Terror investe contra a liberdade de expressão
07/01/2015 | 05h29
O dia começou sangrento na capital da França. Quatro homens mascarados atacaram a redação da revista de humor Charlie Hebdo, em Paris. Invadiram a reunião de redação , aos gritos de “vingamos o profeta” e fuzilaram 11 pessoas. Depois, na rua, mataram mais um, dessa vez um policial. Em um  vídeo, filmado por um dos ocupantes do edifício que se refugiou num telhado, divulgado no site da televisão pública France Télévisions, pode-se ouvir entre disparos a voz de um deles gritar: “Allahu Akbar” (Alá é grande). Eram 11h30 (hora local), quando teve início a carnificina. Dois homens armados com um fuzil automático kalashnikov e um lança-foguetes entraram na sede do Charlie Hebdo. Houve troca de tiros com as forças de segurança, relatou uma fonte próxima da investigação à agência France Presse. Na fuga, os atacantes ainda feriram um policial a tiro. Entre os mortos quatro reconhecidos cartunistas franceses:  Georges Wolinski, o editor da publicação, Stephane Charbonnier, o "Charb"; Jean Cabut, o "Cabu"; e Tignous. Wolinski era uma lenda internacional do cartum, um dos símbolos vivos do Maio de 68. [caption id="attachment_8629" align="aligncenter" width="620"]cartunistas mortos Fotos de arquivo mostram cartunistas da equipe da revista 'Charlie Hebdo' mortos no ataque. Da esquerda para a direita: Georges Wolinski (em 2006), Jean Cabut - o Cabu (em 2012), Stephane Charbonnier - o Charb (em 2012) e Tignous (em 2008) (Foto: Bertrand Guay, François Guillot, Guillaume Baptiste/AFP)[/caption] Ao Jornal Hoje, Ziraldo declarou: "A gente é amigo de longe. Mas toda vez que eu vou à França, encontro com ele. Ele já veio ao Brasil. A gente tem uma relação muito fraterna, muito agradável. Ele era muito combativo. Aquele francês bem irreverente e bravo. O 'Charlie Hebdo' fazia um humor muito agressivo. Acho que eles tinham muita coragem." O presidente francês, François Hollande, já no local,  descreveu a ação como um “ataque terrorista” de “extrema barbárie”. O jornal Charlie Hebdo tornou-se conhecido em 2006 quando decidiu republicar charges do profeta Maomé, inicialmente publicados no diário dinamarquês Jyllands-Posten e que provocaram forte polêmica em vários países muçulmanos. Em 2011, a sede do semanário foi destruída num incêndio de origem criminosa depois da publicação de um número especial sobre a vitória do partido islamita Ennahda na Tunísia, no qual o profeta Maomé era o “redator principal”. No mundo todo, além da manifestações oficiais, a população solidária se organiza para ir às ruas. Pelas redes sociais, estampam em seus perfis, Je suis Charlie. Daqui, contra toda forma de opressão e restrição da liberdade de expressão, Eu sou Charlie! Dia de triste memória. Image-1 Fontes: Agência Brasil, G1, Folha da Manhã
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Oportunidade de troca
10/10/2014 | 12h46
