Rio morto
13/11/2015 | 09h18

Diretor do SAAE: o Rio Doce está completamente morto

Um Rio Doce completamente contaminado e morto. É o que aponta resultado de análises laboratoriais de amostras da água do rio encomendadas pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Baixo Guandu. Foi detectada, na onda de rejeitos das barragens rompidas em Mariana, a presença de partículas de metais pesados como chumbo, alumínio, ferro, bário, cobre, boro e até mesmo mercúrio.Divulgação
 Luciano Magalhães, diretor do SAAE, define a situação como aterradora. “A situação pode ser resumida em duas palavras: rio morto. Na última terça-feira (10), recolhemos amostras de três pontos do Rio Doce em Minas Gerais. O primeiro no Centro de Governador Valadares, uma água muita densa de rejeitos, a outra a 10km abaixo de Valadares e em Galileia. Somente a do Centro estava inviável de captação, impossível de tratar”, afirmou.
E completou: “Não serve mais para nada, nem para irrigação e nem para os animais, muito menos para consumo humano. O cenário é o pior possível. O Rio Doce acabou. Parece que jogaram a tabela periódica inteira. Nossa medida agora é buscar alternativas para captação de água. Já estamos fazendo um canal de desvio do Rio Guandu até a estação elevatória do SAAE”.
Os municípios de Baixo Guandu e Colatina, que dependem da água do Rio Doce para captação, ganharam um pouco mais de tempo até a chegada da lama contaminada. O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) divulgou boletim atualizado no final da tarde desta quinta-feira (12) e a nova previsão é que chegue a Baixo Guandu após segunda-feira (16), em Colatina, depois de terça (17).
Linhares, onde está localizada a foz do Rio Doce, também será atingida, com previsão para o dia 19. A cidade sofrerá danos, sobretudo no setor pesqueiro, mas não deve ter problemas no abastecimento de água. O município utiliza o Rio Pequeno para fazer a captação para consumo humano.
Em Baixo Guandu a alternativa analisada é fechar a represa do Rio Guandu. “Estamos nos reunindo com a prefeitura e as secretarias para arrumas formas de minimizar os impactos. Estamos tentando fazer uma solução paliativa pelo Rio Guandu, que a vazão já é bem menor do que o Doce, e está mais baixo ainda devido à essa seca prolongada. A Secretaria de Obras vai tentar fechar a represa do Rio Guandu, para que ele aumentar o volume de água reservada e depois vamos desviar, para que poder fazer a captação para o consumo”, explicou o diretor do SAAE.
O Governo Estadual divulgou nota nesta quinta (12), solicitando ao Governo Federal o apoio do Ministério da Integração Nacional e do Exército Brasileiro para enfrentar os problemas que serão causados pela passagem da lama de rejeitos pelo território capixaba. A principal preocupação é com o atendimento à população e fornecimento de água potável.
Publicado ontem, quinta-feira (12) no jornal ESHOJE, ver aqui
Comentar
Compartilhe
Caiu
18/09/2015 | 10h06
Lembram-se daquele kit de primeiro socorros que todo mundo tinha que comprar lá nos idos 1998? Era obrigatório ter uma caixinha daquelas em cada veículo. Um ano depois da lei entrar em vigor e que deve ter rendido uma boa receita para alguns, finalmente caiu. Ontem (17), também caiu a obrigatoriedade (desde 1970) do extintor de incêndio nos carros particulares. Permaneceu a exigência do porte veículos de transporte coletivo e nos de carga. