Dava dó ver fachadas inteiras de azulejos coloniais belíssimos saqueados por uma elite que em troca dos "velhos" azulejos da história acenava, aos moradores, com modernos azulejos "Klabin". Era o que mais se via, tanto na ilha quanto no continente (Alcântara).
Tempos depois, em uma dessas revistas de fofoca, li entrevista com a já governadora Roseana Sarney. Ela mostrava, sua casa vasta, repleta de obras de arte sacra, inclusive para meu espanto, um altar?! Chocante, mesmo.
Mais recente voltei a São Luis a trabalho - encontrei tempo de conhecer a maravilha natural que são os Lençóis Maranhenses. Me deparei com uma cidade de 1 milhão de habitantes, frequentada por turistas europeus (franceses em sua maioria), alguns de seus imponentes sobrados restaurados onde foram instalados restaurantes com uma culinária e serviço sofisticados. Pelo centro histórico, intervenções de arte popular e, como não poderia deixar de ser, souvenirs de todos os gostos. O mesmo povo mestiço lascado pela pobreza. E música e poesia declamada.
Registro essas lembranças como introdução ao artigo abaixo, do jornalista Sebastião Nery, escrito em 2007 e publicado ontem, 14/01, no site www.jornalpequeno.com.br, ver aqui . A leitura esclarece o tempo presente do Maranhão.
SEBASTIÃO NERY
O MAUSOLÉU DO CORONEL
São Luís (MA) – Fernando Sarney, o filho empresário do senador José Sarney, pegou de manhã o ex-presidente de Portugal, Mário Soares, no belo São Luis Resort Hotel, na praia do Calhau, aqui em São Luis, e o levou à casa do pai, um majestoso e coronelado quarteirão cheio de árvores e todo cercado de muro branco, bem ao lado do hotel.
Quando entraram, Fernando foi logo com Mário Soares para um salão repleto de riquíssima coleção de objetos e imagens sacras de muitos séculos. Fernando mostrando, explicando, e Mário Soares olhando, perguntando, surpreso com tanto santo, de tantos séculos, na coleção de um cristão só. Depois de ver tudo, Mário Soares foi saindo:
- Tudo bem, obrigado, já vi o museu, agora me leve à casa do Sarney.
Sarney vinha chegando. Só então Mário Soares percebeu que o museu era apenas uma sala do casarão do “Coronel do Calhau”.
SARNEY
A marca macabra do letrado acadêmico dono da casa está logo na entrada. O portão de ferro do casarão, antigo, esverdeado e patinado, é um secular portal tirado do tombado cemitério de Alcântara. As duas pilastras de granito que sustentam o portão também saíram do cemitério de Alcântara.
O mágico e fúnebre sopro da morte não está só aí. Castro Alves, cantando a batalha do “2 de Julho” da Bahia, disse que “o anjo da morte pálido cosia uma vasta mortalha em Pirajá”. A maior batalha de Sarney, aqui no Maranhão, nem foi, como se poderia imaginar, a trágica e acachapante derrota de Roseana na eleição para governador. É a luta por seu mausoléu:
- “Num belíssimo jardim, no pátio externo do Convento, cercado de imensas palmeiras imperiais e de um exemplar de pau-brasil, está um retângulo, com três metros de largura por seis de comprimento, isolado por grossas correntes de ferro e coberto de granito preto”. O mausoléu do coronel.
OLIGARQUIA
É uma história metade Freud metade Odorico Paraguassu. Está contada em dois excelentes livros maranhenses: – “Sob o Signo da Morte: o Poder Oligárquico de Vitorino a Sarney”, do professor Wagner Cabral da Costa, mestre da Unicamp, “uma radiografia do poder oligárquico”:
- “Sarney pretende erigir em seu nome um museu-mausoléu em São Luis. Por meio de uma fundação privada e utilizando-se de uma vasta rede de tráfico de influência, que abarca vários governadores do Estado, Assembleia, Justiça, Senado, pretende estabelecer uma espécie de Taj-Mahal maranhense, um monumento à morte, que celebra a dominação política dos vivos”.
O outro é “O Caso do Convento das Mercês”, do jovem jornalista, formado em Políticas Públicas pela Fundação Getúlio Vargas, Emílio Azevedo. Minuciosamente, documentadamente, ele conta a história de um esperto golpe dado por Sarney e seus amigos para transformar o histórico Convento das Mercês, patrimônio público, em propriedade familiar.
