Terrorismo em Campos
18/03/2013 | 12h03
Com royalties ou sem royalties, a fumaça sobre o setor público da Cultura em Campos é cinza. Esse é o tom predominante nas falas de alguns agentes do ambiente cultural local. “Estão fazendo terrorismo com a população. Avisam que vai tudo acabar. A Cultura não tem merecido nada. É como dizer: ‘Vamos acabar com o que nunca fizemos’, fala o professor, acadêmico e articulista da Folha da Manhã, Aristides Soffiati. Ele se preocupa em ressaltar que os royalties não foram suspensos, nem se sabe ao certo quando serão, portanto, continuam entrando nos cofres da prefeitura. “Esse dinheiro que está entrando será usado em quê? Gostaria de saber”. O professor rememora que sob a vigência dos royalties — em 2012 somaram R$ 1.345 bilhão — na abertura da II Conferência Municipal de Cultura, propôs que fosse destinado ao setor 1% do orçamento municipal. “Na ocasião disseram que a proposta não passaria, a Rosinha teria dito não”.
Passados quatro anos da atual administração, o Fundo Municipal de Cultura, Funcultura, foi criado, mas ainda não dispõe de verba. Segundo o secretário municipal de Cultura, Orávio de Campos Soares “Ficamos de fora porque o orçamento fechou a proposta em setembro e nós somente conseguimos regularizar o CNPJ no final do mês de outubro. Tentamos, através da Câmara, uma suplementação, mas a edilidade considerou que isso não poderia acontecer, por ferir a Lei Orgânica dos Municípios. A Lei 8.205 foi modificada porque os técnicos não aprovaram o per-centual e até porque isso poderia engessar o próprio orçamento. Se o Funcultura conseguisse este intento os outros fundos também teriam o mesmo direito”, justifica Orávio.
O acadêmico Vilmar Rangel indagado sobre o discurso da presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, Patrícia Cordeiro — nele Patrícia previu a interrupção das atividades do Museu Histórico de Campos e do Arquivo Público Municipal — assim respondeu: “É uma estratégia do poder público em face à situação que não está definida, a gente tem que entender que é uma medida preventiva. A Cultura é também prioritária, pois, é elemento que defende, cristaliza a identidade de um povo. Espera-se que qualquer que seja o desfecho dos royalties o setor venha a contar com apoio e relevo maior”, frisa Vilmar.
Vilmar se considera um Dom Quixote ao reclamar pela Cultura. “Muitas ações culturais não dependem de grandes verbas. Há um esforço de Orávio, mas, ele não é um super homem, está refém de uma burocracia. O ‘consumo’ da cultura mexe com a autoestima de um povo, a história, os feitos não podem ficar ofuscados, nos dão impulso na luta por mudanças”, reafirma.
Não muito afastado dos acima citados é o pensamento da acadêmica e professora de história Sylvia Paes. Curta e direta é de imediato a sua resposta, “Tirar o quê? É meio teatro.” A professora de história faz questão de destacar que, “Sempre a Cultura esteve no final da fila. É a vilã da história, é a última a receber quaisquer recursos e quando recebe, recebe a menor verba. Quem paga o pato é a Cultura, justo ela que mexe com o brilho das pessoas. Por isso falam assim, sabem que chocam as pessoas”, diz Sylvia Paes. Ela fundamenta seu pensamento aos dizer que o Arquivo Público Municipal, mesmo com royalties já está abandonado e o Museu Histórico que obteve recursos para a restauração não dispõe de verba para a sua manutenção.
A pressão, a ameaça do poder público, o ensaio geral do que poderá acontecer ao setor da cultura se de fato vier a serem divididos os royalties do petróleo parece não encontrar eco para um setor que vive escassez de recursos no seu cotidiano e por agentes culturais que de antemão se sentem colocados de escanteio e olhados com desconfiança.
Luciana Portinho
Comentar
Compartilhe
PINA DE WIM WENDERS
09/04/2012 | 06h21
Assisti maravilhada ao filme Pina do cineasta alemão Wim Wenders. Sem exagero somos levados ao êxtase, aquela superação que só a arte é capaz de em nós provocar. O filme é o máximo. Trata-se de um documentário sobre a coreógrafa e bailarina alemã, Pina Bausch (falecida em 2009). Só que não é um documentário padrão. Não, é um filme de arte: dança, balé e teatro. Somados à música e às paisagens desfilarão integrados em uma estética de vanguarda. Wim Wenders consegui criar a arte dele na arte dela, somou as duas.
A cidade onde se passam as cenas externas é Wuppertal, na região do Ruhr, Alemanha. Uma cidade um pouco menor do que Campos, mas que também tem um rio, o rio Wupper. É a cidade da revolucionária Pina Bausch e de seu corpo de dança. Com cerca de 360 mil habitantes, é um brinco de limpeza e assepsia. Wuppertal que foi 40% destruída na segunda guerra, é conhecida pelo extraordinário teatro-dança de Pina Bausch e também por seu genial monotrilho, criado em 1901. Moderníssimo, desliza silencioso e suspenso a uma altura de 8m por toda a cidade.
