Cecil (Foto: reprodução)[/caption]
Cecil (Foto: reprodução)[/caption]
Enquanto as manchetes dos jornais e blogs de Campos estão tomadas pelo tal suposto rombo (com ou sem aspas) municipal - suas origens, historicidade, irresponsabilidades e responsabilidades -, ou ainda, pelo "vultoso empréstimo" (com aspas mesmo) em cima das receitas futuras da prefeitura, proponho ao leitor, observações mais comezinhas.
Vocês conhecem o Bicho Pau? Este inseto da ordem Phasmatodea, de acordo com a teoria da evolução de Darwin, é exímio na arte adaptação ao meio natural.
O danadão bem que poderia ser originário de Campos, ou não?!
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Poética
para Dudu Linhares
pássaro pluma
voa leve pluma voa
sobre o barco/pássaro
flutuando na lagoa
Artur Gomes
Há dois anos retornava a Campos de mais uma cansativa viagem à baixada fluminense, por onde trabalhei o ano de 2011. Fiz então, o post abaixo; a chuva já presente ainda que em menor intensidade, as esperanças particulares renovadas, a minha relação com a natureza inalterada. Chegar em Campos de volta sempre significou, para mím, segurança e alegria. Ao passar pela Serrinha, pensava de pronto: finalmente! em casa estou.
PORCA FARTA
TIZIU
No remanso da fazenda,
Na manhã de céu aberto,
Por entre os capinzais,
Cheiro de bosta e canaviais,
O pássaro canta e pula.
É um passarim pretinho
Que canta e sobe
E desce e canta:
Tiziu...tiziu...tiziu...
Canta pula e canta
No mourão da cerca
Tiziu...tiziu...tiziu...
Canta bonito
E ninguém põe na gaiola.
Porque é livre,
Canta...sobe...e desce
E voa por sobre as cercas
De arame farpado
Que demarcam os pastos
E os currais da propriedade
Onde estão presos
Os bois e outros animais...Hélio Coelho (30.04.2006)
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Por mais que a casa seja limpa, agora então com o início do calor, elas aparecem de passagem. Entram pela janela, voam. São cascudas enormes, alvoroçadas marrons. Fui ler sobre este ser. Algumas espécies vivem até cinco anos, resistem 90 dias sem comida e 40 sem água. A tal da barata americana, a voadora, pode produzir até 800 descendentes nos seus quatro anos de vida. Aquela pequenininha, a germânica, que vive um ano, gera até 20 mil. Para completar, é um bicho que come de tudo, de tudo mesmo, inclusive seres humanos, vivos ou mortos. Quer dizer...
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Dudu Linhares esclarece que apesar de também expor sua arte em forma de quadros, ele não pinta, “todo meu trabalho é fotografia”. O que ele faz é introduzir texturas, manipulando propositalmente as imagens, brincando com elas ao envelhecê-las. Depois as imprime em tela de pintura para criar o efeito final de um quadro único.
“Fotografar é olhar para sempre”, assim Dudu Linhares finaliza o seu livro de 204 páginas. É uma bela síntese de seu trabalho voltado para o mundo da macro-fotografia, um convite ao mundo da beleza natural que acompanha a todos.
Novos projetos para fotografia em mente A mostra “Vintage” exibida na noite de ontem junto ao lançamento do livro “Caminhos do Vento” foi composta de nove trabalhos de autoria de Dudu Linhares. Para alinhavar a composição da noite, ao fundo, uma seleção musical de jazz especialmente produzida para quem adquiriu o livro. Dudu é um fotógrafo integrado ao ambiente de sua ar-te. Recentemente, no mês de outubro, foi classificado em primeiro lugar pelo blog FotoGlobo. Das 11 edições de 2012, ele participou em pelo menos oito delas. Agora, ele irá participar do Encontro de Fotógrafos de “O Globo”, que acontecerá neste mês de dezembro. Lá será lançado, também no Rio, o livro “Caminhos do Vento”. — É importante o feedback dos colegas. Com eles aprendemos. Travo permanente troca com gente na Noruega, nos EUA e com brasileiros que residem no estrangeiro — diz o fotógrafo. Dudu tem projetos futuros claros em sua mente, entre eles, um livro de histórias infantis ludicamente ilustrado de fotografias.De sua mente criativa há ainda o desejo de transmitir seu conhecimento aos amantes da imagem fotográfica. “Muitos me pedem para ensinar, mas, não quero ensinar de um a um e sim coletivamente através de um blog que criarei e pelo qual avançaremos na mesma linguagem”, diz um Dudu que aos 61 anos se diz no lucro. “Nasci de sete meses, sem unha, nem um fio de cabelo, nada. Uma parteira me botou para fora”. Obs. Capa da Folha Dois de hoje, 05\12.