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) decidiu abolir o  uso do extintor de incêndio em carros, caminhonetes, camionetas e triciclos de cabine fechadas, passa a ser opcional, ou seja, a falta do equipamento não mais será considerada infração nem resultará em multa. [caption id="" align="alignleft" width="450"]Extintor de incêndio em carros não será mais obrigatório Luiz Armando Vaz/Agência RBS Foto: Luiz Armando Vaz / Agência RBS[/caption] O Brasil era um dos poucos países que obrigava automóveis a ter o extintor. Na Europa e no Estados Unidos não. Segundo nota do Contran, "A mudança na legislação ocorre após 90 dias de avaliação técnica e consulta aos setores envolvidos. O uso do extintor sem preparo representa mais risco ao motorista do que o incêndio em si". Também, de acordo com o Contran, a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) informou que dos 2 milhões de sinistros em veículos cobertos por seguros, 800 tiveram incêndio como causa. Desse total, apenas 24 informaram que usaram o extintor, equivalente a 3%. Menos um gasto para o brasileiro, menos um lixo.      
Comentar
Compartilhe
Cultura pede socorro
18/08/2015 | 08h52
Que situação! Mais uma vez recebo apelo pela sobrevivência da ONG Orquestrando a Vida. É um pedido para o qual é impossível silenciar. Conhecemos o trabalho sociocultural com os jovens campistas pela e na música erudita. É esforço gigantesco da ONG. É quase que uma miragem na árida paisagem  da política cultural de Campos.
Transcrevo o e-mail recebido, sem saber ao certo como ajudar, mas, calar seria um desserviço.
Caso o leitor, vislumbre ao menos um sopro, sugiro que estenda sua mão.
DESESPERO !!
" QUERIDOS AMIGOS, BOA TARDE!
A ORQUESTRANDO A VIDA SE ENCONTRA EM UMA SITUAÇÃO DESESPERADORA. ESTAMOS PARA FECHAR NOSSAS PORTAS E INTERROMPER NOSSO ATENDIMENTO A CENTENAS DE CRIANÇAS E JOVENS  QUE ATRAVÉS DA MUSICA RECEBEM A ESPERANÇA DE VER SEU FUTURO TRANSFORMADO.
PARA MIM É TRÁGICO !! PARA MIM É MUITO DIFÍCIL,POIS TRABALHAMOS A CERCA DE 19 ANOS NESTE PROJETO.
POR FAVOR,NOS APOIE!! EU NÃO SEI MAIS O QUE FAZER AMIGOS!! ME SINTO IMPOTENTE!!
SE PODE NOS AJUDAR ,POR FAVOR FAÇA CONTATO COMIGO .
QUE DEUS NOS AJUDE."
JONY WILLIAM
Comentar
Compartilhe
Hoje, no início da tarde...
03/04/2015 | 03h05
Ao final do velório do amigo Kapi, querido por tantos, desprezado por outros, como são os homens de verdade, o colega blogueiro Antunis Clayton me deu esse toque: " Se a gente toda manhã, antes de partir para os nossos afazeres, passasse ao menos 15 minutos em um velório, alguns dos nossos 'problemas' se dissolveriam". A Cultura de Campos perdeu um sonhador. O Teatro campista sofre uma perda irreparável. Nós perdemos um amigo insubstituível. Fica o sorriso, o carinho, o reconhecimento ao genial Kapi. Fica a certeza de que ficamos ainda mais pobres! kapi    
Comentar
Compartilhe
Sobre o Horto: a população fala
03/03/2015 | 07h20
Recebi em forma de comentário a proposta abaixo, vem de um leitor vizinho à área. A proposta visa o futuro de Campos, é séria. Imagino que qualquer governo que queira o bem, o simples bem da sua cidade,  a adotaria em prol da preservação dos cada vez mais exíguos espaços verdes no espaço urbano. O blog apoia, apesar de descrer da sinceridade da atual administração pública de Campos. Agradeço a colaboração. Vamos para a torcida! Luciana Não basta retirar a EMEC do Horto. É preciso haver um projeto de recuperação da flora do Horto Municipal após anos de descaso do poder público. O ideal seria que um governo realmente comprometido com a preservação do meio ambiente ampliasse a atual área do Horto para incluir a área de vegetação situada entre os bairros do Flamboyant e do Horto (Parque Califórnia) antes que a especulação imobiliária avance sobre esta que é uma das últimas áreas verdes urbanas de Campos. Consta que o terreno pertence a sra.Laíse Cardoso, que seria então devidamente indenizada pela cessão do terreno. A área seria um belo oásis urbano.
Comentar
Compartilhe
Chocante
04/11/2014 | 09h15
É um pouco longo, mas, sugiro a leitura da entrevista. Li e me alarmei com o veredito da ciência sobre o que nos aguarda. Colheremos o que estando plantando. Total falta de cuidado com a vida natural. Burrice em grau máximo.