Há 14 anos o Rotary Campos Club Guarús deu início ao programa de intercâmbio cultural de jovens. É um programa que tem por objetivo aproximar o mundo, torna-lo mais solidário, plantar a tolerância na amizade ao diferente. Vale mais do que qualquer teoria. É a experimentação prática, através convivência em uma família - com e entre jovens - de várias nacionalidades, que descobrem o dia a dia da vida de outro país. Intercâmbios culturais são generosas oportunidades de troca, doação e recebimento, marcam o resto da vida do participante. No total são 8 mil jovens, entre 16 e 17 anos, fazendo o intercâmbio pelo planeta. O Brasil participa com 10% de jovens que vão e que veem de países como a Romênia, Alemanha, Canadá, Bélgica, Hungria, Dinamarca, Finlândia, França, Austrália e Estados Unidos. Esse número pode ser bem maior é o que deseja o Rotary Campos Club Guarús. O programa de intercâmbio do Rotary Campos Club Guarús, sob a coordenação de Fausto Paes de Carvalho (ele também é o presidente local da comissão da Fundação Rotária), tem no segundo semestre de 2014, cinco jovens estrangeiros: um belga, três franceses e um norte americano. Isso significa dizer que existem também cinco jovens campistas, vivendo uma experiência semelhante em algum canto do mundo. Pois, o modelo de intercâmbio cultural  adotado pelo Rotary é casado, ou seja, a família que envia o seu filho para o exterior, se compromete, a também hospedar um jovem estrangeiro, por um período de três meses. É um modo de envolver as famílias e de retribuir a oportunidade oferecida ao seu filho. Afinal, é coerente com a filosofia internacional do Rotary expressa no lema, “Semear a paz através do servir”. Lorena Quitete ( 19 anos), é uma das jovens campistas que retornou a pouco da Finlândia. É só elogios. Como ela diz, “É uma troca cultural muito forte, fui para um país que é oposto do Brasil. Os finlandeses são “frios”, mais na deles, são educados e caridosos demais. As relações familiares são mais independentes, o jovem sai de casa cedo, me fez aprender a respeitar outras culturas, minha responsabilidade aumentou, quebrei barreiras, foi um tempo que tirei para mim sozinha”, fala ela. Essa nobre missão, faz com que a instituição se mantenha atuante – são, mais ou menos, 1 milhão e 200 mil associados no mundo - ao longo de mais de um século, criada que foi em um distante 1905. Dar de si antes de pensar em si, sem permitir que cunhos religiosos ou partidários, criem embaraços ao companheirismo desejado. O Rotary, não depende de recursos de governos, se auto sustenta regularmente através dos membros ou ainda através da realização de eventos de arrecadação. Interessante ressaltar que do intercâmbio cultural  de jovens realizado pelo o Rotary,  no município,  três escolas particulares são parceiras:  o Alpha, o PróUni e o Salesiano. Estas instituições oferecem gratuidade aos meninos estrangeiros. Em troca oferecem aos seus alunos regulares, a diversidade do enriquecimento cultural. Ponto também para elas. Abaixo a fotografia dos estudantes estrangeiros que se encontram em Campos e da "nossa"Lorena. [caption id="attachment_8536" align="aligncenter" width="620" caption="Da esq para dir: Maelle Vaurs (França); Agathe Daniel (França); Solene Baranton (França); Lorena (Brasil); Myrddin Clinkspoor (Bélgica) e Annika Westman (EUA)"][/caption]