Confissões da Leoa
Luciana Portinho
Em um país de histórias contadas (são mais de 20 línguas faladas), ou seja, com acentuada oralidade, pertencendo a um continente em que a feitiçaria permeia a vida, o escritor e biólogo moçambicano Mia Couto (como ele faz questão de se identificar), está no Brasil para lançar seu 12º livro, “A Confissão da Leoa”. O romance leva o selo da Companhia das Letras e traz pa-ra a ficção a terrível sucessão de mortes violentas que assistiu, enquanto trabalhava em estudos ambientais em uma aldeia no Norte de Moçambique. Do total de 26 vítimas fatais — foram literalmente devoradas — só uma masculina. Todas causadas por ataques de leões, “Em pleno século XXI, isto me perturbou muito”, diz Couto.
Em “A confissão da Leoa”, uma aldeia moçambicana é alvo de ataques mortais de leões provenientes da savana. Um tarimbado caçador, Arcanjo Baleiro, é enviado à região. Ao chegar lá, ele se vê em uma teia de relações complexas e enigmáticas. Fatos, lendas e mitos se misturam. Uma habitante da aldeia, Mariamar, em discordância com a família e os vizinhos, desenvolve suas próprias teorias sobre a origem e a natureza dos ataques das feras. A irmã dela, Silência, foi a vítima mais recente.
O livro é narrado pelos dois, Arcanjo e Mariamar, sempre em primeira pessoa. No decorrer da história, o leitor saberá que eles já travaram um primeiro encontro muitos anos atrás, quando Mariamar era adolescente e o caçador visitou a aldeia.
O confronto com as feras leva os personagens a um enfrentamento consigo mesmo, com seus fantasmas e culpas. A situação de crise põe a nu as contradições da comunidade, suas relações de poder, bem como a força, por vezes libertadora, por vezes opressiva, de suas tradições e mitos. Na verdade, os moradores locais acreditavam que as mortes não foram provocadas por leões de carne e osso, mas por criaturas de um mundo invisível, onde a espingarda perde sua eficácia.
Em recente entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, Mia Couto, afirmou que a despeito de seu olhar cientifico, condição que a biologia lhe proporciona, é na poesia que encontra as explicações. Aliás, a poesia é o seu território, “Sou um contador de histórias, não me tomo muito a sério. A escrita para mim acontece, não é uma missão, posso perdê-la. Leitor pouco disciplinado, leio compulsivamente poesia. Há escritores brasileiros que me marcaram imensamente. Quase todos, do lado da po-esia. São eles: Drummond, João Cabral, Manoel de Barros, Adélia Prado, Hilda Hilst. E é claro, mais do que todos, João Guimarães Ro-sa, sobretudo pela poesia que mora na sua prosa”, destaca o escritor moçambicano.
Homem simples, Mia Couto é de fala mansa, raciocínio ágil e gentil. Atribui essa última característica à cultura pátria, “Moçambicanos são muito gentis. Na retórica, do jornalista ao camponês, não dizem NÃO”. Ao falar da língua portuguesa, externa esse fino trato, “Não seria capaz de viver em um país que não fosse de língua portuguesa, é o meu edifício literário. A língua não está sozinha, há um afeto. Cada qual pertence a um tempo, um lugar. Tenho que ter raiz, tenho que ter asas”, observa.
Segundo o escritor, Moçambique é um país sem tradição literária, no qual o livro circula pouco. Uma tiragem de cinco mil exemplares é extraordinária. Ele lembra de que na época da independência, ano de1975, 95% da população era analfabeta. Fato que justifica o ditado popular africano ‘um velho morre, uma biblioteca que arde’.
Indagado sobre os males contemporâneos como tédio e amargura ele não vacilou, “O desgosto pede a sua contraparte. Este sentimento de perda e de desorientação será certamente temporário. Vão nascer o gosto, a esperança e novas utopias serão criadas. Faz parte de a condição humana criar essas narrativas carregadas de futuro”.
Mesmo se mantendo em uma posição de estranhamento com relação a prêmios literários. Para para ele, cada escritor carrega em si um universo único, não mensurável e incomparável-, Mia Couto é o vencedor do prêmio instituído pela Universidade de Évora (Portugal) Vergílio Ferreira, em 1999, pelo conjunto de sua obra e, em 2007, do prêmio União Latina de Literaturas Românicas.
* Folha Letras, Folha da Manhã, sexta-feira, 09/11. Sobre o autor
Luciana Portinho
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