MONTAGEM EM BUSCA DE UM PALCO
Por Talita Barros (capa da Folha Dois de quarta-feira, 24/07) O grupo teatral de Campos “O Pessoal do Oráculo” está em fase de preparação para a montagem da peça “The zoo story” (“A História do Zoológico”, em português), do norte-americano Edward Albee. Tendo como cenário o Central Park, em Nova York, a história é permeada pela influência do Teatro de Absurdo ao contar o drama do isolamento do homem, tema recorrente e atual. Sem incentivo do Poder Público municipal, o grupo pretende estrear em Campos em espaços da iniciativa privada e busca apoio em cidades vizinhas, como São Fidélis. Com direção e cenário do teatrólogo Antonio Roberto Kapi, maquiagem de Marcelo Azeredo, iluminação de Marcos Almeida, figurino de Dodó Cunha, produção de Luciana Portinho, os atores Yve Carvalho e Luiz Fernando Sardinha já se preparam para iniciar os ensaios. Na peça, eles vão representar os personagens Jerry e Peter, respectivamente, que dialogam em um banco de praça. Peter é bem apessoado, entretanto se mantém na média, seguindo o típico padrão de vida americana (american way of life), com família, bom emprego e boa casa. Já Jerry é seu oposto, sendo frequentador de grupos marginalizados socialmente. E o zoológico, título da encenação, se apresenta a partir do personagem Jerry, que acabou de chegar do Jardim Zoológico e tenta manter uma conversa com Peter, mergulhado em seu mundo muito bem ajustado. A peça, na verdade, acaba por ser metáfora com o ambiente da humanidade, onde é possível perceber a predominância da competição pela sobrevivência. O grupo pretende estrear em outubro e desde já tem buscado espaços alternativos para a apresentação em Campos, haja vista que, segundo Yve Carvalho, o Teatro de Bolso não terá espaço para o final do ano. — Tentamos agendar para novembro no Teatro de Bolso, mas o calendário não nos favorece. Na primeira e na terceira semana há feriados. E na segunda semana, o Teatro está reservado para um evento escolar. Para uma peça, é importante ter um mês corrido para as apresentações — disse Yve Carvalho. Já em São Fidélis, o próprio prefeito Luiz Fenemê se mostrou receptivo à proposta de apresentação da peça. O projeto é coordenado por Yve Carvalho. Segundo ele, o grande incentivador dessa montagem é o Luiz Fernando Sardinha, responsável pelo “Oráculo – Centro de Educação Continuada e de Qualificação Profissional”, do qual o grupo “O pessoal do Oráculo” faz parte. “O projeto está acontecendo por causa dele (Sardinha), que não consegue ficar longe desse universo do teatro”, disse Yve. Dentista, também com estudos em Psicologia e Psicanálise, Luiz Fernando Sardinha disse que a grande preocupação do Oráculo é formar um público atento à função primordial do teatro, que é a proposição de mudanças. — Nós já trabalhamos há alguns anos com o projeto coordenado por Yve e, como ele mesmo diz, o teatro vive do conflito, expressa angústias e diversos sentimentos — revelou. A produtora do espetáculo e repórter da Folha, Luciana Portinho reforça a importância do fomento às peças locais, que têm carecido do apoio do Poder Público. “As barreiras impostas ao setor da arte — por quem deveria fomentar a criação artística local — não são pequenas. Será uma parada produzir sem nenhum apoio cultural de quem existe, exclusivamente, para este fim. Vamos lá, isso mais uma vez não nos paralisará. Tenho certeza que contaremos com a colaboração dos empresários campistas que reconhecem a importância da nossa produção cultural no enriquecimento da vida”, disse.
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Aumentaram em muito os cargos comissionados ligados à cultura, sem nenhuma contrapartida visível em fomento cultural. O que tem sido visto é o mesmo do mesmo. As mesmas cabeças, pouca criatividade, nenhum arrojo, a mesma perseguição a quem se atreva questionar, exclusão dos que postulam espaço.
