Campos dos Goytacazes, 25/03/2026 15:10
"Eles têm armas. Eles que se f..., nós temos champagne!"[/caption]
O jornal satírico "Charlie Hebdo", alvo do ataque terrorista que dizimou a redação em 7 de janeiro de 2015, vai às bancas hoje, quarta-feira (18) e faz uma provocação direta aos terroristas na capa do especial sobre os atentados que mataram 129 pessoas em Paris, na última sexta-feira (13).
A capa, assinada pela desenhista Coco, mostra um homem em atitude festiva, garrafa e taça de champanhe na mão, com o corpo repleto de buracos de bala por onde escapa o vinho espumoso, sobre o fundo vermelho.
"Sem perceber, os parisienses em 2015 se transformaram nos londrinos dos anos 1940, determinados a não se render ao medo, não importa o que seja. É a única resposta que nós podemos mostrar aos terroristas", disse o cartunista Riss, atual editor-chefe da publicação.
O desenho é uma referência direta aos ataques terroristas da semana passada: todos em lugares vinculados ao lazer, como a casa de shows Bataclan, o Stade de France e bares e restaurantes, que deixaram 129 mortos e 400 e tantos feridos.
"Imaginávamos que aos atentados de janeiro se seguiriam outros. Esperávamos, resignados, que nos caísse sobre a cabeça, como um espada de Damocles", indica o desenhista e atual diretor da publicação, Riss, no editorial da revista que estará nas bancas.
O diretor da publicação pediu que "não cedam, nem ao medo nem à resignação. É a única resposta possível".
Em outra charge publicada no site da revista, Charlie Hebdo mostra três fantasmas com boinas pretas e baguetes, uma alusão ao modo de vida francês, com a frase: "Os franceses retornam à vida normal".
A publicação se distingue por críticas aos extremismos religiosos de todo tipo e foi alvo dos ataques terroristas por ironizar em diversas edições o profeta Maomé.
Após o atentado de janeiro, Charlie Hebdo retornou às bancas com uma capa em que Maomé aparecia chorando e a manchete "Tudo está perdoado".
Na imagem, o profeta segurava um cartaz que reproduzia o slogan popularizado após essas ações, "Je suis Charlie".
Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin, durante a cúpula do G20 neste domingo (15) (Foto: RIA-Novosti, Kremlin Pool Photo via AP)[/caption]
O porta-voz do Presidente russo foi enfático: “Na nossa opinião, isto tem um nome: blasfêmia. Não tem nada que ver com a democracia, nem com a liberdade de expressão”, disse aos jornalistas Dmitir Peskov.
Depois do atentado sofrido em sua própria redação, do qual resultaram 12 mortos, para o jornal, esta é apenas mais uma das tantas polêmicas às suas edições, cujo teor ascende inúmeras discussões sobre a liberdade de expressão e os seus limites.
fonte. Le Figaro
Foto divulgada dos dois terroristas mortos pela polícia norte americana[/caption]
Oficialmente, em seu canal de rádio nesta terça-feira (05), o Estado Islâmico (EI) reivindicou o ataque em solo americano, mas, a Casa Branca acha cedo para confirmar se o atentado foi mesmo do EI ou se pegaram carona em busca de popularidade. “Nós avisamos a América: ataques futuros serão maiores e mais amargos. Vocês assistirão a coisas horríveis por parte dos soldados do Estado Islâmico com a graça de Deus”, ameaçou o grupo djhadista.
Se os americanos pensavam ainda que atentados tipo “Charlie Hebdo” ficariam reservados a uma Europa incapaz de integrar os seus muçulmanos, o episódio veio comprovar o oposto.
Para aqueles que de forma velada culparam os jornalistas e chargistas do Charlie Hebdo, por "provocarem" (como se a função social do Humor não fosse exatamente a de provocar) a sociedade - de forma ampla, geral e irrestrita -, fica o alerta de que ceder à censura nunca será a solução, mesmo em tempos de intolerância religiosa.