“Estamos indo direto para o matadouro”, diz Antonio Nobre

01/11/2014
Antonio Donato Nobre é um dos nossos melhores cientistas, pertence ao grupo do IPCC que mede o aquecimento da Terra e um especilista em questões amazônicas. É  mundialmente conhecido como  pesquisador do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Sustenta que o desmatamento para já, inclusive o permitido por lei sem prejuizo do agronegócio que de ve incorpar fatores novos da falta de água e das secas prolongadas. Enfatiza:”A agricultura consciente, se soubesse o que a comunidade científica sabe, estaria na rua, com cartazes, exigindo do governo proteção das florestas e plantando árvores em sua propriedade”. Publicamos aqui sua entrevista aparecida no IHU de 31 de outubro de 2014, dada a urgência do tema e seus efeitos maléficos notados no Sudeste, especialmente na metrópole de São Paulo. Temos que divulgar conhecimentos para assumirmos atitudes corretas e organizarmos nosso desenvolvimento a partir destes dados inegáveis:Lboff *********************************

Eis a entrevista.

Quanto já desmatamos da Amazônia brasileira?

Só de corte raso, nos últimos 40 anos, foram três Estados de São Paulo, duas Alemanhas ou dois Japões. São 184 milhões de campos de futebol, quase um campo por brasileiro. A velocidade do desmatamento na Amazônia, em 40 anos, é de um trator com uma lâmina de três metros se deslocando a 726 km/hora – uma espécie de trator do fim do mundo. A área que foi destruída corresponde a uma estrada de 2 km de largura, da Terra até a Lua. E não estou falando de degradação florestal.

Essa é a “guilhotina de árvores” que o senhor menciona?

Foram destruídas 42 bilhões de árvores em 40 anos, cerca de 3 milhões de árvores por dia, 2.000 árvores por minuto. É o clima que sente cada árvore que é retirada da Amazônia. O desmatamento sem limite encontrou no clima um juiz que conta árvores, não esquece e não perdoa.

O sr. pode explicar?

Os cientistas que estudam a Amazônia estão preocupados com a percepção de que a floresta é potente e realmente condiciona o clima. É uma usina de serviços ambientais. Ela está sendo desmatada e o clima vai mudar.

A mudança climática…

A mudança climática já chegou. Não é mais previsão de modelo, é observação de noticiário. Os céticos do clima conseguiram uma vitória acachapante, fizeram com que governos não acreditassem mais no aquecimento global. As emissões aumentaram muito e o sistema climático planetário está entrando em falência como previsto, só que mais rápido.

No estudo o sr. relaciona destruição da floresta e clima?

A literatura é abundante, há milhares de artigos escritos, mais de duas dúzias de projetos grandes sendo feitos na Amazônia, com dezenas de cientistas. Li mais de 200 artigos em quatro meses. Nesse estudo quis esclarecer conexões, porque esta discussão é fragmentada. “Temos que desenvolver o agronegócio. Mas e a floresta? Ah, floresta não é assunto meu”. Cada um está envolvido naquilo que faz e a fragmentação tem sido mortal para os interesses da humanidade. Quando fiz a síntese destes estudos, eu me assombrei com a gravidade da situação.

Qual é a situação?

A situação é de realidade, não mais de previsões. No arco do desmatamento, por exemplo, o clima já mudou. Lá está aumentando a duração da estação seca e diminuindo a duração e volume de chuva. Agricultores do Mato Grosso tiveram que adiar o plantio da soja porque a chuva não chegou. Ano após ano, na região leste e sul da Amazônia, isso está ocorrendo. A seca de 2005 foi a mais forte em cem anos. Cinco anos depois teve a de 2010, mais forte que a de 2005. O efeito externo sobre a Amazônia já é realidade. O sistema está ficando em desarranjo.