A fusão feita das três secretarias municipais, esporte, cultura e educação em uma só foi um retrocesso absurdo, tanto para a Cultura quanto para o Esporte. São duas áreas da vida humana em que o homem rompe barreiras, tangência o inimaginável, cria paradigmas outros. Tratar Cultura como educação é cortar as asas de um setor que por gênese veio para tirar da comodidade e incomodar. Nunca que a Arte terá voz nesse aleijão administrativo. Basta comparar o orçamento municipal da Cultura e da Educação ( mantida por repasse de razoáveis verbas federais). [caption id="attachment_6671" align="aligncenter" width="600" caption="Organograma da Cultura de Campos e valores."]
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Foi uma semana dura, mas, emblemática para o setor cultural de Campos. Como crises geram soluções, observemos o desenlace. Veja a reportagem completa no blog do jornalista Ricardo André, aqui.
Abaixo a reivindicação do pessoal da Cultura em Campos
(copiado da rede social Facebook)
Galera, estaremos A PARTIR das 17 hs em frente ao Museu, caracterizados e munidos de cartazes que sejam reivindicações referentes ao fazer teatral e suas necessidades!! Contamos com todos!!!!! Plena liberdade de expressão artística; > Espaços para as práticas teatrais para grupos locais; > Incentivos para montagens e criação de grupos de Teatro; > Formação qualificada de técnicos teatrais; > Manutenção de material técnico e estrutural dos teatros; > Preço acessível de ingressos dos espetáculos para a população. > Fomentação de Fóruns, seminários, festivais, congressos de âmbitos municipal, estadual e nacional; > Ações concretas e representativas do Conselho Municipal de Cultura; > Criação da escola Técnica de Teatro; > Devolução do Teatro de Bolso para a classe artística( que era uma proposta de campanha do atual governo); >Incentivo ao mercado de trabalho. Bom é isso!!! Esperamos contribuições. Vamos, todos! Levem seus Nelsons pra Rua!
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Acabei de saber que barraram uma peça do Nelson Rodrigues no Trianon. Se isso é verdade, a situação é pior do que eu imaginava. Mas também, o que esperar de uma cidade governada pelo Antigo Testamento? Teatro lotado pra ver "Kiko: O verdadeiro". (Adriano Moura, poeta, in Facebook, 09/07/13, às 22h13)
O que dizer de um povo que permitiu que demolissem o Trianon e construíssem uma caixa d’água de vidro? (Vilma Arêas, campista, escritora e Professora Titular da UNICAMP, em entrevista e este articulista)
Coisa feia, gente! Seria cômico se não fosse trágico, chavão muito usado, mas que cabe bem aqui. Estou em Campina Grande (PB), mas não posso deixar de me manifestar ante a censura à peça “Bonitinha, mas ordinária”, do famoso dramaturgo e cronista brasileiro Nelson Rodrigues, gênese do teatro moderno brasileiro, imposta pelo desgoverno de Campos dos Goytacazes. Soube, pelas redes sociais e blogs, ontem à noite, que a Fundação Teatro Municipal Trianon foi extinta e muitas outras coisitas, até ler o blog da Luciana Portinho, que falava da censura à peça do Nelson Rodrigues. Fui para o face e não se falava em outra coisa.
Pensei: Meu Deus, pode isso? Não será castigo para o povo campista, um povo já amaldiçoado por ter a frente do seu governo uma “Cantora Gritante”?
Pode sim. Vejam algumas preciosidades críticas que li no facebook:
1) "Os sete gatinhos", de Nelson Rodrigues já foi confundida com peça infantil. Agora barram "Bonitinha, mas ordinária". Quem sabe deixam passar "Álbum de Família" achando que é uma peça Gospel? (Adriano Moura, poeta);
2) “O Trianon Tem Dono? Quando se é dono de algo vc permite ou não. É um teatro particular e eu não sabia.”(Fernando Rossi, Diretor teatral e escritor);
3) “E Valsa N. 6 já foi confundida como peça de debutante, kkkk” (Guilherme Freitas);
4) “De repente ela libera a montagem de ''A mulher sem pecado''. É só falar que é uma homenagem a ela... : D”(ELA se refere à Prefeita de Campos)
Bem, ficaria aqui todo o dia enumerando a revolta dos mais chegados à cultura campista, dos diretores de teatro, produtores culturais entre outros tantos. Já faz tempo que digo que a cultura campista anda desgovernada e capenga. Corre a boca miúda que a Presidente do Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima é totalmente despreparada para dirigir a cultura em Campos dos Goytacazes. Está no cargo por ser uma pessoa ligada à música, ou melhor, a uma banda cujo dono tem um estúdio e tralálálálálá. O fato é que as pessoas já se manifestam: “Sabe pq aconteceu isso? Pq colocarm Patrícia Cordeiro, uma pessoa totalmente despreparada culturalmente para aprovar o que não entende. Kd Orávio de Campos? Será que alguém o consultou? Garanto que não pois esse sabe distinguir um clássico teatral.Cada macaco no seu galho, gente!!!!” (Mario Cesar, em comentário no Blog de Luciana Portinho). Orávio de Campos Soares, ex-secretário de Cultura, tanto faz como tanto fez! E agora? A boca miúda não se cala.
