Caiu
18/09/2015 | 10h06
Lembram-se daquele kit de primeiro socorros que todo mundo tinha que comprar lá nos idos 1998? Era obrigatório ter uma caixinha daquelas em cada veículo. Um ano depois da lei entrar em vigor e que deve ter rendido uma boa receita para alguns, finalmente caiu. Ontem (17), também caiu a obrigatoriedade (desde 1970) do extintor de incêndio nos carros particulares. Permaneceu a exigência do porte veículos de transporte coletivo e nos de carga. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) decidiu abolir o  uso do extintor de incêndio em carros, caminhonetes, camionetas e triciclos de cabine fechadas, passa a ser opcional, ou seja, a falta do equipamento não mais será considerada infração nem resultará em multa. [caption id="" align="alignleft" width="450"]Extintor de incêndio em carros não será mais obrigatório Luiz Armando Vaz/Agência RBS Foto: Luiz Armando Vaz / Agência RBS[/caption] O Brasil era um dos poucos países que obrigava automóveis a ter o extintor. Na Europa e no Estados Unidos não. Segundo nota do Contran, "A mudança na legislação ocorre após 90 dias de avaliação técnica e consulta aos setores envolvidos. O uso do extintor sem preparo representa mais risco ao motorista do que o incêndio em si". Também, de acordo com o Contran, a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) informou que dos 2 milhões de sinistros em veículos cobertos por seguros, 800 tiveram incêndio como causa. Desse total, apenas 24 informaram que usaram o extintor, equivalente a 3%. Menos um gasto para o brasileiro, menos um lixo.      
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Bastão
08/09/2015 | 05h20