A seca em São Paulo se relaciona com mudança do clima?

Pegue o noticiário: o que está acontecendo na Califórnia, na América Central, em partes da Colômbia? É mundial. Alguém pode dizer – é mundial, então não tem nada a ver com a Amazônia. É aí que está a incompreensão em relação à mudança climática: tem tudo a ver com o que temos feito no planeta, principalmente a destruição de florestas. A consequência não é só em relação ao CO2 que sai, mas a destruição de floresta destrói o sistema de condicionamento climático local. E isso, com as flutuações planetárias da mudança do clima, faz com que não tenhamos nenhuma almofada.

Almofada?

A floresta é um seguro, um sistema de proteção, uma poupança. Se aparece uma coisa imprevista e você tem algum dinheiro guardado, você se vira. É o que está acontecendo agora, não sentimos antes os efeitos da destruição de 500 anos da Mata Atlântica, porque tínhamos a “costa quente” da Amazônia. A sombra úmida da floresta amazônica não permitia que sentíssemos os efeitos da destruição das florestas locais.

O sr. fala em tapete tecnológico da Amazônia. O que é?

Eu queria mostrar o que significa aquela floresta. Até eucalipto tem mais valor que floresta nativa. Se olharmos no microscópio, a floresta é a hiper abundância de seres vivos e qualquer ser vivo supera toda a tecnologia humana somada. O tapete tecnológico da Amazônia é essa assembleia fantástica de seres vivos que operam no nível de átomos e moléculas, regulando o fluxo de substâncias e de energia e controlando o clima.

O sr. fala em cinco segredos da Amazônia. Quais são?

O primeiro é o transporte de umidade continente adentro. O oceano é a fonte primordial de toda a água. Evapora, o sal fica no oceano, o vento empurra o vapor que sobe e entra nos continentes. Na América do Sul, entra 3.000 km na direção dos Andes com umidade total. O segredo? Os gêiseres da floresta.

Gêiseres da floresta?

É uma metáfora. Uma árvore grande da Amazônia, com dez metros de raio de copa, coloca mais de mil litros de água em um dia, pela transpiração. Fizemos a conta para a bacia Amazônica toda, que tem 5,5 milhões de km2: saem desses gêiseres de madeira 20 bilhões de toneladas de água diárias. O rio Amazonas, o maior rio da Terra, que joga 20% de toda a água doce nos oceanos, despeja 17 bilhões de toneladas de água por dia. Esse fluxo de vapor que sai das árvores da floresta é maior que o Amazonas. Esse ar que vai progredindo para dentro do continente vai recebendo o fluxo de vapor da transpiração das árvores e se mantém úmido, e, portanto, com capacidade de fazer chover. Essa é uma característica das florestas.

É o que faz falta em São Paulo?

Sim, porque aqui acabamos com a Mata Atlântica, não temos mais floresta.

Qual o segundo segredo?

Chove muito na Amazônia e o ar é muito limpo, como nos oceanos, onde chove pouco. Como, se as atmosferas são muito semelhantes? A resposta veio do estudo de aromas e odores das árvores. Esses odores vão para atmosfera e quando têm radiação solar e vapor de água, reagem com o oxigênio e precipitam uma poeira finíssima, que atrai o vapor de água. É um nucleador de nuvens. Quando chove, lava a poeira, mas tem mais gás e o sistema se mantém.

E o terceiro segredo?

A floresta é um ar-condicionado e produz um rio amazônico de vapor. Essa formação maciça de nuvens abaixa a pressão da região e puxa o ar que está sobre os oceanos para dentro da floresta. É um cabo de guerra, uma bomba biótica de umidade, uma correia transportadora. E na Amazônia, as árvores são antigas e têm raízes que buscam água a mais de 20 metros de profundidade, no lençol freático. A floresta está ligada a um oceano de água doce embaixo dela. Quando cai a chuva, a água se infiltra e alimenta esses aquíferos.

