Campos dos Goytacazes, 25/03/2026 10:29
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Luís Perequê (foto de André Conti)[/caption]
Intitulado “Música na Praça”, o show de abertura da Flip 2015 reúne Luís Perequê, o grupo cirandeiro Os Caiçaras e a cantora Dani Lasalvia, voltados para a arte popular -- tema recorrente na obra do homenageado Mário de Andrade (1893-1945). O autor e musicólogo foi um desbravador da música popular de raiz do Brasil, apontando suas pesquisas para ritmos indígenas, músicas africanas, acalantos, ranchos, modinhas, cirandas. O show, gratuito, acontece ao lado da Igreja Matriz, na quarta-feira (1º de julho), às 21h30, após a sessão de abertura da festa literária.
Apresentando canções de sua autoria, Luís Perequê abre a noite. Na sequência, uma convidada do artista caiçara ganha a Tenda da Flipinha, a cantora Dani Lasalvia – que interpreta algumas das canções coletadas por Mário. A ciranda, que o escritor modernista chamou de “dança dramática”, estará representada pelo grupo Os Caiçaras.
Programação da FlipMais é totalmente gratuita
A programação da Flip transborda os limites da Tenda dos Autores e se espalha pela cidade. Marcadas pela diversidade, as atividades da FlipMais combinam literatura, cinema, teatro, arquitetura, artes plásticas e políticas públicas, que ocupam a Casa da Cultura de Paraty e, pela primeira vez, a Capela Nossa Senhora das Dores, a Capelinha – tudo com entrada gratuita.
Debates sobre preço fixo do livro e produção de poesia, além de espetáculos que trazem para cena o feminismo e a linguagem contemporânea do circo, compõem a grade da FlipMais. Confira a programação completa aqui.
ascom([email protected])
Ft. Artur Gomes[/caption]
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Poética
para Dudu Linhares
pássaro pluma
voa leve pluma voa
sobre o barco/pássaro
flutuando na lagoa
Artur Gomes
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
[...]"
EDUARDO ALVES DA COSTA
Niterói, RJ, 1936 Fotografias Luciana Portinho
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Não sendo aceita, por desonrar a moral rígida dos valores dominantes masculinos, é vista como mais uma prostituta. Umay parte novamente e novamente. Mais do que não ser protegida pelos pais e irmãos, é por eles rejeitada, vira saco de pancadas, é perseguida. Ainda que ame a mãe e a ela recorra por abrigo, a mãe é a síntese do que Umay não quer para sua vida: dependência e submissão.
Com tom baixo e poucos diálogos, o filme se desenrola nas expressões faciais. Estas revelam o quanto de sofrimento no impasse entre sentimentos que reprimidos sucumbem à necessidade externa de aceitação social; geram a desgraça.
Assisti “Quando Partimos”(Die Fremde), sem maior pretensão. Colada fiquei ao dilema da jovem mulher Umay, na ingenuidade de supor que conseguiria se afirmar em ambiente sociocultural hostil. Há nela uma teimosa esperança, a de que pela sinceridade do seu tão genuíno propósito, vitoriosa seria. Não foi. A mesma família que a criou a destrói. Do laço da fraternidade sonhada veio a lâmina que mata seu amor incondicional, o menino Cem, aconchegado em seu colo.
Li depois a crítica, cobra do personagem um maior desligamento de seu núcleo familiar, poderia tê-la poupado. Discordo da análise racional. A história de Umay é poética. Nela, a poesia da vida que nos move ou que nos detém. Remete-nos à angustia provocada pelo choque cultural entre uma estúpida moral e os legítimos anseios individuais, nada imorais, e que ao cabo é fonte da infelicidade humana nos desencontros absurdos que a vida social estabelece.
Candidato da Alemanha a uma vaga no Oscar 2011, Die Fremde (Quando Partimos) estreou no Festival de Berlim em fevereiro de 2010. Depois, o filme passou por outros sete festivais, incluindo o de São Paulo. Direção da atriz austríaca Feo Aladag.
Um bom longa, desperta reflexões. O desfecho me causou silencioso choro. Triste. Recomendo.
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Não tenho bota,
não tenho chapéu,
não tenho batalhão.
Perdi meu bastão.
A única coisa que tenho
é um pedaço de ferro velho
que vai me criar coragem
para eu entrar no cemitério.
Sophia Vianna (senhorinha, amada neta de oito anos)
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O poeta Pablo Neruda que também foi diplomata e senador pelo Partido Comunista, morreu em 1973, 12 dias depois do golpe que derrubou seu amigo, o presidente socialista Salvador Allende. No dia seguinte à sua morte, Neruda viajaria ao México, onde pretendia se exilar e mobilizar a oposição de Augusto Pinochet.
Na mesma Clínica Santa Maria, para onde ele foi transferido e veio a falecer, outros casos reforçaram as suspeitas de envenenamento. Nove anos depois, nesta clínica, o ex-presidente Eduardo Frei Montalva (1964-1970) morreu devido a uma "introdução gradual de substâncias tóxicas", segundo determinou a justiça em um caso que permanece em aberto. Frei - que na época surgia como um dos maiores adversários de Pinochet - deu entrada na Clínica Santa Maria para o tratamento de uma hérnia, morreu subitamente pouco depois devido à septicemia.
"Este aniversário vivemos com muita tensão. Estamos muito atentos aos resultados dos testes de toxicologia", disse à AFP Rodolfo Reyes, sobrinho de Neruda e advogado no caso.
Os serviços secretos da ditadura de Pinochet (1973-1990) desenvolveram armas químicas como sarin, soman e tabun, para usar contra países inimigos e opositores.
A ditadura brasileira forneceu ao Chile, entre os anos 1970 e 80, neurotoxina botulínica, uma poderosa arma química que provoca a morte por asfixia. Vestígios desta substância foram encontrados no Instituto de Saúde Pública do Chile há cinco anos pela então diretora Ingrid Heitmann.
O Chile ainda investiga a extensão do uso de tais armas na ditadura que deixou 3.200 mortos.