CONVENTO
1. – “Poucos dias antes de deixar a Presidência da República em 1990, Sarney vai ao cartório de sua irmã, em São Luis, e cria a Fundação José Sarney, para ter, ilegalmente, a posse, o domínio, a propriedade do histórico Convento das Mercês, onde o Padre Antonio Vieira fez muitos de seus sermões. Tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, com mais de três séculos e meio de história, comprado pelo Estado à Arquidiocese de São Luis em 1905, ocupa uma área de 6.500 m2, integrando um conjunto arquitetônico considerado pela Unesco Patrimônio Cultural da Humanidade”.
2. – Em 90, o governador Cafeteira, aliado de Sarney, gastou 9 milhões e meio de dólares na reforma do Convento, propôs e a Assembleia aprovou sua doação para uma “Fundação da Memória Republicana”. Era um disfarce. Logo o nome foi trocado para “Fundação José Sarney”. Assumindo, o vice João Alberto, o “Carcará”, assessor de Sarney, fez um decreto de “uma doação firme e valiosa (sic) transferindo para a Fundação José Sarney todo o domínio, posse, direito e ação sobre o Convento, para que possa usar e gozar livremente como seu”. E pôs a doação em “escritura pública em cartório, em junho de 90?.
SENADO E SUPREMO
3. – O deputado Freitas Diniz, dos Autênticos do MDB e fundador do PT, protestou. O Ministério Público denunciou e a Assembleia aprovou projeto do deputado Aderson Lago “anulando a doação” e “assegurando ao acervo privado do Memorial do ex-presidente a permanência no Convento”. Mas o Senado, numa ação de curriola jamais vista, foi ao Supremo Tribunal “em defesa dos direitos de um senador”. E o Supremo, minúsculo, anulou a decisão da Assembleia e garantiu o Convento como propriedade dos Sarney.
4. – Em entrevista à “Carta Capital” de 23 de novembro de 2005, Sarney disse que seu mausoléu “será um atrativo turístico e, no futuro, até ponto de peregrinação” (sic). E começou a faturar o mausoléu. Além dos US$ 9,5 milhões já gastos, a Fundação alugou ao Estado parte do Convento por R$ 80 mil mensais, recebeu mais R$ 1.139.142,72, tomou R$ 1.348,005,00 da Petrobras, tem gordas verbas anuais do Orçamentos Federal e comercializa para casamentos, festas, quermesses, shows. Nunca se viu cova tão rentável.
Dava dó ver fachadas inteiras de azulejos coloniais belíssimos saqueados por uma elite que em troca dos "velhos" azulejos da história acenava, aos moradores, com modernos azulejos "Klabin". Era o que mais se via, tanto na ilha quanto no continente (Alcântara).
Tempos depois, em uma dessas revistas de fofoca, li entrevista com a já governadora Roseana Sarney. Ela mostrava, sua casa vasta, repleta de obras de arte sacra, inclusive para meu espanto, um altar?! Chocante, mesmo.
Mais recente voltei a São Luis a trabalho - encontrei tempo de conhecer a maravilha natural que são os Lençóis Maranhenses. Me deparei com uma cidade de 1 milhão de habitantes, frequentada por turistas europeus (franceses em sua maioria), alguns de seus imponentes sobrados restaurados onde foram instalados restaurantes com uma culinária e serviço sofisticados. Pelo centro histórico, intervenções de arte popular e, como não poderia deixar de ser, souvenirs de todos os gostos. O mesmo povo mestiço lascado pela pobreza. E música e poesia declamada.
Registro essas lembranças como introdução ao artigo abaixo, do jornalista Sebastião Nery, escrito em 2007 e publicado ontem, 14/01, no site www.jornalpequeno.com.br, ver aqui . A leitura esclarece o tempo presente do Maranhão.
SEBASTIÃO NERY
O MAUSOLÉU DO CORONEL
São Luís (MA) – Fernando Sarney, o filho empresário do senador José Sarney, pegou de manhã o ex-presidente de Portugal, Mário Soares, no belo São Luis Resort Hotel, na praia do Calhau, aqui em São Luis, e o levou à casa do pai, um majestoso e coronelado quarteirão cheio de árvores e todo cercado de muro branco, bem ao lado do hotel.