Como tudo isso se relaciona à seca de São Paulo?

No quarto segredo. Estamos em um quadrilátero da sorte – uma região que vai de Cuiabá a Buenos Aires no Sul, São Paulo aos Andes e produz 70% do PIB da América do Sul. Se olharmos o mapa múndi, na mesma latitude estão o deserto do Atacama, o Kalahari, o deserto da Namíbia e o da Austrália. Mas aqui, não, essa região era para ser um deserto. E no entanto não é, é irrigada, tem umidade. De onde vem a chuva? A Amazônia exporta umidade. Durante vários meses do ano chega por aqui, através de “rios aéreos”, o vapor que é a fonte da chuva desse quadrilátero.

E o quinto segredo?

Onde tem floresta não tem furacão nem tornado. Ela tem um papel de regularização do clima, atenua os excessos, não deixa que se organizem esses eventos destrutivos. É um seguro.

Qual o impacto do desmatamento então?

O desmatamento leva ao clima inóspito, arrebenta com o sistema de condicionamento climático da floresta. É o mesmo que ter uma bomba que manda água para um prédio, mas eu a destruo, aí não tem mais água na minha torneira. É o que estamos fazendo. Ao desmatar, destruímos os mecanismos que produzem esses benefícios e ficamos expostos à violência geofísica. O clima inóspito é uma realidade, não é mais previsão. Tinha que ter parado com o desmatamento há dez anos. E parar agora não resolve mais.

Como não resolve mais?

Parar de desmatar é fundamental, mas não resolve mais. Temos que conter os danos ao máximo. Parar de desmatar é para ontem. A única reação adequada neste momento é fazer um esforço de guerra. A evidência científica diz que a única chance de recuperarmos o estrago que fizemos é zerar o desmatamento. Mas isso será insuficiente, temos que replantar florestas, refazer ecossistemas. É a nossa grande oportunidade.

E se não fizermos isso?

Veja pela janela o céu que tem em São Paulo – é de deserto. A destruição da Mata Atlântica nos deu a ilusão de que estava tudo bem, e o mesmo com a destruição da Amazônia. Mas isso é até o dia em que se rompe a capacidade de compensação, e é esse nível que estamos atingindo hoje em relação aos serviços ambientais. É muito sério, muito grave. Estamos indo direto para o matadouro.

O que o sr. está dizendo?

Agora temos que nos confrontar com o desmatamento acumulado. Não adianta mais dizer “vamos reduzir a taxa de desmatamento anual.” Temos que fazer frente ao passivo, é ele que determina o clima.

Tem quem diga que parte desses campos de futebol viraram campos de soja.

O clima não dá a mínima para a soja, para o clima importa a árvore. Soja tem raiz de pouca profundidade, não tem dossel, tem raiz curta, não é capaz de bombear água. Os sistemas agrícolas são extremamente dependentes da floresta. Se não chegar chuva ali, a plantação morre.

O que significa tudo isso? Que vai chover cada vez menos?

Significa que todos aqueles serviços ambientais estão sendo dilapidados. É a mesma coisa que arrebentar turbinas na usina de Itaipu – aí não tem mais eletricidade. É de clima que estamos falando, da umidade que vem da Amazônia. É essa a dimensão dos serviços que estamos perdendo. Estamos perdendo um serviço que era gratuito que trazia conforto, que fornecia água doce e estabilidade climática. Um estudo feito na Geórgia por uma associação do agronegócio com ONGs ambientalistas mediu os serviços de florestas privadas para áreas urbanas. Encontraram um valor de US$ 37 bilhões. É disso que estamos falando, de uma usina de serviços.

As pessoas em São Paulo estão preocupadas com a seca.

Sim, mas quantos paulistas compraram móveis e construíram casas com madeira da Amazônia e nem perguntaram sobre a procedência? Não estou responsabilizando os paulistas porque existe muita inconsciência sobre a questão. Mas o papel da ciência é trazer o conhecimento. Estamos chegando a um ponto crítico e temos que avisar.

