Paris, Praça da República, 11 janeiro 2015. Ft. Joel Saget AFP[/caption]
Charlie Hebdo: Ironia e tragédia
Aqueles que promovem a guerra contra o terror e os que semearam o terrorismo por todos os cantos do mundo estão tentando se apropriar dos ataques.
Um paralelismo pode ser traçado com os esforços para recuperar espaços públicos após o ataque contra a Charlie Hebdo. Esta sempre foi uma revista irreverente com o poder, militar ou econômico, iconoclasta com todos os símbolos de hierarquias, laicas ou religiosas. É e foi inimiga do racismo e da discriminação em todas suas manifestações. Sempre lutou contra as ditaduras e a arbitrariedade, o poderio militar e o intervencionismo neocolonial. Mas agora, em pleno duelo social, buscam de todas as formas se apropriar dos símbolos e bandeiras que acompanharam a Charlie em sua luta. Estão buscando instrumentalizar a tragédia para promover o terrorismo de Estado. Hoje, corre-se o risco de transformar tudo isto em um episódio mais da luta contra o terror e do suposto choque entre civilizações.
A concentração em Paris, no domingo passado, teve dois públicos. No primeiro, o povo e suas organizações, sindicatos, associações civis, manifestando repúdio ao covarde assassinato dos redatores da Charlie Hebdo e dos reféns do metrô de Paris. Muitos deles seguiram de perto a épica luta do semanário e de seu predecessor, Hebdo HaraKiri, desde 1969. Luta a partir da esquerda contra o despotismo, exploração, engano e intimidação. Mas, naquele dia, marcharam em Paris também chefes de Estado e líderes políticos de partidos e organizações que sempre abriram as portas para a guerra, para o comércio de armas e para o capital financeiro. Marcharam lado a lado Merkel, Rajoy e Renzi, chefes da austeridade neoliberal que atualmente destrói a Europa. Não faltaram Netanyahu e outros amigos do militarismo. Também se somaram a eles alguns notáveis como guardiões da ordem moral burguesa e da obesa hipocrisia dos bons costumes, amigos do racismo e da descriminação. Faltaram somente Marine Le Pen e os neonazistas para completar o quadro. Outros, nem sequer tiveram que viajar a Paris para explorar o momento. Em Atenas, o primeiro-ministro aproveitou a oportunidade para fazer investidas contra o Syriza por sua postura sobre a imigração. Do México, o governo manifestou seu pesar: deve saber que isso não anula sua grave responsabilidade nos assassinatos (Tlatlaya) e desaparecimentos (Ayotzinapa). A ironia é brutal: os inimigos da Charlie Hebdo estão lutando para disputar o duelo, os que promovem a guerra contra o terror e os que semearam esta praga por todos os cantos do mundo. Criticou-se a imprudência dos caricaturistas da Charlie Hebdo. Mas é preciso responder com uma reflexão política, porque é disso que estamos falando, de política, não de bons costumes ou de etiqueta. Por que é tão importante a liberdade de expressão? A resposta é clara: a liberdade de expressão é irmã gêmea da liberdade de consciência, e as demais liberdades carecem de sentido sem elas. Em particular, sem liberdade de expressão, a liberdade de associação política fica sem sentido. Não é exagero afirmar que a liberdade de consciência e a liberdade de expressão são as mais importantes do catálogo de liberdades republicanas. Por isso, os limites da liberdade de expressão são apenas três: a não incitação à violência ou um crime e a difamação. A blasfêmia não é uma das restrições, como deixa claro a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. Na imprensa internacional, sobretudo no mundo anglo-saxão, a Charlie Hebdo tem sido apresentada como um veículo obstinado em ridicularizar o fundamentalismo islâmico, como se este tivesse sido seu único trabalho. Nada mais afastado da verdade. Os primeiros inimigos da Charlie foram o fascismo, o racismo, o neocolonialismo, o militarismo e a pena de morte. O fanatismo religioso e seu apoio hipócrita a estruturas de exploração esteve sempre em seu catálogo de inimigos a vencer, mas não é o único nesta lista. O luto público é a parteira de uma análise política fraca porque a dor e a sede de vingança escurecem o raciocínio e tornam a racionalização difícil. Por isso, o oportunismo encontra nas lamentações um terreno fértil para suas estratagemas. Hoje, mais do que nunca, é necessária uma análise política cuidadosa. A tragédia em Charlie Hebdo não é parte dessa farsa chamada guerra contra o terror, nem de um suposto choque de civilizações. Fonte: Carta Maior Tradução de Daniella Cambauva
O novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, assumirá nesta noite ( 22/09), a Presidência da República no lugar da presidente Dilma Rousseff. Ela embarca para Nova York quando discursará na Cúpula do Clima, nessa terça, 23, e participará da abertura da Assembleia Geral da ONU, na quarta-feira.