 

   
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Novo Encontro em favor da Ong Orquestrando a Vida
19/08/2014 | 11h22
 

Quem ama a ARTE e reconhece o trabalho gigantesco e bonito que eleva tantas VIDAS através da música erudita em Campos, um novo momento de luta em defesa desse universo. Que a insensibilidade e os interesses mesquinhos sejam menores, que a gente possa se orgulhar de TODOS os que mantêm, no dia a dia, a garra e a disposição de TOCAR E LUTAR!

 

 

 

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Modesto da Silveira, em defesa da liberdade
01/04/2014 | 10h09
Modesto da Silveira é uma legenda na defesa dos perseguidos, presos, torturados pelo Golpe de 64. Figura doce, dedicada e amiga. Em 1978, foi eleito deputado federal pelo MDB, com uma vitória retumbante da oposição ao regime militar. Tive a honra e o privilégio de ter convivido na ocasião com este brasileiro. É emocionante vê-lo ativo, fiel aos princípios que nortearam sua carreira e vida. Sugiro a leitura da matéria aqui.
Alessandra Duarte (Email · Facebook · Twitter)
Publicado: 30/03/14 - 8h00
 Modesto da Silveira foi o advogado que mais defendeu brasileiros na ditadura Foto: Pedro Kirilos / Pedro Kirilos 
Modesto da Silveira foi o advogado que mais defendeu brasileiros na ditadura Pedro Kirilos / Pedro Kirilos
RIO - Defensor de agricultores, intelectuais, líderes estudantis e religiosos, Modesto da Silveira viu “os tanques do golpe” na Cinelândia. Seis anos depois, foi sequestrado e levado a uma sala do DOI em que as paredes tinham sangue coagulado. Hoje, guarda mais de 30 agendas daquela época. Algumas encardidas, outras empoeiradas. E, como se de um jogo se tratasse, convida: “Vamos ver a de 68?” O advogado de 87 anos vai então ao dia 13 de dezembro, data da decretação do Ato Institucional número 5 (AI-5) e na agenda lê: “Prisão Sobral Pinto”. — Esse “prisão” escrevi entre aspas porque foi o sequestro do Sobral, né? — conta ele, lembrando colegas de profissão. Todas as agendas estão em seu apartamento. E, numa época de infiltrados e acusadores, os compromissos anotados viraram álibis e testemunhas de defesa. Até hoje Silveira é considerado, por colegas, como o advogado que mais defendeu brasileiros no regime militar. Ele não sabe dizer quantos clientes teve, mas diz que cuidou de gente “de Belém a Porto Alegre”, de agricultores e operários a nomes como Mário Alves, Ferreira Gullar, David Capistrano e Dom Adriano Hipólito. De muitos, não cobrou nada. E a memória do dia do golpe é nítida: — Naquele dia, quando cheguei à Cinelândia, o povo esperava um comício em apoio a Jango. Mas não apareceram líderes sindicais, estudantis ou intelectuais. Apareceram tanques do Exército. Quando voltaram os canhões para o povo, ficou claro que eles eram do golpe. Então começaram a vaiar. Dois à paisana deram tiros para o alto e entraram no Clube Militar. No meu escritório, gente já pedia socorro. Para o mineiro de Uberaba, “o pior era quando você perdia o cliente”, numa referência à morte. Maria Auxiliadora Lara Barcellos, a Dodora — citada pela presidente Dilma Rousseff em discurso de 2010, foi um deles. Presa e torturada, suicidou-se no exílio. Em 1970, Silveira foi sequestrado pela repressão e ficou no DOI-Codi do Rio por dois dias. Não sofreu tortura física, mas psicológica. Na sala havia sangue coagulado, e a máquina de choque estava ligada. — Passaram a falar das minhas três filhas: “Sabe aquela? Trago aqui, boto a arma na boca e pow!” Modesto está hoje na Comissão de Ética da Presidência e presta assistência jurídica a antigos clientes. Auxilia a Comissão Nacional da Verdade e pede que ela tenha mais membros, poder de intimação e dê mais atenção à Operação Condor. — É preciso olhar o apoio financeiro e logístico de um regime que fez, no mínimo, meio milhão de vítimas diretas.
 
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ÚLTIMO POST
30/12/2013 | 02h11
Com a sensação de que tudo foi dito, de que nesses dias finais do calendário não temos algo a novo dizer, ao ler ontem O Globo, renovei convicção particular. A bióloga brasileira resume meu sentimento: ontem, hoje e amanhã, agir é preciso. A ativista gaúcha do Greenpeace, Ana Paula Maciel, finalmente pisou o solo pátrio no sábado. [caption id="attachment_7384" align="aligncenter" width="600" caption="Ft. Divulgação"][/caption]

Presa pela causa ambiental, por cem dias na Rússia, a moça e mais 29 integrantes do Greenpeace foram detidos por autoridades russas em 19 de setembro. Um dia após protestarem em uma plataforma de petróleo da companhia Gazpron, no Mar do Norte, Círculo Polar Ártico, o grupo foi acusado de pirataria e vandalismo (sic). Enfim libertos, guardam a certeza da mobilização internacional como única responsável pela soltura deles.