Esse ponto crítico é ficar sem água?

Entre outras coisas. Estamos fazendo a transposição do São Francisco para resolver o problema de uma área onde não chove há três anos. Mas e se não tiver água em outros lugares? E se ocorrer de a gente destruir e desmatar de tal forma que a região que produz 70% do PIB cumpra o seu destino geográfico e vire deserto? Vamos buscar água no aquífero?

Não é uma opção?

No norte de Pequim, os poços estão já a dois quilômetros de profundidade. Não tem uso indefinido de uma água fóssil, ela tem que ter algum tipo de recarga. É um estoque, como petróleo. Usa e acaba. Só tem um lugar que não acaba, o oceano, mas é salgado.

O esforço de guerra é para acabar com o desmatamento?

Tinha que ter acabado ontem, tem que acabar hoje e temos que começar a replantar florestas. Esse é o esforço de guerra. Temos nas florestas nosso maior aliado. São uma tecnologia natural que está ao nosso alcance. Não proponho tirar as plantações de soja ou a criação de gado para plantar floresta, mas fazer o uso inteligente da paisagem, recompor as Áreas de Proteção Permanente (APPs) e replantar florestas em grande escala. Não só na Amazônia. Aqui em São Paulo, se tivesse floresta, o que eu chamo de paquiderme atmosférico…

Como é?

É a massa de ar quente que “sentou” no Sudeste e não deixa entrar nem a frente fria pelo Sul nem os rios voadores da Amazônia.

O que o governo do Estado deveria fazer?

Programas massivos de replantio de reflorestas. Já. São Paulo tem que erradicar totalmente a tolerância com relação a desmatamento. Segunda coisa: ter um esforço de guerra no replantio de florestas. Não é replantar eucalipto. Monocultura de eucalipto não tem este papel em relação a ciclo hidrológico, tem que replantar floresta e acabar com o fogo. Poderia começar reconstruindo ecossistemas em áreas degradadas para não competir com a agricultura.

Onde?

Nos morros pelados onde tem capim, nos vales, em áreas íngremes. Em vales onde só tem capim, tem que plantar árvores da Mata Atlântica. O esforço de guerra para replantar tem que juntar toda a sociedade. Precisamos reconstruir as florestas, da melhor e mais rápida forma possível.

E o desmatamento legal?

Nem pode entrar em cogitação. Uma lei que não levou em consideração a ciência e prejudica a sociedade, que tira água das torneiras, precisa ser mudada.

O que achou de Dilma não ter assinado o compromisso de desmatamento zero em 2030, na reunião da ONU, em Nova York?

Um absurdo sem paralelo. A realidade é que estamos indo para o caos. Já temos carros-pipa na zona metropolitana de São Paulo. Estamos perdendo bilhões de dólares em valores que foram destruídos. Quem é o responsável por isso? Um dia, quando a sociedade se der conta, a Justiça vai receber acusações. Imagine se as grandes áreas urbanas, que ficarem em penúria hídrica, responsabilizarem os grandes lordes do agronegócio pelo desmatamento da Amazônia. Espero que não se chegue a essa situação. Mas a realidade é que a torneira da sua casa está secando.

Quanto a floresta consegue suportar?

Temos uma floresta de mais de 50 milhões de anos. Nesse período é improvável que não tenham acontecido cataclismas, glaciação e aquecimento, e no entanto a Amazônia e a Mata Atlântica ficaram aí. Quando a floresta está intacta, tem capacidade de suportar. É a mesma capacidade do fígado do alcoólatra que, mesmo tomando vários porres, não acontece nada se está intacto. Mas o desmatamento faz com que a capacidade de resiliência que tínhamos, com a floresta, fique perdida.

Aí vem uma flutuação forte ligado à mudança climática global e nós ficamos muito expostos, como é o caso do “paquiderme atmosférico” que sentou no Sudeste. Se tivesse floresta aqui, não aconteceria, porque a floresta resfria a superfície e evapora quantidade de água que ajuda a formar chuva.