Quando entraram, Fernando foi logo com Mário Soares para um salão repleto de riquíssima coleção de objetos e imagens sacras de muitos séculos. Fernando mostrando, explicando, e Mário Soares olhando, perguntando, surpreso com tanto santo, de tantos séculos, na coleção de um cristão só. Depois de ver tudo, Mário Soares foi saindo:
- Tudo bem, obrigado, já vi o museu, agora me leve à casa do Sarney.
Sarney vinha chegando. Só então Mário Soares percebeu que o museu era apenas uma sala do casarão do “Coronel do Calhau”.
SARNEY
A marca macabra do letrado acadêmico dono da casa está logo na entrada. O portão de ferro do casarão, antigo, esverdeado e patinado, é um secular portal tirado do tombado cemitério de Alcântara. As duas pilastras de granito que sustentam o portão também saíram do cemitério de Alcântara.
O mágico e fúnebre sopro da morte não está só aí. Castro Alves, cantando a batalha do “2 de Julho” da Bahia, disse que “o anjo da morte pálido cosia uma vasta mortalha em Pirajá”. A maior batalha de Sarney, aqui no Maranhão, nem foi, como se poderia imaginar, a trágica e acachapante derrota de Roseana na eleição para governador. É a luta por seu mausoléu:
- “Num belíssimo jardim, no pátio externo do Convento, cercado de imensas palmeiras imperiais e de um exemplar de pau-brasil, está um retângulo, com três metros de largura por seis de comprimento, isolado por grossas correntes de ferro e coberto de granito preto”. O mausoléu do coronel.
OLIGARQUIA
É uma história metade Freud metade Odorico Paraguassu. Está contada em dois excelentes livros maranhenses: – “Sob o Signo da Morte: o Poder Oligárquico de Vitorino a Sarney”, do professor Wagner Cabral da Costa, mestre da Unicamp, “uma radiografia do poder oligárquico”:
- “Sarney pretende erigir em seu nome um museu-mausoléu em São Luis. Por meio de uma fundação privada e utilizando-se de uma vasta rede de tráfico de influência, que abarca vários governadores do Estado, Assembleia, Justiça, Senado, pretende estabelecer uma espécie de Taj-Mahal maranhense, um monumento à morte, que celebra a dominação política dos vivos”.
O outro é “O Caso do Convento das Mercês”, do jovem jornalista, formado em Políticas Públicas pela Fundação Getúlio Vargas, Emílio Azevedo. Minuciosamente, documentadamente, ele conta a história de um esperto golpe dado por Sarney e seus amigos para transformar o histórico Convento das Mercês, patrimônio público, em propriedade familiar.
CONVENTO
1. – “Poucos dias antes de deixar a Presidência da República em 1990, Sarney vai ao cartório de sua irmã, em São Luis, e cria a Fundação José Sarney, para ter, ilegalmente, a posse, o domínio, a propriedade do histórico Convento das Mercês, onde o Padre Antonio Vieira fez muitos de seus sermões. Tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, com mais de três séculos e meio de história, comprado pelo Estado à Arquidiocese de São Luis em 1905, ocupa uma área de 6.500 m2, integrando um conjunto arquitetônico considerado pela Unesco Patrimônio Cultural da Humanidade”.
2. – Em 90, o governador Cafeteira, aliado de Sarney, gastou 9 milhões e meio de dólares na reforma do Convento, propôs e a Assembleia aprovou sua doação para uma “Fundação da Memória Republicana”. Era um disfarce. Logo o nome foi trocado para “Fundação José Sarney”. Assumindo, o vice João Alberto, o “Carcará”, assessor de Sarney, fez um decreto de “uma doação firme e valiosa (sic) transferindo para a Fundação José Sarney todo o domínio, posse, direito e ação sobre o Convento, para que possa usar e gozar livremente como seu”. E pôs a doação em “escritura pública em cartório, em junho de 90?.
SENADO E SUPREMO
3. – O deputado Freitas Diniz, dos Autênticos do MDB e fundador do PT, protestou. O Ministério Público denunciou e a Assembleia aprovou projeto do deputado Aderson Lago “anulando a doação” e “assegurando ao acervo privado do Memorial do ex-presidente a permanência no Convento”. Mas o Senado, numa ação de curriola jamais vista, foi ao Supremo Tribunal “em defesa dos direitos de um senador”. E o Supremo, minúsculo, anulou a decisão da Assembleia e garantiu o Convento como propriedade dos Sarney.
