NOVAS ATITUDES
A Presidente Dilma vetou na íntegra o projeto que tramitava no Congresso Nacional para criação de novos municípios. Terça-feira desta semana, fechou um pacto com os partidos da base aliada pela responsabilidade fiscal. O IBGE mostra que 70% dos municípios tem até 20.000 habitantes. Com raras exceções municípios com esta população não tem auto-sustentabilidade, necessitam de verbas estaduais e federais para fecharem as contas e vem o Congresso propor a criação de mais 180 novos municípios. Data vênia senhores Deputados e Senadores, me parece, um projeto casuístico, eleitoreiro, irresponsável do ponto de vista fiscal. Aliás, a Presidente fundamentou seu responsável veto na falta da fonte financiadora dos novos municípios. Atitude de estadista Presidente, a nação brasileira agradece.
Ontem, comemorou-se o dia mundial da televisão, veículo de divulgação ao qual o saudoso jornalista Sérgio Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta, chamou de “Máquina de fazer doido”. A TV brasileira tem altíssima qualidade técnica e parabéns aos profissionais pela bela produção. De novo, o data vênia, o mesmo não podemos dizer do conteúdo. Na minha opinião e de muitos outros, há excessos de exposição de seios e nádegas, de cenas de sexo implícito e às vezes quase explícito, que levam a sexualização e erotização precoce de crianças; de violência gratuita até nos programas infantis, e o pior, como disse Hanna Arendt, a banalização do mal.
Quando se reclama disso, retrucam os defensores da “liberdade de expressão”: liga a TV quem quer e na hora que quer. Não é para crianças verem certos programas, além disso, crianças dormem cedo. Dormiam! Dormiam, não dormem mais, e agora tem as outras máquinas de fazer mais doidos ainda, o celular e o computador com sua internet para o bem e para o mal. Assim como a Presidente tomou a atitude acima elogiada, gostaria que os responsáveis pelos programas das TV’s, não nos considerassem um bando de idiotas, tarados sexuais, vampiros com eterno gosto de sangue na boca e tomassem a atitude cívica de melhorarem o nível cultural, ético e moral das suas produções. A nação brasileira agradeceria!
Médico, Conselheiro do CREMERJ e do CFM


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Arruma o meu marido
luciana portinho
É o nome de um programa de televisão vespertino. E é cômico, irresistivelmente engraçado. Hilário mesmo. Momentos de mico total. Assisti hoje no salão, fazendo o que as mulheres brasileiras gostam: as unhas. Lá ao fundo, no alto, um aparelho de TV, daqueles suspensos naquela geringonça que vira pra lá e pra cá. A pleno vapor da rotina seguia a vida do ambiente, cada qual concentrada no seu afazer do momento. Eis que o barulho do secador de cabelos cessou e lá do fundo veio então a chamada do tal programa. Todas se viraram em direção à televisão. Aline, a ajudante de cabeleireira foi a primeira que aos gritos nos chamou a atenção. “Nossa, deixa eu ver...Uuii...ééé... mudou muito, poxa como mudou, só continuou feio”. A risadaria eclodiu e logo o silêncio se fez na geral. Até eu que habitualmente pouco assisto TV parei para ver. É um daqueles programas popularescos, em que a mulher envia um pedido à produção para repaginar o marido. É tudo muito divertido ver o antes e o depois do infeliz do marido. Antes, sem dentes e todo mal-ajambrado. Depois, com roupa nova, novo corte no cabelo e exibindo uma bela mordedura o cidadão entra glorioso palco adentro. A mulher estupefata e encantada se pendura no pescoço dele e se beijam apaixonadamente. O fundo musical, dispensa qualquer referência, é só love love youuuu! Pensam que a cena terminou, que nada. O casal passa então a receber os presentes dos patrocinadores. Ao que o locutor, de microfone em punho, grita: “Ganhou!...Ganhou da Agropecuária de Jundiaííí , uumm lindo câarrrrneiro” e aí aparece na tela o robusto pimpão envolto em uma capa prata acetinada. E mais beijos demorados fecham os momentos da mais simplória descontração da tarde.