O que os "selfies" revelam sobre o mundo atual

Artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, em 30/08. Vale a leitura! RESUMO Mais que mera versão atualizada do consagrado gênero do autorretrato, os "selfies" se impõem como signo da revolução digital. Ironicamente, em um mundo marcado pela alta tecnologia, o homem contemporâneo tem como "gadget" favorito um tosco bastão, cujo benefício último é dispensar a interação com estranhos.
"Autorretrato em Espelho Convexo" (1524), de Girolamo Francesco Maria Mazzola, mais conhecido como Parmigianino
"Autorretrato em Espelho Convexo" (1524), de Girolamo Francesco Maria Mazzola, mais conhecido como Parmigianino
Mesmo os pouco observadores devem ter notado um novo aparelho na temporada de férias. Tecnologia de ponta? Só no sentido mais estritamente literal. Neste ano, o "pau de selfie", monopé que permite tirar autorretratos, conquistou o mercado dos viajantes. Não deixará de surpreender que em pleno 2015 o homem tenha redescoberto a utilidade tecnológica de um bastão. Na pré-história, o homem vagou pelos bosques apoiando-se nele; milhares de anos depois, a moda volta, de forma distorcida: o instrumento que servia para conectar o homem com o que estava sob seus pés –a terra– e o apoiava, literalmente, para abrir passo pelo mundo se converteu em uma ligação com o mundo superior. Se eu não me vejo, como sei que existo? Esse novo cajado nos permite uma perspectiva aérea da existência. O filósofo alemão Peter Sloterdijk explica que aquilo que nós entendemos por tecnologia é uma tentativa de substituir os sistemas imunológicos implícitos por sistemas imunológicos explícitos. Em nossa época, os sistemas de defesa que criamos procuram nos isolar de um exterior que se nega a ceder à tendência individualista da sociedade. Por isso andamos de um lugar a outro sem renunciar nunca a nosso mundo: nos transformamos em uma sociedade de caranguejos-eremitas, carregando no lombo nossas casas. Sentados entre centenas de passageiros, nos protegemos, com nossos fones de ouvidos, celulares e vídeos, do encontro com o exterior. Agora, o "pau de selfie" nos permite tirar fotos sem a incômoda necessidade de interagir com estranhos. Nos transformamos em seres autossuficientes e, em decorrência disso, necessariamente antissociais. A máxima ironia do mundo globalizado é a crescente insularidade do indivíduo. Como o exterior é impessoal, nos embrenhamos no interior; como a comunidade nos debilita, a individualidade se torna preponderante; é assim que a casa familiar dá lugar ao apartamento individual –e a autogamia moderna surge. O grande balão da globalização explodiu em milhares de bolhas comprimidas, que voam juntas, sem, no entanto, se roçarem. O fenômeno do "selfie" responde a essa condição insular e por isso se arraigou como a manifestação estética da revolução digital. O isolamento do indivíduo é tal que, liberto do voyeurismo, teve de conceber um autovoyeurismo: nos tornamos paparazzi de nós mesmos. O "selfie" procura esconder nossa natureza isolada e solitária sob o verniz da felicidade e do gozo. ORIGENS As origens mais remotas do fenômeno, contudo, expõem sua natureza. Em 1524, o pintor italiano Parmigianino (1503-40) se autorretratou com o auxílio de um espelho convexo. O efeito é alucinante: mais que um autorretrato, a pintura de Parmigianino é uma indagação a um mundo interior atormentado. O olhar do autor é sereno, mas incômodo, mais adequado ao mundo das "hashtags" que ao da pintura renascentista. Séculos depois, em outubro de 1914, aos verdes 13 anos de idade, a princesa Anastácia da Rússia subiu em uma cadeira em frente a um espelho e fotografou seu reflexo. O resultado causa calafrios: a princesa lembra um fantasma. Ambas as imagens ressaltam a condição solitária do "selfie". A discussão sobre o significado desse fenômeno tem muitas vertentes. O "selfie" já foi explicado como uma ferramenta de "empoderamento", como vão narcisismo ou como um desesperado grito de ajuda lançado ao vazio da aldeia digital. Outros sugeriram que se trate das três coisas ao mesmo tempo. Um pedido de atenção em um mundo onde a atenção equivale ao poder. O "selfie", no entanto, tem também um sentido de autoconstrução. Permite ao indivíduo moldar a narrativa de sua vida e, assim, nos transformou em promotores de nossa própria marca. Não se trata simplesmente de que o indivíduo queira ostentar a "perfeição" de sua vida, mas de ele mesmo querer acreditar em sua invenção. O "selfie" permite adequar a realidade a suas próprias expectativas. Em um mundo altamente tecnológico, o "pau de selfie" se destaca pelo aspecto tosco. Os que esperavam carros voadores e lentes multifuncionais se viram decepcionados pela realidade: o invento mais popular do ano é um bastão. Atrás dessa aparente simplicidade, porém, se esconde uma revelação profunda sobre o mundo contemporâneo. Como o velho cajado que amparou nossos antepassados, o "pau de selfie" nos oferece segurança diante de um mundo perigoso. Não é só a nossa proteção no isolamento mas uma resposta a essa angústia do ser humano contemporâneo –a de constatar sua própria existência.

Texto de EMILIO LEZAMA, 28, escritor, diretor da revista "Los Hijos de la Malinche" (loshijosdelamalinche.com) e colabora com textos sobre comunicação global e política em jornais dos EUA, México, Espanha, França e Brasil.

Tradução de FRANCESCA ANGIOLILLO, 43, editora-adjunta da "Ilustríssima", Folha de São Paulo.