O esforço terá resultado?

Isso não é garantido, porque existem as mudanças climáticas globais, mas reconstruir ecossistemas é a melhor opção que temos. Quem sabe a gente desenvolva outra agricultura, mais harmônica, de serviços agroecossistêmicos. Não tem nenhuma razão para o antagonismo entre agricultura e conservação ambiental. Ao contrário. A agricultura consciente, que soubesse o que a comunidade científica sabe, estaria na rua, com cartazes, exigindo do governo proteção das florestas. E, por iniciativa própria, replantaria a floresta nas suas propriedades.

 Fonte, http://leonardoboff.wordpress.com/2014/11/01/estamos-indo-direto-para-o-matadouro-diz-antonio-nobre/

Comentar
Compartilhe
TORRESMO E SANTINHOS DO GAROTINHO PARA ITAPERUNA
21/09/2014 | 10h21
Nesta sexta-feira passada (19/09), o caso da gráfica campista PH Gomes Editora Ltda, leia-se jornal O Diário, ocupou o noticiário nacional. Mais um dos sucessivos escândalos eleitorais realizado à favor da candidatura do marido da prefeita Rosinha. O destino da carga supostamente ilegal? A cidade vizinha de Itaperuna, ou melhor, a candidatura a deputado estadual do Jair Bittencourt (PR). A carga de quase um milhão de "santinhos", descoberta pelos fiscais do TRE-RJ,  seguiria escondida por sacos de torresmo. Parte da carga ia em um veículo com placa de São José do Ubá, Noroeste Fluminense.  O carro estava adesivado com material de Garotinho e do seu parceiro o Jair Bittencourt, braço do candidato a governador em Itaperuna e redondezas. O motorista da caminhonete, ao ser indagado pelos fiscais do TRE ao sair da gráfica, qual tipo de carga o mesmo transportava, respondeu: "torresmo". (ver aqui) Os fiscais do TRE-RJ avaliam em milhões o material de propaganda já impresso na mesma gráfica que ato contínuo foi lacrada. Não foi entregue, na ocasião, o registro da ordem de serviço, a tiragem, nem emissão de notas fiscais.(ver aqui) Aos olhos da Justiça Eleitoral e da população, uma heresia. Pelas palavras do marido da prefeita Rosinha, "Não vai dar em nada", como afirmou em referência a outra ação similar anterior, a do fechamento do Centro Cultural Anthony Garotinho (CCAG), que supostamente distribuía 'kits' nada culturais às gestantes em pleno período eleitoral (ver aqui). [caption id="attachment_8467" align="aligncenter" width="620" caption="Ft. O Globo"][/caption] [caption id="attachment_8468" align="aligncenter" width="620" caption="Ft. Blog do Bastos"][/caption]

 

Comentar
Compartilhe
Mais um suposto "crime" eleitoral em Campos?!
10/09/2014 | 12h15
Ontem, 09/09, recebi de uma leitora (servidora pública municipal) denúncia, daquelas que confirmada, é grave. Cai como uma bomba! A cidadã campista (por motivos óbvios) me pediu sigilo quanto ao seu nome. Aos fatos. A mesma é lotada em uma secretaria municipal: trabalha no Centro Administrativo da Prefeitura de Campos, mais conhecido como Cesec. Tentou acessar por mera curiosidade, de um computador naquele que é seu ambiente de trabalho, às 15.17h (como demonstrado no canto direito da foto, tirada por ela), o site do candidato a deputado federal, Dr.Makhoul. Estranhamente o site do Dr. Makhoul está com o acesso bloqueado (censurado?) a todos os servidores lotados no Cesec. Mais estranhamente, o site da candidata à deputada federal Clarissa Garotinho está liberado para acessos aos servidores lotados em secretarias do Cesec. Todos sabem que D. Makhoul é um candidato de oposição ao governo da senhora prefeita Rosinha Garotinho. Todos sabem que a candidata Clarissa Garotinho é filha da prefeita Rosinha Garotinho. É um abusivo uso do poder econômico, ou seja, manipulação da "máquina" municipal com claro propósito em favorecer a candidatura da filha da prefeita? Ou, esta blogueira está a ver miragens? Abaixo, a fotografia reveladora. Avaliem com seus próprios olhos e raciocínio, e digam.