(Agência Estado)
Diferentemente em Campos, a prefeita Rosinha Garotinho, entrou de mala e cuia na campanha eleitoral do marido que é candidato ao
governo. Partiu para o Rio de Janeiro, onde é constantemente fotografada em atividades eleitorais particulares e não se licenciou do cargo público para o qual foi eleita.
(gazetalitoral.blogspot.com)
PERIGO À VISTA
Liberdade corre riscos quando não se sabe o que fazer com ela
Por Alberto Dines em 14/02/2014 na edição 785
A história está mal contada. E mesmo assim a imprensa a entrega ao freguês como absolutamente verdadeira, verossímil. E inquestionável.
Dois jornalistas do Rio, ambos da Folha de S.Paulo (Janio de Freitas e Paula Cesarino Costa), não engoliram a armação (quinta, 13/2, págs. A-7 e A-2). Mas não são todos os leitores que se dispõem a ler comentários dissidentes, céticos, em textos distantes do noticiário, das fotos e da badalação marqueteira (ver “Sem resposta” e “Quem são eles?”).
Nas matérias factuais sobre a caça aos responsáveis pela morte de Santiago Andrade, transparece o desdém pela inteligência do leitor. Vale o que dizem as fontes e autoridades. Porém, tanto as fontes como as autoridades parecem empenhadas em encerrar o caso atribuindo a culpa pela violência nas manifestações a partidos e políticos de extrema esquerda.
E por que não se investiga a hipótese de que o aliciamento dos baderneiros faz parte da estratégia das milícias para desacreditar o governo estadual e as autoridades policiais?
Foi impecável o trabalho de edição e análise do material televisivo apresentado pela TV Globo no sábado (8/2) com a ajuda do perito Nelson Massini. Graças a ele foi possível identificar com incrível rapidez e chegar ao Bandido nº1, Fabio Raposo, e dois dias depois ao nº 2, Caio de Souza, corresponsáveis pelo disparo do rojão que matou o cinegrafista da Band.
Esta “incrível rapidez” é que chama a atenção. No domingo (9), o Bandido nº 1, ainda na condição de suspeito, já havia contratado um advogado, se apresentara à polícia e era longamente entrevistado pelo Fantástico.
Na quarta-feira (12), o Bandido nº 2 era localizado numa pousada em Feira de Santana (BA), já com um advogado a tiracolo – o mesmo do outro! – e dava entrevista à Globo antes de embarcar para o Rio sob escolta policial.
A informação de que os arruaceiros recebiam dinheiro de políticos para radicalizar os protestos foi dada por Caio de Souza e confirmada pelo advogado, Jonas Tadeu Nunes. Se ele conhecia esta conexão política, por que razão não a adiantou à polícia tão logo prenderam o Bandido nº 1?
Contra a democracia
E quem é este super-causídico que se desloca com tanta rapidez e eficiência para atender clientes aparentemente sem conexão e, de repente, implicados no mesmo crime? Jonas Tadeu Nunes não parece o clássico rábula de porta do xadrez. Tem escritório num shopping fuleiro do Recreio dos Bandeirantes, tem amigos na polícia civil do Rio, já defendeu um ex-deputado estadual (Natalino Guimarães) acusado de fazer parte das milícias e tem entre os clientes um ex-coronel da PM fluminense, exonerado pelo secretário de Segurança do Estado do Rio. Alega que o Bandido nº 1 era conhecido do estagiário do seu escritório e que chegou ao nº 2 porque eram amigos.
A suspeita de que partidos de extrema-esquerda são aliciadores dos vândalos permeia insistentemente o noticiário desde segunda-feira (10/2) sem comprovações ou indícios concretos. A presença do advogado Jonas Tadeu Nunes não despertou desconfianças.
Neste mix de tons de cinza, siglas, militâncias e agentes provocadores circula a figura sofisticada da “ativista” Elisa Sanzi, vulgo Sininho. E a partir da edição de quinta-feira do Globo, incorporou-se ao insólito grupo o ex-governador Anthony Garotinho (hoje no PR tentando chantagear o PT), desde o ano passado acusado de ser o instigador da cruzada contra o governador Sérgio Cabral Filho.
O ingrediente mais preocupante desta desconjuntada cobertura começou logo depois do anúncio da morte cerebral do cinegrafista da TV Bandeirantes, quando a mídia em peso lançou-se numa emocionada cruzada em defesa da liberdade de expressão. Na sua edição de quinta-feira (13/2), seis páginas do Globo levavam no cabeçalho o selo “Ataque à Liberdade de Expressão”, numa evidente exploração política da tragédia.