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Obceno?
19/08/2015 | 11h52
Como naquele caso do cidadão que perdeu o "juízo" há semanas e quebrou a agência bancária no Rio de Janeiro, a cidadã mato-grossense da foto abaixo se enfureceu e tirou a roupa na porta de detector de metais em outro banco. Chose de loque. Enfim, quem enfrenta as barreiras do cotidiano está sujeito a ter seu dia de fúria, e certamente depois se arrepender, mas, aí já foi. A empresária Zenilda Duarte, de 52 anos, irritada por ter sido barrada na porta de detector de metais de uma agência bancária em Aquidauana, a 131 quilômetros de Campo Grande. Ela tirou as roupas e ficou seminua. "Cheguei ao banco com dois minutos para abrir e, na fila, já fui tirando tudo que não pode entrar, como óculos, moeda. Tudo que sei que não pode eu tirei e já coloquei em uma caixinha. Fui tentar passar pela porta e não consegui. O guarda pediu para eu tentar novamente e não consegui. Me dirigi ao funcionário do banco e disse tudo o que tinha na minha bolsa. Tinha uns objetos da igreja e ele disse que era aquilo que estava atrapalhando. Tirei os objetos, tentei de novo e não consegui", contou a empresária.   Em rede social mulher fez desabafo e publicou própria foto seminua (Foto: Reprodução Facebook) Resumindo Nos relatos que prestou à polícia, ela pediu para um funcionário checar que não havia na bolsa pertences perigosos ou que fossem de acesso proibido e mesmo após o procedimento, ela foi barrada e impedida de entrar na agência. Resultado: se exaltou com a situação e tirou a roupa. De acordo com o delegado titular da 1ª Delegacia de Polícia Civil (DP) da cidade, Mário Donizete, a empresária responderá por ato obsceno. “Eu me arrependi depois, mostrei meu corpo, mas naquela hora foi uma revolta muito grande, uma má vontade de atender a gente”, ressaltou a cidadã. Aqui em Campos, é comum o cliente de uma mesma agência bancária enfrentar tal entrave. Apesar de saber que portas do tipo existem para nos oferecer segurança, é de estranhar: há dias em que nos permitem entrar com tudo dentro da bolsa e outros em que nem um parafuso passa e as filas nas portas se formam e crescem. Vai entender!
Fontes: Facebook e G1
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Onda de colorir chega às cuecas
25/07/2015 | 03h36
Cueca da Trave Underwear: aposta para o dia dos pais Foto: Reprodução/Facebook Febre do mercado editorial brasileiro depois do livro "Jardim Secreto", da ilustradora britânica Johanna Basford, a sugestão de colorir cuecas é lançada pela marca de underwear friburgense "Trave Underwear". A nova coqueluche nacional de colorir livros, criticada por alguns intelectuais como Zuenir Ventura, "Ainda vamos sentir saudades dos edificantes compêndios de autoajuda, por sua profundidade", é mesmo um filão comercial. Segundo o 3º Painel das Vendas de Livros do Brasil, divulgado no mês de junho pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e pelo Instituto de Pesquisa Nielsen, o mercado editorial foi salvo pela onda dos livros para colorir, um dos maiores sucessos dos últimos tempos. Sozinhos, eles renderam mais de R$ 25 milhões entre janeiro e maio. A febre das “cores” garantiu um salto de 8,83% no volume de faturamento total.
Agora, no rastro da tal febre dos livros para colorir a Trave Underwear, de Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro, investe na "cueca para colorir" como presente para o dia dos pais.
A peça de algodão, nos tamanhos adulto e infantil,  pode ser personalizada com canetas especiais para tecido. Já lançada nas redes sociais da marca, chegará às lojas na próxima semana. O preço será R$ 25.
— A ideia veio do próprio diretor da empresa, que estava colorindo um livro para desestressar. Fizemos um floral bem parecido com o do livro "Jardim Secreto", inserindo outros elementos, e também criamos uma outra estampa, geométrica — conta a estilista da Trave, Paloma Loretti.
Para a estilista, o lançamento não corre o risco de sofrer com o saturamento de produtos para colorir que continua em alta desde o lançamento do livro "Jardim Secreto", da ilustradora britânica Johanna Basford.
— (A moda) pode ser demais dependendo do público. Para o infantil nunca é demais. A ideia é que a criança brinque, personalize a sua cueca e possa dar a outra de presente para o pai — sugere a estilista.
Fonte G1
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Pra valer: consumidor tem direito à agua filtrada
24/07/2015 | 10h44

Negar água filtrada em restaurante, bar ou afins acarretará multa de R$ 542 ao comerciante. Vale a partir desta sexta-feira, em todo o estado do Rio de Janeiro.