Comentar
Compartilhe
CAIXA PRETA: aberta ou lacrada, a gente faz conta
22/07/2014 | 09h22
  E a terceirização de mão de obra na prefeitura de Campos, ganha mais uma página na justiça. Dessa vez, em decisão provisória da desembargadora Maria Regina Nova, do Tribunal de Justiça,  a ação da 2ª Vara Cível da Comarca de Campos, que obrigava a Prefeitura a prestar os esclarecimentos sobre terceirizados, nomeados e contratados foi derrubada. Isso vale até o julgamento final do recurso, ou seja, definitivamente ainda não sabemos se a prefeitura será ou não obrigada a atuar com transparência, quando o assunto é contratações mil.  A informação é do advogado Cléber Tinoco, postada em rede social, e divulgada no blog Na Curva do Rio da jornalista Suzy Monteiro, ver aqui. Sobre o assunto que tanto arrepio traz  à PMCG, fizemos um post, ver aqui. Conta básica: Considerando um salário médio per capita de mil reais, se já foram gastos (licitações publicadas) até a metade de 2014, R$ 120 milhões, que divididos por 12 meses, nos dariam  não menos do que 10.000 terceirizados, só desses contratos licitados. E aqui, na planície,  se reinventou o conceito do intelectual e revolucionário alemão do século XX, Karl Marx, o famoso "Exército de Reserva de Mão de Obra" que aqui cumpre finalidade bem diversa da pensada pelo genial pensador.      
Comentar
Compartilhe
Solar dos Airizes: alívio e preocupação
14/07/2014 | 12h22
É como fico com a notícia veiculada ontem, (13/07),  na Folha da Manhã, sobre a venda do Solar dos Airizes.  O novo dono, segundo informação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é uma empresa particular, a Vittek Participações e Empreendimentos. O proprietário anterior Nelson Lamego, disse à reportagem que o imóvel foi adquirido por uma empresa do Paraná, responsável pela construção de condomínios residenciais. [caption id="attachment_8324" align="aligncenter" width="500" caption="Foto. Hellen de Souza, Folha da Manhã"][/caption] O Solar dos Airizes, é uma das pérolas do patrimônio histórico regional. Era motivo de aflição para todos os que se interessam por preservar a história arquitetônica e cultural da região norte fluminense. Está localizado à margem da BR-356, (Campos – São João da Barra), a 6km da cidade, na localidade de Martins Lage, lado direito do rio Paraíba. Foi construída, no início do século XIX,  pelo Comendador Claudio de Couto e Souza, toda em esteios de madeira de lei e tijolos. Edificação característica dos imensos sobrados da região; dois andares, 60 metros de fachada. Até 1896,  nos fundos havia um engenho que foi demolido. Estive por duas vezes em seu interior com sérios problemas estruturais, risco de desabamento que se agrava a cada dia. Possui uma das capelas mais "femininas" que visitei. Linda. É minha esperança que passe urgentemente por uma restauração e que obtenha nova função social. É minha preocupação que de fato venha ter, afinal as obras não são de pequena monta, requerem projeto adequado e recursos financeiros. Não poderia deixar de expressar o meu absoluto desconcerto face à inapetência da prefeitura de Campos, e mesmo do governo do estado do Rio, em não ter feito a aquisição, restauração e instalação de um Museu (ou Centro Cultural) público municipal ou estadual. Como patrimônio histórico nacional, enfim, continuamos de olho. Boa vida ao Solar dos Airizes!!  
Comentar
Compartilhe
Próximo >
Sobre o autor

Luciana Portinho

[email protected]

Arquivos