Luciana Portinho, ex-presidente da Fundação Cultural Oswaldo Lima e entusiasta da cultura, atualmente, atuando na área de cultura da Folha, posicionou-se: “Um vexame para Campos e para todo o Brasil . A PMCG, segundo publicado em redes sociais e blogs locais como o de Claudio Andrade, aqui, e em outros da Folha Online como aqui e aqui, suspendeu a apresentação da peça teatral “Bonitinha, mas Ordinária” do renomado teatrólogo Nelson Rodrigues. Iria se apresentar no Teatro Municipal Trianon.Se próximo estávamos de Sucupira, agora caímos nas graças do Feliciano.”
Rodrigo Vahia, integrante do Grupo Teatral Oito de Paus, que encenaria a peça censurada postou: “Liberdade? Que liberdade? De expressão, então... Não costumo postar textos de desabafo por aqui, porque particularmente acho que os problemas de cada um devem ser resolvidos na sua intimidade. Mas o ocorrido está além da minha, ou da intimidade de um grupo de artistas, do qual eu faço parte. Mas de todo um coletivo que acredita na livre troca de informação, produção de ideias e reflexões. Que acredita, mais do que na liberdade de escolha, no direito a escolha. Que acredita na liberdade de expressão. O fato que vou relatar aqui é GRAVE. Não pelo aspecto financeiro ou pelo descomprometimento. Mas pelo coronelismo e pelo cerceamento ao direito individual de liberdade. Além de, grosseiramente falando, ainda termos pessoas despreparadas e imbecis opinando e interferindo sobre políticas culturais, quando na verdade não deveriam nem estar varrendo rua, que é para não ofender os garis. Mas o fato é que o meu grupo de teatro teve a peça “Bonitinha, mas Ordinária” CENSURADA em Campos, pela Fundação Trianon, após a troca da sua presidência que resolveu rever os projetos já contratados. Simplesmente porque a peça de Nelson Rodrigues poderia ofender a prefeita Rosinha Garotinho, que é evangélica. Em pleno século XXI? Roubo, corrupção, lavagem de dinheiro através de ONGs, isso não ofende a atual prefeita, não é... Coitada, ela não deve saber dessas coisas... Ou deve rezar bastante e seu Deus a perdoa. Afinal, dinheiro não falta para pagar a própria redenção. Mas aí já não cabe a ninguém... Já que trata da individualidade dela. A questão é quando a individualidade de um governante interfere nas escolhas referentes ao coletivo. E é na minha opinião, a menos que eu esteja realmente ficando louco, INADMISSÍVEL, uma peça ser censurada porque pode desagradar esse ou aquele político!!! SE ALGUÉM CONCORDA COMIGO, POR FAVOR, COMPARTILHE ESSA MENSAGEM ATÉ QUE ELA CHEGUE À FUNDAÇÃO TRIANON EM CAMPOS. Não porque eu queira fazer a peça lá agora, porque sinceramente perdi a vontade. Mas porque acho digno mostrar também a essas pessoas que não vivemos mais em um regime absolutista e que não se faz política, nem muito menos arte, com a opinião ou aprovação de quem quer que seja. Nem de Deus. Quiçá de uma rosa.”
Pois é. “Um galo sozinho não tece a manhã;/ Ele precisará sempre de outros galos/ De um que apanhe esse grito que ele/ e o lance a outro; de um outro galo/ que apanhe o grito de um galo antes/ e o lance a um outro [...] (João Cabral de Melo Neto).