Nesta sexta-feira (24), no Rio de Janeiro começa a vigorar a lei estadual que obriga restaurantes, bares e similares a fornecerem água filtrada gratuitamente aos clientes. Será multado o estabelecimento que descumprir a norma. O valor da multa inicial é de R$ 542,00. O texto fala em água potável, ou seja, filtrada, não em água mineral.
Autor do texto, o deputado André Ceciliano (PT) explica que, além da multa, os restaurantes serão obrigados a afixar um cartaz em local visível com informações sobre a medida. - A lei de 1995 não estava muito clara, não era conhecida e não tinha penalidade. Esperamos que, com a norma sancionada, esse direito seja efetivado - frisa o deputado.
Antes, os estabelecimentos já eram obrigados a fornecer a água mas o descumprimento não impunha sanções ao comerciantes. O valor da multa poderá aumentar caso o estabelecimento seja reincidente.
O consumidor que queira reclamar o direito e não for atendido, poderá acionar o Procon. E ainda, caso o consumidor tenha desconfiança da procedência da bebida, pode pedir ao estabelecimento para ver o local de onde a água foi tirada. A lei não fala em exigência da água ser refrigerada.
Fica o alerta aos comerciantes de Campos e região. Em tempos em que todos desconfiam de todos e que costumeiramente leis são burladas, olho vivo!
fonte. G1 e O Globo
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Retornando...
19/06/2015 | 10h38
Volto à casa, real e virtual. Por mais que tenha tentado me manter informada sobre os acontecimentos no país e em Campos, reconheço: distante do foco estive. Como da primeira vez que aqui cheguei, a chuva (água) me recebeu. É bom presságio, tanto para mim quanto para a região e, particularmente, para o sudeste. É interessante lembrar, do que pude acompanhar pela mídia, nada de substancial foi alterado no nível dos reservatórios de São Paulo e Rio de Janeiro. Continuamos estacionados no tétrico "nível morto". No "nível morto" também, se não me equivoco na avaliação, continua a prática política dos atuais detentores do poder público municipal. Como novidade na conjuntura política local é a cada vez mais arrojada movimentação e organização da sociedade civil campista agastada com o caduco, repetitivo e falso proselitismo oficial. Uma luz! Isso tudo e tudo o mais será assunto para futuras publicações. Faço o agradecimento aos leitores pela leitura do blog ainda que tenha ficado sem atualizações. Sigamos!      
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A magia do baobá na obra de Saint Exupéry e Mia Couto
24/05/2015 | 01h51
Um pouco de magia e poesia para desembaralhar o dia, afinal folga para a maioria.
Por Nara Rúbia Ribeiro O baobá, também chamado de embondeiro, ou imbondeiro, talvez seja a árvore em torno da qual mais existam lendas, em todo o mundo. Árvore de idade incerta, posto que a sua madeira não possui anéis de crescimento, sua imponência, sua força, a fantasia que a envolve desafiam a imaginação humana. Cada um vê nessa árvore um diferente mistério. Uma magia peculiar. Com espécies nativas da África, de Madagascar e do Senegal, foi um baobá nascido em solo brasileiro (Natal, Rio Grande do Norte) que inspirou Saint Exupéry ao escrever “O pequeno príncipe” e no desenho das aquarelas. Neste livro, o baobá é visto como um iminente perigo ao minúsculo asteroide do protagonista, e razão pela qual ele necessita, urgentemente, de um carneiro que possa comer os baobás assim que brotarem do chão.