4. – Em entrevista à “Carta Capital” de 23 de novembro de 2005, Sarney disse que seu mausoléu “será um atrativo turístico e, no futuro, até ponto de peregrinação” (sic). E começou a faturar o mausoléu. Além dos US$ 9,5 milhões já gastos, a Fundação alugou ao Estado parte do Convento por R$ 80 mil mensais, recebeu mais R$ 1.139.142,72, tomou R$ 1.348,005,00 da Petrobras, tem gordas verbas anuais do Orçamentos Federal e comercializa para casamentos, festas, quermesses, shows. Nunca se viu cova tão rentável.
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O Instituto Federal Fluminense vai inaugurar o Centro de Memória “Identidade Local & Patrimônio Coletivo” do campus Avançado Quissamã, no dia 20 de março de 2013. A programação está marcada para começar às 17h30 com o plantio de uma árvore como ato simbólico de origem. Haverá também apresentação musical do Coral do Centro Cultural Sobradinho; a exibição do filme “Areia de Quissamã”; palestras e visita à exposição “Xilo Quissamã”, com obras de xilogravura do artista plástico Adriano Ferraioli. A expectativa é de receber 150 pessoas. De acordo com o coordenador do Centro, o professor Rogério Fernandes, o local será um espaço aberto para manifestações artísticas e culturais, para atender diversas funcionalidades seja como sala, estúdio de gravação ou cinema, e cuja história e acervo próprio serão construídos ao longo do tempo. “Defendemos a concepção de um espaço arena para a livre manifestação do pensamento. Pretendemos promover debates sobre temas que influenciam direta ou indiretamente a comunidade local, assim como realizar ações para a preservação de sua história cultural, por exemplo, as danças locais como o fado e o jongo”, explica Rogério. O espaço também vai desenvolver projetos de pesquisa e extensão ligados à memória social do trabalho de Quissamã. A primeira ação será em parceria com o IPHAN tendo como foco a memória afetiva da Cana de Açúcar e da Cia Engenho Central de Quissamã. “O projeto vai envolver a comunidade local que será capacitada de forma a realizar um trabalho audiovisual, a partir do mês de maio. Vamos preservar a história do engenho através da memória afetiva das pessoas que de alguma forma participaram desse contexto”, afirma o coordenador. O Centro de Memória do campus Avançado Quissamã foi criado a partir de um Edital da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura do IFF que visava a implantação e/ou modernização dos Centros no Instituto, com o objetivo de construir a memória dos campi articulada à memória local. “Nosso objetivo é colaborar com o processo de construção de uma identidade local, de acordo com uma perspectiva de educação cidadã trabalhando pela preservação e divulgação da memória coletiva do próprio campus, inserindo-a no contexto mais amplo da história local”, finaliza Rogério.
Ascom Reitoria
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Hoje, do noticiário nacional, salta aos olhos a declaração do Secretário-geral da Fifa de que "Não há plano B", referindo-se à possibilidade do Maracanã não ficar pronto (o prazo já foi adiado pela terceira vez) para o início da Copa das Confederações, será daqui a três meses. O Jérôme deve estar em polvorosa com o jeitinho brasileiro de resolver grandes questões. Já deu até para elogiar os operários, na tentativa de com eles estabelecer uma comunicação direta. Ao menos, o razoável é o que o francês (agora na real) se empenha em atingir. E entrou na corrente para o clima ajudar.