Para não chorar, moral da história: Qual o esporte preferido das cantoras? Lançamento de discos! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!
Texto de autoria do Dr. Deneval Siqueira de Azevedo Filho. Professor Associado de Teoria e História Literária. Departamento de Línguas e Letras. Centro de Ciências Humanas e Naturais. Programa de Pós-graduação em Letras - Doutorado e Mestrado em Estudos Literários. Universidade Federal do Espírito Santo. Inscrições abertas para a primeira edição do Prêmio Literário de Macaé
Está lançada a primeira edição do Prêmio Literário Universitário de Macaé (Pluma). O Pluma foi criado aproveitando a comemoração dos 200 anos do município e o centenário de Vinícius de Moraes. Está aberto a todos os poetas - brasileiros ou não - residentes no Estado do Rio de Janeiro por mais de dois anos e que sejam estudantes universitários, graduandos ou pós-graduandos. As inscrições foram abertas na segunda-feira, 10 de junho, podem ser feitas gratuitamente até o dia 10 de agosto. O Prêmio é uma iniciativa da Fundação Educacional de Macaé (Funemac). [caption id="attachment_6515" align="alignleft" width="300" caption="Ft. Google"]
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O objetivo é abrir espaço na Literatura do Estado do Rio de Janeiro para que estudantes universitários, poetas e/ou performers possam mostrar seus talentos, é o que esclarece o organizador, o professor, publicitário e jornalista, Gerson Dudus.
- A ideia surgiu das muitas críticas que se ouvem a respeito da nova geração. Nelas, afirma-se que os jovens atuais não curtem coisas boas, só ouvem música de má qualidade. O Prêmio tem papel de fomento cultural, ocupa uma lacuna no estado, não existe outro afim. Partimos da premissa de que poesia é fundamental na cultura. O Rio de Janeiro tem excelentes poetas, vários já publicando – diz Gerson Dudus.
A proposta é promissora e ampla. Quer ajudar a formar a nova geração de estudantes. Já na segunda edição, em 2014, o Pluma contemplará a narrativa curta. Em anos próximos, outros gêneros literários entram. “Décadas atrás, havia o Prêmio Nascente, era o Prêmio Universitário de Artes da USP, vamos tentar”, fala o organizador confiante.
É um projeto inovador, junta as diferentes faculdades e públicas. Para quem não sabe, Macaé tem área física exclusiva à vida universitária, é o Campus Universitário. Por enquanto, integra geograficamente a UFF, a UFRJ e a Femass (Faculdade Professor Miguel Ângelo da Silva Santos) que é uma faculdade municipal pública. No ano próximo está prevista a chegada da Uni Rio ao campus, também. Nos dias atuais, o município conta com 16 cursos universitários ativos. Um dos objetivos da Funemac - além da disseminação do conhecimento puro e simples -, é a partir do evento integrar culturalmente o campus.
O formato do concurso é bacana. Haverá performance na apresentação final, “Não chamo de poesia falada, pois acho pobre”, frisa Dudus. Dos inscritos serão selecionados, na 1ª fase, 20 poemas, esses integram a publicação da antologia. Destes 20 poemas sairão 10 concorrem às melhores performances que se transformarão em – na fase final- em o DVD que acompanhará a publicação. Os três melhores autores terão sua produção poética publicada e livro exclusivo do autor. “O projeto final é então uma caixinha que contém a Antologia, os três livros e o DVD”, simplifica o professor.
Como fazer
O tema é livre. Os trabalhos inéditos (não impressos anteriormente), apresentados em língua portuguesa e cada interessado poderá inscrever um poema. O original assinado será remetido com pseudônimo, em cinco vias digitadas na fonte Times New Roman, corpo 12, espaço dois, em folha no formato A4. Os envelopes com os trabalhos lacrados e endereçados ao Prêmio Literário Universitário de Macaé (Pluma), Funemac, na Rua Aloísio da Silva Gomes, 50 – Coordenadoria de Cultura, 3º andar, Cidade Universitária, Bairro Granja dos Cavaleiros - Macaé/RJ - CEP: 27930-110. Para subscritar, o remetente deverá usar apenas o pseudônimo.