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Baobá que inspirou Saint Exupéry-  Natal, Rio Grande do Norte
Há uma outra história de que gosto muito, narrada por Mia Couto no livro “Cada homem é uma raça”. Concebida pelo escritor à sombra de embondeiro, ou, quem sabe, apenas à sombra de sua lembrança, trata-se do conto “O embondeiro que sonhava pássaros”. É a história de um passarinheiro negro que morava num embondeiro e que visitava, com recorrência, um bairro de brancos, despertando o encantamento das crianças e a desconfiança dos adultos. “O homem puxava de uma muska (Muska – nome que, em chissena, se dá à gaita-de-beiços.) e harmonicava sonâmbulas melodias. O mundo inteiro se fabulava. Por trás das cortinas, os colonos reprovavam aqueles abusos. Ensinavam suspeitas aos seus pequenos filhos – aquele preto quem era? Alguém conhecia recomendações dele? Quem autorizara aqueles pés descalços a sujarem o bairro? Não, não e não. O negro que voltasse ao seu devido lugar.” E assim o passarinheiro ganhou fama e passou a ser objeto de comentários de todo o bairro, despertando diferentes reações em cada um. Um preto ganhar fama não era algo aceitável, posto que nem mesmo a convivência era ali tolerada. Assim, os moradores do bairro trataram de denegrir a sua imagem. De desumanizá-lo, de sorte a poderem melhor discriminá-lo. Quiçá prendê-lo. Ou matá-lo. “Mas logo se aprontavam a diminuir-lhe os méritos: o tipo dormia nas árvores, em plena passarada. Eles se igualam aos bichos silvestres, concluíam.”13295_gg Diante do encantamento das crianças, especialmente de um menino chamado Tiago, o passarinheiro lhes transmitia lendas acerca da grande árvore:  “(…) aquela era uma árvore muito sagrada, Deus a plantara de cabeça para baixo.“Aquela árvore é capaz de grandes tristezas. Os mais velhos dizem que o embondeiro, em desespero, se suicida por via das chamas. Sem ninguém pôr fogo.” Mia Couto se vale, no conto, de sua poesia ímpar e das crenças africanas acerca do embondeiro. Ele discorre sobre a alma preconceituosa e medrosa dos homens, sobre a fantasia das crianças, e ainda sobre as desigualdades de um mundo em que a cor de um homem pode servir de fulcro  para a sua condenação cabal. Assim, o embondeiro é, tanto no conto quanto na vida, uma fonte de magia a cada um que de perto observar a sua imagem, trazendo-a ao coração. Ele nos mostra a grandeza da Natureza que nos cerca e do quanto a nossa mente ainda necessita expandir para bem compreende-la e integrar-se a ela. E, talvez, nas palavras de Mia Couto, quem sabe em breve tempo a humanidade já consiga assimilar o que, do embondeiro, o menino Tiago viu em sonho: “Dentro, o menino desatara um sonho: seus cabelos se figuravam pequenitas folhas, pernas e braços se madeiravam. Os dedos, lenhosos, minhocavam a terra. O menino transitava de reino: arvorejado, em estado de consentida impossibilidade. E do sonâmbulo embondeiro subiam as mãos do passarinheiro. Tocavam as flores, as corolas se envolucravam: nasciam espantosos pássaros e soltavam-se, petalados, sobre a crista das chamas.” Talvez ainda possamos enxergar os sonhos do embondeiro. Afinal, afirma Mia, que o embondeiro sonha pássaros. Sonhemos também! wp_large_20090227_3