[caption id="attachment_5895" align="aligncenter" width="500" caption="Ft. Google"]
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“É um ponto de partida. Há uma pré-disposição nossa, se vencido os limites jurídicos, de futura ocupação do Solar. Se a gente conseguir destravar os embaraços legais, viabilizaremos o desejo de lá desenvolver uma formação de elevação da cultura histórica, de formação de letras e de fomento literário”, frisa o reitor do IFF. Para tanto, Luiz Augusto, já fortaleceu a Pró-Reitora de Extensão do IFF, Paula Aparecida Martins Borges Bastos, a estar apta ao diálogo com as de mais representações. No próximo dia 11, haverá nova reunião de aprofundamento com a presença do Ivo Barreto, responsável pelo Escritório Técnico do Iphan, na Região dos Lagos. Em seguida, Luiz Caldas irá ter um entendimento com o jurídico da ABL. Quer se cientificar se o Solar pode ser de fato doado, passo seguinte irá a Brasília apresentar o projeto de restauro e de uso, “Se a gente resolve com o jurídico, faremos a construção, a concepção dentro da nossa governança. Há um custo para recuperar, há um custo para manter”. Luciana Portinho
Capa da Folha Dois de sábado, 02/03.
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[caption id="attachment_5767" align="aligncenter" width="550" caption="ft. Luciana Portinho"]
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Dos dias que experimentei, a alimentação do cartagenense é menos manufaturada do que a nossa. O milho, a mandioca, a banana e o coco estão ainda mais presentes no cotidiano da mesa. As frutas tropicais disponíveis nas ruas, para os nacionais e os estrangeiros, são consumidas o tempo todo, em quantidade, vendidas pelas mulheres, que equilibram as variedades em grandes bacias no alto das cabeças. Lembrei-me das nossas antigas lavadeiras com suas impecáveis trouxas de roupa. Lá, elas são conhecidas como ‘palanqueiras’, em saias rodadas de babados, multicoloridas. Não resisti a alguns sapotis, por sinal deliciosos, que descascam e cortam na hora e higienicamente te servem em um prato descartável.
[caption id="attachment_5770" align="aligncenter" width="550" caption="ft. Luciana Portinho"]
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Bom, da merenda que tive a sorte de observar ser vendida em frente à escola, ainda que disposta de uma forma mais simples (sem marcas expostas) do que a das nossas cantinas ou lanchonetes, havia um pouco de um bocado: mingau de aveia, ovo cozido na casca, suco de melancia, laranjada, limonada, ‘caraminõles’ (lembram o nosso bolinho de aipim), chips de batata, aipim e de banana, pequenos embutidos e mais uma diversidade de guloseimas que garantiu a alegria dos estudantes.
[caption id="attachment_5769" align="aligncenter" width="550" caption="ft. Luciana Portinho"]
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O nome desta nave marítima: Vasa. Nela, foram empregados no casco, mil carvalhos, 64 canhões de grosso calibre, mastros de mais de 50 metros de altura, centenas de esculturas douradas e pinturas; levaria 145 homens na tripulação e 300 soldados.
[caption id="attachment_5601" align="aligncenter" width="550" caption="Ft. Google"]
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Essa pequena história, verídica, é rica em detalhes dos quais vou me abster aqui. Durante 333 anos o Vasa ficou submerso nas águas frias e pouco salgadas do Mar Báltico. Em nenhum momento desses três séculos as autoridades suecas desistiram de tentar içá-lo, de explorar o seu interior, no fundo das águas escuras. Só no século XX, em 1961, o Vasa finalmente veio à tona. Foi então, todo recuperado em suas pinturas, entalhes e esculturas. Através dos utensílios encontrados, a vida daquela época se reconstituiu nos hábitos, e valores.
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Desde então, já restaurado, foi construído um moderno museu temático ao seu redor, onde a luz externa não penetra, como se o Vasa estivesse em uma gigantesca capsula protetora, de diversos pavimentos climatizados. Até o ano de 2001, mais de 20 milhões de pessoas o visitaram. O Vasa, é fonte de turismo internacional ao compor a memória do país.
[caption id="attachment_5604" align="aligncenter" width="550" caption="Ft. Google"]
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A razão de trazer aqui esta real história bonita e brava, nada mais é para que colabore no despertar de os campistas, nos serve de exemplo. O primeiro exemplo é que a história não se repete, é única, portanto, é razão da identidade de um povo enquanto “uma gente”. O segundo exemplo é que sendo de raiz particular, invariavelmente é motivo de orgulho ( pode também ser de vergonha), em todo caso, de preservação.