Falar das tomadas do filme em que são encenados algumas de suas peças como "Café Müller" e "Sagração da Primavera" é fazer você pensar em espaços amplos integrados aos elementos da natureza. São movimentos fortes que se cruzam calados. O limite é testado o tempo todo. Destaco toda a companhia de dança. Os sentimentos transparecem, brotam das faces sem nenhum disfarce, descolados que são do padrão consumista de beleza ocidental.
Deixo aqui o trailer oficial. Um aperitivo. Você se tiver oportunidade de vê-lo no Rio de Janeiro, vá, nem pense duas vezes. E constatará que não cometi exagero algum.
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=QWq6BbFm4nE[/youtube]
Sobre o autor
Luciana Portinho
[email protected]
Arquivos
- Fevereiro 2026
- Janeiro 2026
- Dezembro 2025
- Novembro 2025
- Outubro 2025
- Setembro 2025
- Agosto 2025
- Julho 2025
- Junho 2025
- Maio 2025
- Abril 2025
- Março 2025
- Fevereiro 2025
- Janeiro 2025
- Dezembro 2024
- Novembro 2024
- Outubro 2024
- Setembro 2024
- Agosto 2024
- Julho 2024
- Junho 2024
- Maio 2024
- Abril 2024
- Março 2024
- Fevereiro 2024
- Janeiro 2024
- Dezembro 2023
- Novembro 2023
- Outubro 2023
- Setembro 2023
- Agosto 2023
- Julho 2023
- Junho 2023
- Maio 2023
- Abril 2023
- Março 2023
- Fevereiro 2023
- Janeiro 2023
- Dezembro 2022
- Novembro 2022
- Outubro 2022
- Setembro 2022
- Agosto 2022
- Julho 2022
- Junho 2022
- Maio 2022
- Abril 2022
- Março 2022
- Fevereiro 2022
- Janeiro 2022
- Dezembro 2021
- Novembro 2021
- Outubro 2021
- Setembro 2021
- Agosto 2021
- Julho 2021
- Junho 2021
- Maio 2021
- Abril 2021
- Março 2021
- Fevereiro 2021
- Janeiro 2021
- Dezembro 2020
- Novembro 2020
- Outubro 2020
- Setembro 2020
- Agosto 2020
- Julho 2020
- Junho 2020
- Maio 2020
- Abril 2020
- Março 2020
- Fevereiro 2020
- Janeiro 2020
- Dezembro 2019
- Novembro 2019
- Outubro 2019
- Setembro 2019
- Agosto 2019
- Julho 2019
- Junho 2019
- Maio 2019
- Abril 2019
- Março 2019
- Fevereiro 2019
- Janeiro 2019
- Dezembro 2018
- Novembro 2018
- Outubro 2018
- Setembro 2018
- Agosto 2018
- Julho 2018
- Junho 2018
- Maio 2018
- Abril 2018
- Março 2018
- Fevereiro 2018
- Janeiro 2018
- Dezembro 2017
- Novembro 2017
- Outubro 2017
- Setembro 2017
- Agosto 2017
- Julho 2017
- Junho 2017
- Maio 2017
- Abril 2017
- Março 2017
- Fevereiro 2017
- Janeiro 2017
- Dezembro 2016
- Novembro 2016
- Outubro 2016
- Setembro 2016
- Agosto 2016
- Julho 2016
- Junho 2016
- Maio 2016
- Abril 2016
- Março 2016
- Fevereiro 2016
- Janeiro 2016
- Dezembro 2015
- Novembro 2015
- Outubro 2015
- Setembro 2015
- Agosto 2015
- Julho 2015
- Junho 2015
- Maio 2015
- Abril 2015
- Março 2015
- Fevereiro 2015
- Janeiro 2015
- Dezembro 2014
- Novembro 2014
- Outubro 2014
- Setembro 2014
- Agosto 2014
- Julho 2014
- Junho 2014
- Maio 2014
- Abril 2014
- Março 2014
- Fevereiro 2014
- Janeiro 2014
- Dezembro 2013
- Novembro 2013
- Outubro 2013
- Setembro 2013
- Agosto 2013
- Julho 2013
- Junho 2013
- Maio 2013
- Abril 2013
- Março 2013
- Fevereiro 2013
- Janeiro 2013
- Dezembro 2012
- Novembro 2012
- Outubro 2012
- Setembro 2012
- Agosto 2012
- Julho 2012
- Junho 2012
- Maio 2012
- Abril 2012
- Março 2012
- Fevereiro 2012
- Janeiro 2012
- Dezembro 2011
- Novembro 2011
- Outubro 2011
- Setembro 2011
- Agosto 2011
- Julho 2011
- Junho 2011
- Maio 2011
- Abril 2011
- Março 2011
- Fevereiro 2011
- Janeiro 2011
- Dezembro 2010
- Novembro 2010
- Outubro 2010
