
(AP Photo/Daniele La Monaca, File) Europe Migrants The Boats[/caption]
A nacionalidade dos imigrantes não foi oficialmente divulgada ainda que se saiba que a maioria é africana e que há sírios em grande quantidade. Todos foram conduzidos a Itália.
Nos primeiros quatro meses de 2015, mais de 1750 pessoas morreram ao tentar atravessar o mediterrâneo, sem conseguirem chegar a solo europeu. O número assusta. É 20 vezes maior se comparado ao período equivalente em 2014. No ano passado, segundo a ONU, através de sua agência de refugiados, foram 3.419 imigrantes que perderam a vida tentando fazer a travessia. De acordo com as projeções divulgadas pela Organização Internacional para as Migrações, 30 mil imigrantes poderão morrer este ano no Mediterrâneo.
Para um mar que já foi berço de civilizações humanas a continuar assim se transformará em cemitério de refugiados.
Fonte. Le Figaro Assim descreveu Luz - um dos poucos caricaturistas que sobreviveu à matança aos jornalistas da então pequena publicação satírica francesa Charlie Hebdo - autor da nova capa do exemplar que foi às bancas, hoje, quarta-feira, 25/02. No desenho, um cãozinho com o jornal entre os dentes perseguido por uma matilha furiosa representada, entre outros, por um cardeal, um jhadista com um fuzil entre os dentes, pelo representante da extrema direita francesa Le Pen, pelo ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, por um banqueiro e pelo microfone da rede televisiva BFM-TV.
Após uma parada de seis semanas terá tiragem de 2,5 milhões de exemplares. "C'est reparti!", ou "Aqui estamos de volta", brada o hebdomadário. " Estou contente de ter feito algo alegre", disse Luz, autor também da capa "Tudo está perdoado" editado logo após o massacre que trucidou a redação do Charlie Hebdo, por terroristas islâmicos no mês de janeiro , ver aqui e aqui. O desenhista se disse radiante de ter desenhado animais, sobretudo cachorros: são animais irresponsáveis e submissos. Irresponsável é o Charlie. Submissos são todos os demais que correm atrás dele", descreveu Luz em entrevista à imprensa francesa.
A equipe de redação sobrevivente quis demonstrar que a vida retoma seu curso e promete após está interrupção de seis semanas a retomada do ritmo normal com o reforço, inclusive, de dois novos caricaturistas. Para um jornal que antes do massacre, colocava nas bancas 50 mil exemplares e que agora atinge nada menos do que 200 mil assinantes, o ofício de expor a realidade com absoluta irreverência, livre do tradicional puxa-saquismo da grande imprensa tem que continuar.
O terrorismo, a extrema-direita e o suicídio europeu |
O ato terrorista contra os jornalistas do Charlie Hebdo é apenas a ponta do iceberg. A Europa inteira está assentada sobre uma bomba-relógio. |
O ato terrorista contra os jornalistas do Charlie Hebdo francês, em Paris, que também provocou a morte de um funcionário da revista, de dois policiais no ato e possivelmente de mais um em tiroteio posterior, é apenas a ponta de um iceberg.
A Europa inteira está assentada sobre uma bomba-relógio. Não é uma bomba comum, porque casos como o do Charlie Hebdo mostram que ela já está explodindo. Nas pontas da bomba estão duas forças antagônicas, com práticas diferentes, porém com um traço em comum: a intolerância herdeira dos métodos fascistas de antanho. De um lado, estão pessoas e grupos fanatizados que reivindicam uma versão do islamismo incompatível com o próprio Islã e o Corão, mas que agem em nome de ambos. Os contornos e o perfil destes grupos estão passando por uma transformação – o que aconteceu também nos Estados Unidos, no atentado em Boston, durante a maratona, e no Canadá, no ataque ao Parlamento, em Ottawa. Cada vez mais aparecem “iniciativas individuais” nas ações perpetradas. Este tipo de terrorismo se fragmentou em pequenos grupos – muitas vezes de familiares – que agem “à la cria”, como se dizia, em ações que parecem “espontâneas” e até “amalucadas”, mas que obedecem a princípios e uma lógica cuja versão mais elaborada, para além da “franquia” em que a Al-Qaïda se transformou, é o Estado Islâmico que se estruturou graças à desestruturação do Iraque e da Síria. São fanáticos que negam a política consuetudinária como meio de expressão de reivindicações e direitos: negam, no fundo, a própria ideia de “direitos”, inclusive o direito à vida, como fica claro no gesto assassino que vitimou o Charlie Hebdo. Do outro, estão os neofascistas – ou antigos redivivos – que se agarram à bandeira do anti-islamismo também fanático como meio de arregimentar “as massas” em torno de si e de suas propostas. Agem de acordo com as características próprias dos países em que atuam, mobilizando, de acordo com as circunstâncias, as palavras adequadas. No Reino Unido, criaram o United Kingdom Independence Party – UKIP, Partido da Independência do Reino Unido, nome malandro que oculta e ao mesmo tempo carrega a ojeriza pela União Europeia. Na França têm a Front Nationale da família Le Pen, que mobiliza o velho chauvinismo francês que lateja o tempo todo desde o caso Dreyfus, ainda no século XIX. Na Alemanha é feio ser nacionalista alemão, desde o fim da Segunda Guerra. Então criou-se um movimento – PEGIDA – que se declara de “Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente”, procurando uma fachada pseudamente universalista para seus preconceitos anti-Islã e anti-imigrantes. Esta, aliás, é a bandeira comum destes movimentos: fazer do imigrante ou do refugiado político ou econômico o bode-expiatório da situação de crise que o continente vive, assim como no passado se fez com o judeu e ainda hoje se faz com os roma e sinti(ditos ciganos). Na Itália este fascismo latente se organiza com o nome de “Liga Norte”, mobilizando o preconceito social contra