Por último, fica a certeza: tudo dá caldo, basta ter vontade ‘política’. É assim ou daqui a 333 anos, Campos terá reservado o vazio para contar aos seus.Até o fim do mundo
Luciana Portinho Aventura. Essa é a emoção que move um grupo de campistas. Eles que em outros anos já experimentaram com sucesso desafios autopropostos, partem hoje, às 7 h para o “fim do mundo”. Ushuaia, na Argentina, é o destino final desses cinco motociclistas. O local da partida para 30 dias do giro sobre duas rodas é, como das outras vezes, o Convento dos Padres Redentoristas, na rua Visconde de Itaboraí, mais conhecida como Rua do Leão. O grupo é composto de 10 amigos — cinco homens em suas motos e suas cinco esposas. Pelo planejamento da viagem — geralmente começa a ser elaborado seis meses antes — serão 12 dias para chegar à capital da província da Terra do Fogo, Ushuaia. Para tanto, algo em torno de 800 km serão percorridos diariamente, entre 7 h da manhã e 18 h. Tudo começou em 1978, quando Marcos Pires empreendeu sua primeira viagem de aventura. Ao lado de sua mulher Regina, foi a Recife, capital de Pernambuco, cidade litorânea do nordeste brasileiro. Mais uma vez, o grupo para essa viagem, mantém laços de família entre os seus membros. São cinco “motociclistas de berço”: Marcos Pires; Sergio Cortes, eterno parceiro de viagens; Otávio Cortes; José Amaro, filho e genro de Sérgio; e Dudu Caldas, genro de Marcos. Como em viagens anteriores, foi criado o blog www.sobreduasrodas ateofimdomundo.blogspot.com. Nele, os aventureiros prometem relatar o dia, o percurso, fotografias, curiosidades dos locais visitados e, claro, episódios engraçados. A experiência de compartilhar todas essas histórias foi sucesso na última aventura, em 2011, onde através do blog www.travessiadastresamericas. blogspot.com tiveram acessos de mais de 20 países — carona virtual pelas estradas das três Américas a milhares de internautas. “Optei por não pegar patrocínio no blog, me foi oferecido, mas, desvirtuaria; criaria uma obrigação e fazemos a viagem por hobby conjugado ao gosto pela aventura. Somo ligados ao Moto clube de Campos, o blog é para trocar experiência, aventuras. Minha expectativa é de 200 mil acessos no atual blog”, diz Marcos. Em 2010, o grupo foi de avião até os Estados Unidos da América (EUA), a maratona ficou conhecida como a Travessia das Três Américas. Lá compraram suas máquinas e vieram cortando as três Américas em nada menos do que 19 mil quilômetros. Foram 60 dias de adrenalina na viagem e chegaram a enfrentar sufoco no cerco do narcotráfico mexicano. Alegre pela expectativa do novo estirão, Marcos esclarece que são seis meses de planejamento em grupo. “Escolhemos e detalhamos o roteiro, compramos as motos quando é necessário, fazemos reservas só nos hotéis que não sejam de beira de estrada, pois, enquanto nela, dormimos aonde dá para ficar”. Mulheres encontram maridos no caminho [caption id="attachment_5462" align="aligncenter" width="600" caption="Fotografia do grupo inteiro (divulgação)"]
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Como nessa expedição ao extremo sul da América do Sul há um trajeto previsto de 700 quilômetros de estrada de chão, as mulheres — também motociclistas — optaram pelo conforto do avião até determinado ponto. Encontram seus companheiros na cidade de El Calafate, já na Patagônia, de lá seguem na garupa ao destino final de Ushsuaia, Terra do Fogo. Para chegar lá, os cinco motociclistas já terão rodado aproximadamente seis mil quilômetros em nove dias, passando por Montevidéu (Uruguai), Buenos Aires, Mar da Prata e Bariloche (Argentina).
Unidos pelo sangue e impulsionados pelo amor ao motociclismo, há mais de 10 anos a crescente família aventureira de Campos dos Goytacazes encara longas estradas pelo Brasil e América afora. Entre trajetos percorridos com todo o grupo ou apenas pelos casais, somam-se mais de 10 viagens, milhares de quilômetros rodados e 18 países. Integram uma “comunidade” internacional amante do motociclismo, levando a bandeira do Brasil nas costas por onde passam.
Capa da Folha Dois, Folha da Manhã no dia de hoje, 26/12/12.
[caption id="attachment_5458" align="aligncenter" width="600" caption="Estreito de Beagle, Patagônia, Argentina. Ft. Google"]
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Sobre o autor
Luciana Portinho
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