Diretor do SAAE: o Rio Doce está completamente morto
Campos dos Goytacazes, 25/03/2026 18:34

Médico
Presidente do PT em Campos dos Goytacazes
Médico conselheiro do CREMERJ e CFM
*artigo publicado, ontem, 14/03, no jornal Folha da Manhã, Campos, RJ
Mais um ano se inicia e a Faculdade de Medicina de Campos fiel à sua vocação, dá as cartas na educação em Campos. Salve, salve!
[/caption]
Dr. Edilbert destaca, “A Sociedade Brasileira de Dermatologia orienta que a exposição solar deve ser evitada entre às 10h e 16h, fato não obrservado na prática e sim o inverso: a chegada de praxe à praia da família é por volta do meio dia”, frisa ele.
Bom lembrar, diz o colega, “Nós, dermatologistas também indicamos o uso do filtro solar em crianças com mais de seis meses de vida. Sua reaplicação é preconizada a cada duas horas”. Ou seja, cada mergulho é um “flash”.
Os cânceres cutâneos mais frequentes são o epitelioma basocelular, o epitelioma espinocelular e o melanoma. As suspeições da ocorrência procedem quando há o surgimento na pele de feridas, elevações, lesões sangrantes, “pintas” com mudança de cor ou formato, especialmente aquelas localizadas nas regiões expostas ao sol. Nesses casos, é aconselhável a busca de uma avaliação profissional médica, não obrigatoriamente de um dermatologista, dadas as notórias dificuldades que a população enfrenta em agendar uma rotineira consulta no SUS.
Ninguém gosta de ficar na fila de espera para qualquer atendimento. Permanece na fila porque é obrigado, já que a demanda é maior que a oferta e não por uma questão cultural. Para que as filas não existam é necessário adequar a oferta de acordo com a demanda, isto se chama planejamento.
Planejar não é tão difícil quanto parece. A saúde está um caos, exatamente por ausência de planejamento. Tem gente que diz que esta falta é intencional para que a população esteja sempre à espera de uma alma caridosa que venha resolver o seu problema de atendimento. Com isso, fica devendo favor e refém desta alma que, regra geral, é um político ou um cabo eleitoral dele. Me nego a acreditar nessa tese.
Em Campos, cidade de um orçamento bi-bilionário e vamos para o tri, não cabe a essa altura do campeonato filas, tampouco ameaças de fechamento de maternidades por falta de obstetras e pediatras, ou porque o quê se paga aos hospitais não cobre os custos. A saúde não tem preço, mas tem custos, e estes são mensuráveis. Sabe-se quanto custa uma seringa, um rolo de esparadrapo, e por aí vai. Recursos humanos têm que ser formados e, quando trabalham, dignamente remunerados. Isto também é dimensionável!
A falta de planejamento começa nos ministérios da Educação e da Saúde. É fácil saber a quantidade de generalistas e especialistas de que precisamos. Existem estudos epidemiológicos e estatísticos a respeito desses assuntos, no entanto, não se sabe ou não se divulga de quantos pediatras precisamos no Brasil. As tabelas do SUS, já é mais do que sabido, não cobrem os custos do atendimento, tanto ambulatorial quanto hospitalar, pior, não são corrigidas.
Deixemos de lado os ministérios e vamos nos ater à nossa paróquia. Em outubro de 2002 apresentei proposta para complementação aos hospitais e profissionais que atendem o SUS. Aprovada pela unanimidade dos vereadores, colocada em prática, na ocasião salvou os hospitais da falência. Passados 11 anos, ao invés de ajustá-la de acordo com a inflação e a dolarização – mat-med tem preço em dólar – fez-se o contrário e aí, volta e meia, estamos sujeitos ao fechamento de serviços médicos.
Temos uma faculdade de medicina, enfermagem e fisioterapia. Temos hospital escola, além dos filantrópicos e sem fins lucrativos, conveniados ao SUS. Vamos planejar e, definitivamente, acabar com as filas e ameaças de fechamento de serviços ou o que interessa é manter o trabalho das almas caridosas?
Dr. Makhoul, Médico e Conselheiro dos Conselhos Regional e Federal de Medicina
* Artigo pulicado no dia 31/10, na Folha da Manhã