O fato serve para o Brasil tomar todas as providências de segurança para as Olimpíadas de 2016.
Quem desejar se lembrar do ataque terrorista à redação do jornal/revista Charlie Hebdo, ver aqui e aqui.
(AP Photo/Daniele La Monaca, File) Europe Migrants The Boats[/caption]
A nacionalidade dos imigrantes não foi oficialmente divulgada ainda que se saiba que a maioria é africana e que há sírios em grande quantidade. Todos foram conduzidos a Itália.
Nos primeiros quatro meses de 2015, mais de 1750 pessoas morreram ao tentar atravessar o mediterrâneo, sem conseguirem chegar a solo europeu. O número assusta. É 20 vezes maior se comparado ao período equivalente em 2014. No ano passado, segundo a ONU, através de sua agência de refugiados, foram 3.419 imigrantes que perderam a vida tentando fazer a travessia. De acordo com as projeções divulgadas pela Organização Internacional para as Migrações, 30 mil imigrantes poderão morrer este ano no Mediterrâneo.
Para um mar que já foi berço de civilizações humanas a continuar assim se transformará em cemitério de refugiados.
Fonte. Le Figaro
Casa da Morte[/caption]
[caption id="" align="aligncenter" width="552"]
Inês Etienne, presente![/caption]
“O Corpo dela (da cobra) ao se deslocar, arranhou o meu; chegou a sangrar. Mas o maior trauma foi o cheiro que ela exalava, um fedor que custei a esquecer”. Depoimento de Danton Godinho, jornalista mineiro torturado.
foto. campos24horas.com.br[/caption]
Saravá!
Assim descreveu Luz - um dos poucos caricaturistas que sobreviveu à matança aos jornalistas da então pequena publicação satírica francesa Charlie Hebdo - autor da nova capa do exemplar que foi às bancas, hoje, quarta-feira, 25/02. No desenho, um cãozinho com o jornal entre os dentes perseguido por uma matilha furiosa representada, entre outros, por um cardeal, um jhadista com um fuzil entre os dentes, pelo representante da extrema direita francesa Le Pen, pelo ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, por um banqueiro e pelo microfone da rede televisiva BFM-TV.
Após uma parada de seis semanas terá tiragem de 2,5 milhões de exemplares. "C'est reparti!", ou "Aqui estamos de volta", brada o hebdomadário. " Estou contente de ter feito algo alegre", disse Luz, autor também da capa "Tudo está perdoado" editado logo após o massacre que trucidou a redação do Charlie Hebdo, por terroristas islâmicos no mês de janeiro , ver aqui e aqui. O desenhista se disse radiante de ter desenhado animais, sobretudo cachorros: são animais irresponsáveis e submissos. Irresponsável é o Charlie. Submissos são todos os demais que correm atrás dele", descreveu Luz em entrevista à imprensa francesa.
A equipe de redação sobrevivente quis demonstrar que a vida retoma seu curso e promete após está interrupção de seis semanas a retomada do ritmo normal com o reforço, inclusive, de dois novos caricaturistas. Para um jornal que antes do massacre, colocava nas bancas 50 mil exemplares e que agora atinge nada menos do que 200 mil assinantes, o ofício de expor a realidade com absoluta irreverência, livre do tradicional puxa-saquismo da grande imprensa tem que continuar.
Paris, Praça da República, 11 janeiro 2015. Ft. Joel Saget AFP[/caption]
Um paralelismo pode ser traçado com os esforços para recuperar espaços públicos após o ataque contra a Charlie Hebdo. Esta sempre foi uma revista irreverente com o poder, militar ou econômico, iconoclasta com todos os símbolos de hierarquias, laicas ou religiosas. É e foi inimiga do racismo e da discriminação em todas suas manifestações. Sempre lutou contra as ditaduras e a arbitrariedade, o poderio militar e o intervencionismo neocolonial. Mas agora, em pleno duelo social, buscam de todas as formas se apropriar dos símbolos e bandeiras que acompanharam a Charlie em sua luta. Estão buscando instrumentalizar a tragédia para promover o terrorismo de Estado. Hoje, corre-se o risco de transformar tudo isto em um episódio mais da luta contra o terror e do suposto choque entre civilizações.