Ana Paula ao desembarcar, logo desfraldou a bandeira "Salve o Ártico", descansará junto à família por cerca de um mês, de lá volta à ativa: a nova missão será na Nova Zelândia, uma campanha de preservação das baleias orcas. Termino assim 2013, saudando a todos que não desistem das suas "utopias", por dinheiro não se vendem, homenageando a corajosa Ana Paula. No front, nos encontraremos em 2014! Um Ano Novo de esperanças!  
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Mais lenha para pensar
25/11/2013 | 08h34
O blog traz outra linha de pensamento, sobre a Ação Penal 470, custo político para a manutenção do governo no poder, reforma política sempre adiada, avanços e recuos da democracia brasileira. lp

Entrevista: Luiz Werneck Vianna - O poder, esse sedutor

Para cientista político, a volúpia pela eternização no governo desarma a sociedade, impede mudanças e imobiliza o País
Juliana Sayuri
Após oito anos, revelados mais de R$ 100 milhões movimentados fora das regras do jogo, foram compiladas 50 mil páginas nos autos, 600 testemunhas on the record, 38 réus julgados, 25 condenados e muitas, muitas páginas impressas sobre a Ação Penal 470, o mensalão. No simbólico 15 de novembro, dia da proclamação de nossa República, José Dirceu, José Genoino e outros oito condenados se entregaram à polícia federal. "Viva o PT", bradou, de punho cerrado, o ex-presidente do partido.
De 2005 para cá, diversas críticas austeras e duelos intelectuais sobre os meandros da AP470 ocuparam o Aliás. Entre as primeiríssimas delas, uma entrevista marcante com o cientista político Luiz Werneck Vianna, professor da PUC-Rio e autor de A Modernização sem o Moderno: Análises de Conjuntura na Era Lula (Fundação Astrojildo Pereira, Contraponto, 2011), no dia 31/7/2005, às vésperas do depoimento de José Dirceu no Conselho de Ética, um dos momentos-chave dessa história.
A convite do Aliás, Werneck Vianna voltou para discutir os rumos políticos deste Brasil pós-mensalão. O diabo, diz, é "essa volúpia pela eternização no poder" – presente nos tempos de Lula, mas também em Collor e em Fernando Henrique, ressalva. "A ideia de ganhar tudo e todos fez parte desse projeto megalômano do PT, que pretendia permanecer no poder até o fim dos tempos", diz o intelectual, com palavras pausadas, por vezes hesitante. "Mas a história está aberta, sempre esteve", ressalva mais uma vez. E como Dirceu e Genoino serão lembrados, professor? "Alguém sempre pode dizer ‘a história me absolverá’. Bem, absolve alguns e outros não. A ver".
Que dimensão tem a figura do ex-ministro José Dirceu hoje? Em entrevista ao Aliás, em 2005, o sr. o dizia ‘o homem com faro e instinto de vida partidária. Não ligado aos movimentos sociais, mas um especialista na política – o Maquiavel do Príncipe’. Ainda o vê assim?
Certamente. José Dirceu ficou ausente do poder imediato, mas atuou nos bastidores. Esse tipo de atuação obviamente não lhe permitiu o exercício de uma influência maior. Mas, ainda assim, continuam presentes os traços principais, marcados na época em que ele teve a batuta na mão. Basta notar a forma como a campanha de Dilma Rousseff foi conduzida, em 2010. E como está sendo conduzida agora, pensando em 2014. Persistem as mesmas questões de fundo.
Quais questões?
Essa volúpia pela eternização no poder. Antes do PT, essa volúpia esteve presente em Collor e em Fernando Henrique. Mas realizar reformas, em tempo largo, como era pretendido por Collor, Fernando Henrique e Lula, implicou uma política que levou a muitas dificuldades. Certamente, Collor não soube administrar isso, não estabeleceu um sistema de alianças capaz de sustentar seu governo. Fernando Henrique, posteriormente, interpretou isso muito bem, e em nenhum momento perdeu de vista a necessidade de ter maioria governamental – à época, sua associação com o PFL provocou protestos inclusive entre aliados mais íntimos, a começar por Ruth Cardoso, muito desgostosa com esse tipo de aliança, entre outros dentro do próprio PSDB. Ficou esta lição: governos pretensamente longos, que miram o horizonte muito à frente, necessitam de sólidas alianças governamentais. Isto é, quem quer mudar precisa do apoio de setores que não estão realmente preocupados com a mudança – aliás, de setores até contestadores dos projetos mudancistas. Isso leva a um certo imobilismo na política.
Mas nada mudou?