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56ª EXPOAGRO
22/05/2015 | 04h45
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Funesto
19/05/2015 | 08h02

Em manifestação com 50 pessoas na Paulista, Lobão ataca FHC e tucanos

Símbolo dos manifestantes anti-PT, o cantor Lobão atribuiu a posição contrária ao impeachment de Dilma Rousseff do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a um "conluio histórico" de tucanos e petistas. [caption id="attachment_9006" align="alignleft" width="300"]Lobao foto. catracalivre.com.br[/caption] "Isso é típico do PSDB. O PSDB tem um conluio histórico com o PT. O social-democrata sempre foi uma escadinha para o socialista desde os mencheviques", disse Lobão, pouco depois de chegar ao vão do Masp, onde uma manifestação pró-impeachment reuniu cerca de 50 pessoas, neste domingo (17). O Partido Social-Democrata Russo, que iniciou a Revolução de 1917, era dividido nas correntes bolchevique e menchevique. A primeira, liderada por Lênin, era favorável à ditadura do proletariado e a segunda pregava a negociação com a burguesia. Todo social-democrata é um comunistinha lustroso. São mais bem letrados, mas não só toleram os comunistas como admiram mesmo os comunistas", completou. Lobão foi a estrela da manifestação. Assediado para tirar fotos em celulares, posou batendo uma panela e depois minimizou o fato da manifestação de hoje ter reunido apenas uns "poucos e barulhentos". "Se está diminuindo o povo, não interessa. Qualquer manifestação é saudável, legítima e necessária. O impeachment é uma questão de tempo. Essa massa surgiu espontaneamente, sem organização nenhuma e tem o intuito de reforçar a marcha que vai chegar em Brasília no dia 27". Vestidos de verde e amarelo, os manifestantes batiam panelas e gritavam slogans como "Lula cachaceiro, devolve o meu dinheiro" ou "O PT roubou", mimetizando o grito das arquibancadas "o campeão voltou".
 Publicado na Folha de São Paulo em 17/05/15
 
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INDIGESTÃO
04/05/2015 | 10h18

O ponto da ganância verissimo

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Desde que o capitalismo e a moral burguesa nasceram, ao mesmo tempo, vivem brigando. Só conseguem viver juntos com a hipocrisia

Tudo pode ser reduzido a uma metáfora culinária. Comparamos mulheres com frutas e revoluções com omeletes e dizemos que as pessoas envelhecem como o vinho — ou ficam melhores ou azedam. E já ouvi dizerem de uma mulher que lembrava um vinho da Borgonha. Nada a ver com sabor ou personalidade, e sim com o formato da garrafa (pescoço longo e ancas largas). O capitalismo triunfante também evoca uma questão de cozinha, a do ponto. Qual é o ponto em que a ganância humana deixa de ser um propulsor econômico e volta a ser pecado? Da Margaret Thatcher diziam que ela queria o impossível: devolver à Inglaterra os valores morais da Era Vitoriana ao mesmo tempo em que desencadeava a era do egoísmo sem remorso e declarava que sociedade não existia, só existia o indivíduo e suas fomes. Dilema antigo. Desde que o capitalismo e a moral burguesa nasceram, ao mesmo tempo, vivem brigando. Só conseguem viver juntos com a hipocrisia, que teve uma das suas apoteoses na era vitoriana invocada pela Sra. Thatcher. No Brasil de tantos escândalos, cabe a pergunta: qual é o ponto da ganância? Quando é que a mistura desanda, o molho queima e o que era para ser um pudim vira uma vergonha? Há quem diga que o mercado sabe quando e como intervir para salvar a moral burguesa. Digo, o pudim. Claro que, para isso funcionar, é preciso confiar que todas as pessoas sejam, no fundo, social-democratas, ou capitalistas só até o ponto certo do cozimento. Ou acreditar que a ganância pode destruir a ideia de sociedade e ao mesmo tempo esperar que a ideia sobreviva nas pessoas, como uma espécie de nostálgica produção caseira. O capital financeiro que hoje domina o mundo nasceu da usura, que era punida pela Igreja Medieval. A história da sua lenta transformação, de pecado em atividade respeitável, culminando com sua adoção pela própria Igreja, é a história da hipocrisia humana. A Inquisição mandava os usuários para a fogueira, onde... Mas é melhor parar com as metáforas culinárias, antes de começar a falar nos grelhados.
Publicado hoje no O Globo
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Sobre o autor

Luciana Portinho

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