A concentração em Paris, no domingo passado, teve dois públicos. No primeiro, o povo e suas organizações, sindicatos, associações civis, manifestando repúdio ao covarde assassinato dos redatores da Charlie Hebdo e dos reféns do metrô de Paris. Muitos deles seguiram de perto a épica luta do semanário e de seu predecessor, Hebdo HaraKiri, desde 1969. Luta a partir da esquerda contra o despotismo, exploração, engano e intimidação. Mas, naquele dia, marcharam em Paris também chefes de Estado e líderes políticos de partidos e organizações que sempre abriram as portas para a guerra, para o comércio de armas e para o capital financeiro. Marcharam lado a lado Merkel, Rajoy e Renzi, chefes da austeridade neoliberal que atualmente destrói a Europa. Não faltaram Netanyahu e outros amigos do militarismo. Também se somaram a eles alguns notáveis como guardiões da ordem moral burguesa e da obesa hipocrisia dos bons costumes, amigos do racismo e da descriminação. Faltaram somente Marine Le Pen e os neonazistas para completar o quadro. Outros, nem sequer tiveram que viajar a Paris para explorar o momento. Em Atenas, o primeiro-ministro aproveitou a oportunidade para fazer investidas contra o Syriza por sua postura sobre a imigração. Do México, o governo manifestou seu pesar: deve saber que isso não anula sua grave responsabilidade nos assassinatos (Tlatlaya) e desaparecimentos (Ayotzinapa). A ironia é brutal: os inimigos da Charlie Hebdo estão lutando para disputar o duelo, os que promovem a guerra contra o terror e os que semearam esta praga por todos os cantos do mundo. Criticou-se a imprudência dos caricaturistas da Charlie Hebdo. Mas é preciso responder com uma reflexão política, porque é disso que estamos falando, de política, não de bons costumes ou de etiqueta. Por que é tão importante a liberdade de expressão? A resposta é clara: a liberdade de expressão é irmã gêmea da liberdade de consciência, e as demais liberdades carecem de sentido sem elas. Em particular, sem liberdade de expressão, a liberdade de associação política fica sem sentido. Não é exagero afirmar que a liberdade de consciência e a liberdade de expressão são as mais importantes do catálogo de liberdades republicanas. Por isso, os limites da liberdade de expressão são apenas três: a não incitação à violência ou um crime e a difamação. A blasfêmia não é uma das restrições, como deixa claro a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. Na imprensa internacional, sobretudo no mundo anglo-saxão, a Charlie Hebdo tem sido apresentada como um veículo obstinado em ridicularizar o fundamentalismo islâmico, como se este tivesse sido seu único trabalho. Nada mais afastado da verdade. Os primeiros inimigos da Charlie foram o fascismo, o racismo, o neocolonialismo, o militarismo e a pena de morte. O fanatismo religioso e seu apoio hipócrita a estruturas de exploração esteve sempre em seu catálogo de inimigos a vencer, mas não é o único nesta lista. O luto público é a parteira de uma análise política fraca porque a dor e a sede de vingança escurecem o raciocínio e tornam a racionalização difícil. Por isso, o oportunismo encontra nas lamentações um terreno fértil para suas estratagemas. Hoje, mais do que nunca, é necessária uma análise política cuidadosa. A tragédia em Charlie Hebdo não é parte dessa farsa chamada guerra contra o terror, nem de um suposto choque de civilizações. Fonte: Carta Maior Tradução de Daniella Cambauva