Há mudanças. Vimos mudanças significativas com Fernando Henrique (como o Plano Real) e com Lula (como o Bolsa Família). A crítica da esquerda agora parece querer sustentar que o PT deveria ter unido forças próprias e aliados muito afins a seu projeto. Isso não permitiria esse arremesso para a persistência no poder. Mas imaginou-se que, perdido o governo, tudo estaria perdido. Não é verdade. É a questão ficou: o que a sociedade ganhou com esse arranjo entre atraso e moderno, entre forças de mudança e forças comprometidas com a conservação? E o que se perdeu? O que se pode levantar, contrafactualmente, é que um governo com um projeto de mudança possa, se tiver estratégias definidas, pensar num voo não longo, mas exemplar. Um voo que avance até onde se pode avançar – e que, principalmente, corra o risco de perder a próxima sucessão presidencial. Pense na vitória de Michelle Bachelet. O caso chileno está nos ensinando que um voo não precisa ser transoceânico, digamos assim, para realizar mudanças. Vale antes ter um projeto com objetivos definidos, pois assim um governo poderia parar num determinado ponto e continuar mais à frente, num processo mais avançado. É preciso ter perspectiva.
Todos perdemos perspectiva?
A política atual, como está, prejudica todos – e principalmente a própria atividade política, que perdeu aura, imaginação, ousadia. Ficou num canto, avançando milimetricamente onde podia. Onde não podia, deixou tudo ao andar "natural" dos acontecimentos. O ponto é: perdeu-se o impulso para as mudanças, com essa ideia de que era antes necessário garantir estabilidade para um governo longo. Isso desarmou a sociedade. A política aparece em lugares inesperados, fora de sua trama real e concreta, que seriam as instituições e os partidos. Certamente há algo universal nisso, quer dizer, acontece em diversos países. Mas no Brasil, essa falta de representação política se tornou algo absurdo, em que as representações são meramente nominais, como um poder de carimbo. O PT foi desarmado também, obrigado a todo momento a respeitar as estratégias gerais para garantir sua permanência ad eternum no poder, vide o caso das sucessões estaduais. Lula ainda é o detentor da hegemonia do PT. Aí, por que fazer política, se há quem a faça em nome de todos? Ao mesmo tempo, essa malha paralisa o próprio governante.
O sr. quer dizer que, certas vezes, perder (o governo) pode ser ganhar (o projeto)?
Sim. Perder no presente, mas tendo tentado realizar seu projeto, mobilizando bases e sociedade para seguir seus caminhos, poderia significar uma vitória no futuro.
De tempos em tempos, assistimos a uma faxina ética após um novo escândalo. Há cassações, impeachment, prisões, mas os esquemas se reestruturam. Nossas instituições são fortes nesses momentos de crise?
Sim, continuam fortes. Estamos passando por um momento de turbulência, pois lideranças políticas do partido hegemônico estão sendo apenadas. Enquanto as ruas estão silenciosas, os principais interessados estão se movimentando. O Judiciário tem desempenhado um papel fundamental, por ter uma relação autônoma com os demais poderes. Autonomia essa que falta a outros setores, como os movimentos sociais e étnicos, o movimento sindical e a UNE. Não à toa, o que ocorreu por fora desses movimentos assumiu uma forma abstrusa, os Anonymous e os Black Blocs.
Na ressaca das manifestações, a presidente Dilma Rousseff deu os primeiros passos para uma reforma política, proposta antiga do PT. A reforma é possível neste momento?
Possível é, não há nenhum obstáculo material. Há obstáculos imateriais: a (falta) de vontade do legislador, comprometido com o estado de coisas anterior. Se há uma grande movimentação social, como vimos, passando ao largo da política e sem deixar rastros nem animar os partidos, sem vivificar os movimentos, aí realmente se pode imaginar que temos uma situação difícil adiante, que demandará muito tempo para encontrar uma saída razoável.
Desde 2005 foram feitas críticas às investigações de corrupção a governos passados. Mas há indícios de que o esquema de Marcos Valério também serviu ao PSDB. É justo que a corrupção fique circunscrita ao PT?
Não. A corrupção é um mal endêmico no Brasil. Está presente na nossa história "desde sempre". Mas agora a sociedade conhece instrumentos novos, trazidos pela Carta de 1988, e operadores novos, como o Ministério Público e a Polícia Federal, que exercem uma vigilância inédita.
A imprensa tratou o mensalão como o ‘maior escândalo de corrupção do País’. Que papel tiveram a mídia e a opinião pública nesse processo?
