai desgraça”, “oportunidades criam oportunidades”, já em maio levará dois quadros para o Salão de Maio de Arte Contemporânea no Museu das Américas, Miami, EUA. Também em maio participa de exposição na sede da termoelétrica UTE Norte Fluminense em Macaé. A UTE faz parte do grupo EDF — Electricité de France. Serão 20 dias na sede em Macaé, 20 dias na Central da empresa no Rio de Janeiro e ainda há a possibilidade de essa exposição ir para a sede geral da EDF, na França. Em 15 de junho, João Oliveira, vai à Itália. De lá, em 20 de junho, volta à Paris. Dessa vez estará no Carrosssel du Louvre. Ao todo são 100 artistas brasileiros. O campista fará o fundo do palco, o cenário de quatro metros de altura levará sua assinatura. Ele também projetou uma instalação; grandes losangos intercalados de figuras indígenas mesclados com a bandeira do Brasil, que permitam a passagem por dentro deles e, sejam vistos dos dois lados.
Luciana Portinho
Capa da Folha Dois de hoje, 10 de abril.
Imaginário e folclórico
Luciana Portinho
Amanhã (29\10), às 20h, será aberta a exposição de João Oliveira, no foyer do Teatro Municipal Trianon. O tema da exposição é “Criancices”. Em 17 grandes obras, a exposição indica ter a criança e seu universo como tema comum. Em telas retangulares de 1,80m x 1,20m ou quadradas de 1,50m x 1,50m e também em duas largas rodas de madeira João de Oliveira explorou a mistura de técnicas e texturas em cada um dos trabalhos que serão mostrados. Ele que há 17 anos não expõe — ainda que seus admiradores conheçam seu talento e criatividade — irá surpreender pela força, unidade e beleza do que apresentará. — É uma recuperação da memória da infância. São registros da minha memória. Queria lidar com técnicas ainda não experimentadas. E saiu assim; a criança aparece com aspecto fotográfico, real e, o objeto do desejo da criança, a fantasia por ela percebida como fabulosa, em pontilhismo bem alegre — disse João. Se dizendo um apaixonado por Toulouse-Lautrec e seus pastéis, durante uma longa fase, o artista retratou o índio brasileiro em pastel e óleo. Tanto pintou a temática indígena que alguns chegaram estigmatizá-lo ao dizer, “João só sabe pintar índio”. João Oliveira, que nasceu em uma Campos dos anos de 1955, estudou na antiga Escola Técnica Federal, hoje IFF. Cursou Edificações e indo para o Rio de Janeiro foi fazer arquitetura na Universidade Santa Úrsula, pois na época era o que mais se aproximava do que ele de fato desejava o design. “O que eu deveria ter sido na vida é um design gráfico, mas, na época as profissões eram mais limitadas, sem tantas opções”. Talvez por esse seu lado, tenha se afastado uma época das artes. Deu uma parada e começou com programação visual e também com intervenções urbanas em painéis. É dele a programação visual do Hospital Geral de Guarus, HGG. “Foi no governo de Arnaldo Vianna, que era o prefeito. Ele me pediu uma programação visual do hospital que humanizasse o ambiente. Criei então uma programação não restrita à técnica; nela inclui a natureza através da presença do beija-flor. Hoje também a programação visual do Ferreira Machado é minha”, discorre ele. Há cerca de um ano, seu único filho, Uno de Oliveira, o provocou no sentido que retornasse a pintar foi quando então desafiado criou o primeiro quadro com a criança focada. Nasceu assim sua atual série. Desde então o artista está imerso em suas novas descobertas de cores, suas fusões e nuances. Não há predomínio de cor no colorido que cria um mundo infantil envolto em uma atmosfera de encanto. O sonho da criança ao se lançar, de braços abertos, no ar em um aviãozinho de papel, o desejo de ao empunhar uma batuta reger uma orquestra invisível, mas, que expande sonoridade na profusão de cores em direção ao pequeno maestro do peito estufado. Seus dois quadros redondos, feitos em madeira de sucata, impactam. São duas grandes rodas. Na primeira o cabrunco, sim o folclórico cabrunco aparece imponente pelo azul pontilhado. Seus chifres são alados pela magia criativa do autor. A segunda roda remete a um carrossel, com o menino a transmitir segurança e energia, montado no cavalo que ondula, ambos perpassados pelo azul do mar na cena. Artista lamenta falta de espaço em Campos Recentemente, João e sua esposa, decidiram de comum acordo, morar afastados da zona central. “Uma mudança radical no ritmo de vida”, como os dois dizem. Saíram de um apartamento perto da Pelinca. Optaram por uma casa arejada e ampla, na baixada, a que ele chama “meu paraíso”. Com o espaço maior, pode então criar seu atelier no sótão. “Criei meu ninho”. É lá que ele se retira, quando depois da inspiração — “Ela, a inspiração vem em sonho, ou uma coisa acontece e daí ela te leva a outra” — ele parte para a execução. Aí, segundo João, quanto mais produz, mais se sente inspirado pela prática que o leva a buscar novas imagens. Sua exposição depois do Trianon já tem novos convites: poderá seguir para Macaé e Petrópolis. O artista se lamenta da falta de um espaço adequado às artes plásticas em Campos. “Temos uma faculdade de Artes na cidade, formamos artistas a cada ano e não temos ao menos uma galeria de artes. É realmente desestimulante para o artista esta realidade local”, frisa. [caption id="attachment_5099" align="aligncenter" width="550" caption="Ft. Afonso Aguiar"]
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Luciana Portinho
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