Tanto os vídeos como os depoimentos da dupla de bandidos coincidem em demonstrar que o rojão-assassino foi aceso e colocado no chão. Não foi apontado contra o cinegrafista, nem contra alguém em especial. O cadáver que se procurava era o da democracia.
A liberdade de expressão corre perigo sempre. Em qualquer momento e lugar. Mas, sobretudo, quando seus beneficiários e defensores se atrapalham e não sabem o que fazer com ela. Mensalão’: Globo deve explicar contrato confidencial a corte italiana
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Ele é novo, talentoso, irônico e boa praça. Chegou há cinco meses na redação da Folha da Manhã e se estabeleceu. Entrou pela porta da frente na editoria de Política a convite do Diretor de Redação, Aluysio Abreu Barbosa. Logo, ocupou a página seis, às sextas-feiras — junto com Murilo Dieguez, dividem a coluna “Comentários”. Agora, acaba de ganhar espaço na Folha Online. Esse é Gustavo Matheus, que estreou novo blog com seu próprio nome.
Sua entrada na blogosfera foi meteórica, antes Gustavo manteve por quatro meses o blog “Sob licença poética”. Chamou para si as atenções por sua escrita sincera e questionadora. No novo blog, hospedado na Folha da Manhã, mudou um pouco a contundência e manteve a intenção inalterada. “Tento amenizar ao máximo, sem fugir da minha característica e perder a identidade. O novo blog me coloca a necessidade de novos temas, os acessos dobraram. No ‘Sob licença poética’ havia poucos comentários. Aqui, a visibilidade é outra, não tem comparação. Escrever na página da Folha faz com que o quê você escreva seja levado em consideração, sou abordado nas ruas, me fazem sugestões de pauta”, salienta o blogueiro.
Soma-se a essas primeiras características o fato de ser um atento crítico à prática política do tio, o deputado federal Anthony William Matheus de Oliveira. “Há certa confusão, acham que sou filho do ex-presidente da Câmara Nelson Nahim. Não, ambos são meus tios, são irmãos de minha mãe”, esclarece.
Apesar do parentesco, ele afirma que a política municipal não sentou junto à mesa das refeições de sua casa. O próprio Anthony não passa de uma personalidade com o qual ele não mantinha contato. Ainda que os dois não tenham trocado mais de três palavras, lá pelos 12 anos de idade, em plena puberdade, adorava assistir aos debates, admirava as respostas rápidas do tio, a agilidade da oratória. “Não tenho raiva dele, nem relação tive. Pelo que vejo ele é uma tremenda decepção para todos. É ilusão achar, por exemplo, que ele é do povo. Ele é só dele, não liga para nada, não tem limite. Foi uma esperança no início, muitos compraram a ideia de tirar a política do melado”, fala Gustavo ao recapitular “Passei a gostar de política por ser crítico, enjoado em ver a banalização na política, de observar colocarem tudo e todos no mesmo saco. O jovem deveria ajudar mais e ser mais participativo. Se soubessem que eles têm tudo para ultrapassar essa política que é feita por ocasião e não por altruísmo...”, diz o jornalista.
Gustavo mantém preservado o ideal político de uma boa ambição, “Esse sentimento de doação é que poderia existir na política, seria mais eficiente. Este deveria ser o objetivo de quem entra na política, querer deixar um legado, ser lembrado pelo o que de positivo fez”.
Considerando-se um leitor aquém do desejado (aprecia biografias e romances), começou a escrever por diversão. Pegou gosto e o faz sem a preocupação em se encaixar em algum estilo. Pensa que desse modo tem mais liberdade e não pega “vício” de ninguém. Sente-se atraído por escrever em forma de crítica, por analogias e metáforas. Quer cutucar o leitor para que este se manifeste, exponha a sua opinião, é seu intento. “Aqui na Folha é que me sinto mais ‘provocado’, busco mais aperfeiçoamento. Não é só o ato de escrever que me desafia, mas, sim o tema, como a política, atividade pela qual nutria desconfiança, um pé atrás. Percebo, como faz falta a presença do jovem na prática política”, frisa.
Na Redação, captou o ensinamento do colega, o veterano jornalista Aloysio Balbi. Este lhe sugeriu escrever tendo em mente a causar algum sentimento no leitor. “É a emoção que prende o leitor”, ouviu de Balbi. Também por isso, seu vocabulário é direto. “Não quero impor uma leitura quase acadêmica, o público cansa”, afirma o jornalista que não tem ambição de luxo, tampouco de viver com pompa. “Quero viver do suficiente, preso minha liberdade. Aqui, na Folha, não recebo toques, nem conselhos. Faço minha parte em completa liberdade, sem querer agradar e é confortável”, finaliza. Sobre o autor
Luciana Portinho
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