O papel da mídia foi importante, também por estar vinculada à opinião pública. O mensalão – aliás, a Ação Penal 470, como procuro sempre descrevê-la – foi um caso de corrupção política. Nas motivações dos autores dessas infrações não esteve o impulso por aquisição de riqueza, mas aquisição de poder. Esse foi um fato que a sociedade e os tribunais julgaram severamente, na expressão de muitos dos ministros do STF: foram crimes contra a República, isto é, crimes contra todos. E é explosiva essa relação entre o poder judiciário, a opinião pública e a mídia, pois a alta visibilidade desses processos deixa pouco espaço para o réu se defender. Mas isso não dá para impedir, é o avanço da esfera pública no mundo. Que fazer? Fechar as portas dos tribunais? Silenciar os jornais? É só ver o caso das biografias. Vamos ficar com os vícios e as grandes virtudes disso, que é tornar públicas determinadas cenas que realmente mereçam ser públicas, que não podem transcorrer nem em segredo de Justiça nem em silêncio obsequioso da imprensa. Isso faz parte do desenvolvimento de uma democracia de massas.
Muitos criticam as ordens de prisão, cumpridas no 15 de novembro, dizendo que o tribunal é autoritário. Quão supremo é o STF?
É relativo, pois as decisões podem ser contestadas na Câmara, no que se refere à perda de mandato dos condenados. O STF pode muito, mas não pode tudo. No fundamental, o papel que a Justiça tem cumprido é um processo de limpeza de território para que a democracia possa prosperar, para que não seja poluída pelos que detêm poder político e econômico. Ainda há um longo caminho a percorrer – e esse caminho não pode dispensar uma vida política mais rica, com partidos mais vigorosos e movimentos sociais autônomos. Tudo isso ainda está por acontecer.
Com biografias respeitáveis, o ex-ministro José Dirceu e o deputado José Genoino saíram do banco dos réus e foram para a prisão. Como serão lembrados na história?
Não sei. A história deles deve ser preservada. São figuras importantíssimas para a história do PT, sobretudo José Dirceu, a meu ver, a melhor cabeça política deles. Alguém sempre pode dizer "a história me absolverá". Bem, absolve alguns e outros não. A ver, né? É preciso deixar o tempo fluir. Mas o mensalão não é uma nódoa na vida republicana brasileira. O julgamento foi uma conquista. A democracia avançou. Os limites estão dados para o poder político: há leis – e o poder não pode tudo. Foi uma condenação justa, mas não há o que comemorar. Eu fui um preso político, um perseguido político. Não há razões para me regozijar com condenações dos outros. Esses, porém, são políticos presos. Foram condenados por uma corte com ministros inclusive indicados pelo PT.
Esse desfecho influenciará 2014?
Sim, certamente. Se favorecerá tal ou qual candidato, ainda não dá para dizer. Os partidos não são antenas sensíveis para o que ocorre na sociedade. São antenas para auscultar seus interesses imediatos e futuros. Se Marina Silva ou Eduardo Campos poderão recuperar a política... é muito difícil, penso. Também é difícil que isso se torne projeto de Aécio Neves. Mas quem vier agora terá que ter claro que a sociedade quer mudanças no mundo real. Operar mudanças implica dor e perdas – para ter outros ganhos. A ideia de ganhar tudo e todos fez parte desse projeto megalômano do PT, que pretendia uma permanência no poder até o fim da História do Brasil. Ora, a história está aberta, sempre esteve. Pede por movimentos, novas ideias, novas gerações. É muito difícil avançar, mas como diria o papa Francisco, bote fé. E assim vai, assim caminha a humanidade.
Fontes:  aqui e O Estado de S. Paulo / Aliás
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Falecimento
23/11/2013 | 08h54
Comunico o falecimento da ex-diretora e professora da Fafic, Vera Passos. Transcrevo a informação recebida por seu sobrinho. "É com dor profunda, que hoje (23-11) comunico o falecimento de minha tia-avó e ex-diretora e professora da antiga Faculdade de Filosofia de Campos, Véra Passos. Seu velório está ocorrendo na APOE e o sepultamento acontece na manhã deste domingo(24-11) no Cemitério do Caju. Uma perda sem precedente para a Educação e a Cultura de Campos dos Goytacazes e pra Humanidade num todo". Luis Felipe Romano É dele a lembrança em que as circunstâncias passadas me colocaram ao lado dela, ver aqui. Deixo à família meu pesar.
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Hoje tem cinema sim senhor!
13/11/2013 | 05h08