o sul italiano, tradicionalmente mais empobrecido. São movimentos que, embora busquem por vezes o espaço da política partidária, como é o caso do UKIP e da Front Nationale, ou mesmo da Liga Norte, têm como cosmovisão a negação da política como espaço universal de manifestação de direitos e reivindicações. Negam a política como campo de manifestação das diferenças, barrando ao que consideram como alteridade o direito à expressão ou mesmo aos direitos comuns da cidadania. O exemplo histórico mais acabado disto foi o próprio nazismo que, chegando ao poder pelas urnas, fechou-as em seguida. O caldo de cultura em que vicejam tais pinças contrárias à vigência dos princípios democráticos é o de uma crise econômico-financeira que se institucionalizou como paisagem social. Na Europa a tradição é a de que crises deste tipo levam a saídas pela direita. O crescimento do UKIP e da Front Nationale, partidos mais votados nas respectivas eleições para o Parlamento Europeu, em maio de 2013, é eloquente neste sentido. Na Alemanha as manifestações de rua do PEGIDA vêm crescendo sistematicamente, atingindo o número de 18 mil pessoas na última delas, na cidade de Dresden, reduto tradicional de manifestações nostálgicas em relação ao passado nazismo devido a seu (também criminoso) bombardeio ao fim da Segunda Guerra pelos britânicos. Deve-se notar, como fator de esperança, que manifestações contra estas formas de intolerância – o terrorismo que reinvindica o Islã como inspiração e os movimentos de extrema-direita – têm tomado corpo também. Houve manifestações de solidariedade aos mortos na França em várias cidades europeias e na Alemanha manifestações contra o PEGIDA reuniram milhares de pessoas em diferentes cidades. Mas pelo lado da exprema-direita cresce a aceitação de suas palavras de ordem na frente institucional (líderes do novo partido alemão Alternative für Deutschland têm acolhido reivindicações do PEGIDA) e junto à opinião pública. Na Alemanha recente pesquisa trouxe à baila o dado preocupante de que 61% dos entrevistados se declararam “anti-islâmicos”. Como ficou feio alegar motivos racistas, o que se alega agora no lado intolerante é a “defesa da religião” ou a “incompatibilidade cultural”. Os assassinos do Charlie Hebdo gritavam – segundo testemunhas – estarem “vingando o profeta”, referência a caricaturas de Maomé consideradas ofensivas. Na outra ponta jovens da Front Nationale, também no ano passado, recusavam a pecha de racistas e declaravam aceitar o mundo muçulmano – em “seus territórios”, não na Europa agora dita “judaico-cristã”, puxando para seu aprisco a etnia ou religião que a extrema-direita europeia antes condenava ao ostracismo, ao campo de concentração e ao extermínio. Os partidos e políticos tradicionais, em sua maioria, estão brincando com fogo, sem se dar conta, talvez. Não aceitam o reconhecimento, por exemplo, que grupos por eles apoiados na Ucrânia são declaradamente fascistas, homofóbicos e até antissemitas. Preferem exacerbar o sentimento antirrusso e anti-Putin. Durante mais de uma década as duas agências do serviço secreto alemão concentraram-se em esmiuçar a vida dos partidos e grupos de esquerda (além dos possíveis terroristas islâmicos) e negligenciaram criminosamente o controle sobre os grupos e terroristas alemães. No momento o “grande terror” que se alastra no establishment europeu não é o de que a extrema-direita esteja em ascensão, embora isto também preocupe, mas é o provocado pela possibilidade de que um partido de esquerda, o Syriza, vença as eleições na Grécia (marcadas para 25 de janeiro), forme um governo, e assim ponha em risco os sacrossantos pilares dos planos de austeridade. Nega-se o pilar da democracia: contra o Syriza agitam-se as ameaças de expulsão da Grécia da zona do euro e até da União Europeia; ou seja, procura-se castrar a livre manifestação do povo grego através da chantagem política e econômica. Se as coisas continuarem como estão, poderemos estar assistindo o suicídio da Europa que conhecemos. O que nascerá destes escombros ainda se está por ver, mas boa coisa não será, nem para a Europa, nem para o mundo. (*) Originalmente publicado no Blogue do Velho Mundo, na Rede Brasil Atual. Fonte: aqui
"A única maneira para uma pessoa, uma família, uma sociedade crescer, a única maneira para fazer avançar a vida dos povos é a cultura do encontro; uma cultura segundo a qual todos têm algo de bom para dar, e todos podem receber em troca algo de bom", completou o Papa Francisco.
fonte: G1, foto Globo News
Edward revelou as atividades de monitoramento da NSA sobre milhões de usuários de telefones e internet, incluindo dos sites Google e Facebook, nos Estados Unidos, deixou seu hotel em Hong Kong horas depois de aparecer em um vídeo divulgado no domingo. Está escondido em algum canto para não ser extraditado.
Sabe que será execrado publicamente pelo EUA, isolado como maluco ou terrorista, condenado e preso. Seu crime? Discordar, se arrepender, entrar em crise de consciência por prestar serviço técnico em um plano rotineiro de ‘segurança’ que aos vasculhar os passos virtuais dos indivíduos destrói até mesmo a sombra da possível privacidade e liberdade básica.
Arapongagem da mais alta esfera, desnudada pelo jovem decidido a ser coerente com os valores morais da vida em sociedade e não do poder. O ato vai dar ainda pano para manga. Em minha opinião Edward terá três saídas: o exílio, morrer ou ser trucidado psicologicamente.
Por mais diretrizes e valores a nos sustentar e guiar, ao nosso mundo raro comparecem os irretocáveis. Quem tem um norte, sabe mais do que ninguém o quão distante está. lp
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Luciana Portinho
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