A ficha de inscrição, identificação do autor e autorização para publicação dos trabalhos, caso sejam selecionados entre as semifinalistas, e outras informações necessárias, deverão ser enviadas juntas, em outro envelope lacrado.
A data limite das inscrições é o dia 10 de agosto de 2013 e terão como data válida o dia de postagem nos Correios na cidade de origem. O poema deve ser remetido por via postal, mediante carta registrada.
Luciana Portinho
Capa da Folha Dois, segunda (17/06).
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Por si, a história do livro vai atrair. Passa-se no inferno. Levanta polêmica. É latina. Através da mágoa de Lúcifer, que se considera o filho preterido, pois afinal, “Se tudo é criação de Deus, também faço parte dele”, crê o personagem. Na ficção, Lúcifer aparece como um apaixonado de-le. Os outros querem culpa-lo por tudo de ruim que acontece. “Pretendo debater algumas coisas, entre elas, a responsabilidade de cada um, na mesma linha de Sartre em a afirmação célebre, “O inferno são os outros”, fala Adriano.
Na trama, um sobrevoo na era cristã, em dois mil anos de história — três líderes religiosos vão ao inferno, seduzem Lúcifer pela vaidade para que participe de um Reality Show. São investidos bilhões de dólares no programa. Querem que assuma crimes como o de ter sido torturador na ditadura militar brasileira, o responsável pela pedofilia e sedução de menores nas hostes da Igreja, um médium charlatão. Os fatos são tratados como ficção, o narrador usa a linguagem de direção de teatro, uma ficção (ou realidade) dentro da ficção. Ele vira o jogo, no julgamento público; se torna réu e, através de um controle remoto universal passa a disparar as barbaridades e hipocrisias dos que o acusam em imagens diretas — posts — exibidas nas telas do mundo inteiro.
— Um reality show, o BBB, por exemplo, é editado, roteirizado. Quem está lá interpreta 24h, é ficção pura — alerta. Na realidade quando em setembro o livro impresso chegar às livrarias, 40% dele, poderá ter sido lido virtualmente através do sítio eletrônico, www.ojulgamen-todelucifer.blogspot.com.br. Nele, semanalmente é baixado um capítulo. “A sociedade está mediatizada, se ninguém ouviu falar em você no ambiente virtual, você não existe. Esta prática também é adotada pela música e o cinema. Se você não está no écran é como se não existisse. Os repetidos vídeos em que pessoas aparecem cantando, dançando, fazendo uma palhaçada qualquer, atestam essa realidade. São os tais 15 minutos de fama do Andy Warhol”, frisa ele. Além disso, o livro que já foi peça teatral, “fiz o caminho inverso”, volta em Campos ao palco como dramaturgia e como debate. Adriano quer montar uma mesa com um espírita, um católico e um evangélico, ele corre atrás de patrocínio. O livro está em fase de produção, nele o escritor não pode mais fazer alterações, só revisões gramaticais. “É gostoso escrever o livro. Chega o momento de dar fim, enviar à editora e esquecer, pois senão a cada leitura que faço altero alguma coisa”, conta demonstrando total prazer na escrita. “O poder de criar vida nos personagens, de manipular a vida deles é meio de criação mesmo, de Deus. O personagem ganha vida própria, a gente quer mudar o rumo e ele não deixa”, elucida. Adriano se expande ao falar do ato de escrever, “Não acredito em inspiração e sim em ideias. As ideias já estão aí, são pré-ideias. O autor as pega, brinca com o som, imprime sentido. A literatura é imagem. Palavra criando imagem é como manusear a imagem. “O Julgamento de Lúcifer” levou cerca de um ano e meio para ser escrito. Ele gosta de escrever de manhã, com a cabeça fresca. Perde ideias? “Muita coisa. O que toma tempo não é escrever a história. Ela está escrita e aí você começa a buscar a palavra, a encontrar a forma, a sintaxe da frase, a escolha do verbo certo. São semanas, é algo meio esquizofrênico, um monte de personagem falando. Se o som não agrada, mudo tudo”, relata. A aposta é que divirta muita gente. “Se vai vender ou não é sem controle. Sei que o mercado editorial é difícil para o autor desconhecido”. É boa aposta. Luciana Portinho (Capa da Folha Dois de ontem, domingo, 16/06)Sobre o autor
Luciana Portinho
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