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Tudo como dantes
25/10/2013 | 11h24
[caption id="attachment_7052" align="alignleft" width="217" caption="Ft.Google"][/caption] Um governo que se permite ignorar a população é desleixado; está de antolhos para não ver o povo, só enxerga os seus minúsculos interesses. Depois que a secretária de Educação Marinéa Abude, afirmou que as sucessivas manifestações dos professores municipais não passavam de choro de 50 idiotas, qualquer administração sensível exigiria não só a retratação, pediria que ela se retirasse do cargo. Mantê-la, é afrontar toda categoria de educadores. Não conheço essa senhora, portanto, não a pré-julguei, mas, era de se esperar desejo intenso nela em dialogar  e nos tirar da condição pífia em que se situa Campos, a bilionária Campos, deste último lugar da fila estadual, na avaliação de desempenho. Uma surpresa a afirmação recente do secretário de Governo Suledil Bernardino de que nada mudará. Como se diz por aí: sinistro!
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Junte-se a nós
15/10/2013 | 03h20
Recebi o e-mail abaixo que repasso a vocês. A situação, por lá, permanece delicada e piorará se nada for feito. lp [caption id="attachment_7011" align="aligncenter" width="600" caption="Ft. Greenpeace"][/caption]

 

Olá luciana, A situação na Rússia continua complicada: mais dois ativistas tiveram fiança negada pela corte de Murmansk na manhã de hoje. Um deles é o capitão americano Pete Willcox, responsável pelo Arctic Sunrise, que foi também o capitão do Rainbow Warrior em 1985, quando o serviço secreto francês explodiu seu navio. A argentina Camila Speziale, a outra ativista que teve fiança negada, se dirigindo à corte de Murmansk, declarou-se inocente e disse não compreender sob qual acusação ela foi enquadrada: “Eu não tenho nada contra este país, Rússia e Argentina mantem boas relações. Mas agora estou sendo presa por um crime que não cometi. Eu realmente quero voltar para casa e continuar a trabalhar e estudar”. Faça a sua parte, aumente o coro pela liberdade dos ativistas. Assine pela libertação dos nossos ativistas. Assine a Petição Marco Weber, um dos ativistas presos, descreve sua situação na cadeia como uma ‘isolação total’: “Na caminhada diária, também fico sozinho. O recinto para caminhada mede quatro por cinco metros e é cercado por paredes de concreto cobertas por barras de ferro. No teto, um telhado que impede a entrada de luz solar. O único céu que consigo ver é da janela da minha cela, o que significa ‘sem sol para mim’. Os dias são longos!” Vinte e oito ativistas, incluindo a brasileira Ana Paula, e dois fotógrafos freelancers estão presos preventivamente na Rússia sob suspeita de pirataria desde 18 de setembro. Deputados, senadores, diplomatas, artistas e até a presidenta Dilma demonstraram apoio pela liberdade dos ativistas que protestavam pacificamente. Ajude-nos a espalhar essa mensagem nas redes sociais. #LibertemOs30. Abraços, Fabiana Alves Coordenadora da Campanha Clima e Energia Greenpeace Brasil
 
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Sobre o autor

Luciana Portinho

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