Órgãos como Procom e Codemca abasteceram as demandas para remendar o governo Rosinha. Seria bom que o Ministério Público desse uma olhadinha para descobrir onde foi parar o dinheiro do Fundo do Procom, cerca de dois milhões de reais transferidos do Fundo para a Secretaria Municipal de Fazenda por conta de um decreto soturno. Dessa bolada, que deveria ser aplicada em estrutura e melhorias para fiscalização do órgão de defesa do consumidor, oitocentos mil reais estão sem paradeiro identificado. A mesma auditoria deveria ser feita na Codenca para conferir a aplicação da arrecadação com taxas, como as taxas de embarque e desembarque de passageiros nas duas rodoviárias, cerca de 90 mil por mês, dos quais são repassados apenas cerca de 33 mil reais para utilização do órgão na administração e manutenção dos terminais. Dos outros quase 700 mil anuais não se sabe a destinação, mas se não foram utilizados nas rodoviárias, pode ser considerado desvio de finalidade. O pessoal que recebe RPA pode tirar o cavalinho da chuva que Rosinha vai se escafeder do governo sem pagar a folha de dezembro, deixando o pepino para Rafael Diniz descascar.
Recuo estratégico
Diante da forte repercussão negativa, estrategicamente e novamente, o marido da prefeita desdisse o que havia dito, e ontem afirmou, em um programa de televisão (AQUI), que não vai fechar a UHP da Saldanha Marinho, e que o prédio será reformado por partes, em funcionamento. Antes assim. Bem, pelo menos até ele mudar de ideia, de novo...
Visita
A polêmica intenção do Governo Municipal de fechar a UHP da Saldanha Marinho e transferir seu corpo de médicos e funcionários para ativar a nova UBS da Penha que, apesar de contar com espaço físico para Emergência 24h, atualmente funciona apenas com atendimento ambulatorial, desmentida, confirmada e, novamente, desmentida pelo marido da prefeita, levou o blog visitou a UBS da Penha.
Estrutura física elogiável
A primeira impressão foi ótima. Encontramos um belo e moderno prédio, com amplas instalações, apesar de sub-utilizadas. Fomos atendidos por um solícito recepcionista que nos encaminhou para a encarregada da unidade Sra. Nelma Guimarães, bastante cortês e profissional, que explicou o funcionamento da unidade, que conta hoje com 2 pediatras, 2 ginecologistas, 1 clínico geral, 2 fisioterapeutas, 2 odontólogos, um corpo clínico suficiente para o atendimento ambulatorial da área que abrange, além de ambulância, e salas de curativos, uma pequena farmácia, aferição de pressão e glicemia.
Cobrindo um santo, descobrindo o outro
A maior deficiência da nova UBS está em um ponto bastante nevrálgico da Saúde Pública em Campos, a Emergência 24hs. As instalações existem, mas carecem totalmente de equipamentos e corpo de funcionários e médicos para que funcionem, conforme a promessa da prefeita Rosinha no dia da sua inauguração. Para mantê-la, na impossibilidade de contratações em período pré-eleitoral, surgiu a idéia, agora abortada, de fazer o remanejamento dos funcionários da UHP da Saldanha Marinho, com o fechamento daquela unidade para uma “reforma”, o que gerou uma forte comoção na população dos bairros atendidos por ela, e a divulgação de uma “Moção de Repúdio” e a criação de um Abaixo Assinado dirigido ao Ministério Público Estadual, que obrigou o Secretário de Governo e marido da prefeita Sr. Anthony Garotinho a recuar naquela decisão, vista pela população e funcionários como notadamente eleitoreira. Dessa vez não deu para cobrir um santo descobrindo o outro.
Após o Governo Municipal de Campos anunciar um “fechamento para reforma”, denunciado por esse blog (AQUI), e retroceder, o novo anúncio do fechamento da Unidade Pré - Hospitalar da Saldanha Marinho (Antigo Sandu), para colocar em funcionamento com os seus funcionários a UBS Penha, desta vez feita de Secretario de Governo e marido da prefeita em seu programa de rádio, deixou revoltados os médicos, funcionários, e milhares de moradores de dezenas de bairros e comunidades atendidas pelo UPH.
Os médicos e funcionários divulgaram uma “Moção de Repúdio à pretensão do Governo Municipal de Campos dos Goytacazes de encerramento das atividades da UPHSM e transferência dos funcionários”, e um abaixo assinado está disponível naquela unidade e também percorrendo as comunidades e bairros atingidos.
Nas redes sociais viraliza a revolta contra a decisão, vista apenas como oportunista e eleitoreira. Algumas postagens citam a LEI 7.783: “São necessidades inadiáveis, da comunidade aquelas que, não atendidas, coloquem em perigo iminente a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população.". (AQUI)
O movimento cresce e deve gerar fortes protestos naquela unidade e na porta da Prefeitura de Campos.
Leia abaixo a Moção de Repúdio na íntegra:
Moção de Repúdio à pretensão do Governo Municipal de Campos dos Goytacazes de encerramento das atividades da UPHSM e transferência dos funcionários
Campos 03 de Agosto de 2016
Surpreendidos com a declaração do Secretário Municipal de Governo de Campos dos Goytacazes Sr. Anthony Garotinho, em seu programa de rádio, de que a UNIDADE PRÉ-HOSPITALAR DA SALDANHA MARINHO será fechada, os funcionários da UPHSM, pertencente à FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE DE CAMPOS, vem a público explicitar o seu posicionamento e manifestar o seu repúdio quanto ao encerramento do atendimento de urgência aos munícipes da área central e outros bairros: Tira Gosto, Matadouro, Portelinha, IPS, Parque Aurora, Parque São Benedito, Jóquei Clube, Novo Jóquei, Turfe Clube, Carvão, Ponta da Lama, Parque Santo Amaro, Parque São Caetano, Pecuária, Nova Brasília, Julião Nogueira, Guarus, Baixada Campista, entre outros, e em defesa da permanência do funcionamento da UNIDADE PRÉ-HOSPITALAR, com histórico de serviços prestados à comunidade desde 1966; tornando notório, ainda, o nosso repúdio pela transferência dos funcionários concursados da UPH Saldanha Marinho para a UBS da Penha, sem estudo prévio ou qualquer consulta à comunidade e/ou justificativa, agindo de forma desrespeitosa com os segmentos profissionais e com a população.
Repudiamos a ação de desmonte da SAÚDE PÚBLICA no MUNICÍPIO DE CAMPOS, que desconsidera essa UNIDADE DE SAÚDE e a sua importância no contexto populacional, REDUZINDO ESSA VALIOSA E HISTÓRICA INSTITUIÇÃO A AÇÕES POLÍTICAS e minimizando a sua importância na vida da população que necessita desse atendimento. Repudiamos, ainda, o desaparelhamento a que esta unidade de saúde vem sendo submetida ao longo dos últimos anos, causando um impacto considerável na qualidade do atendimento prestado a esses usuários de direito.
Hoje, a referida unidade pertence a FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE, constituindo a REDE DE URGÊNCIA DO MUNICÍPIO.
Contamos com equipe multidisciplinar composta de: médicos; enfermeiros; técnicos de enfermagem; assistente social; farmacêutico, odontólogos, além da equipe técnico administrativa.
POSSUÍMOS SALA DE MAL SÚBITO; TRÊS ENFERMARIAS, SALA DE HIPODERMIA, POSTO DE ENFERMAGEM; SALA DE SUTURA; SALA DE SERVIÇO SOCIAL; FARMÁCIA; SALA DE CURATIVOS E DOIS CONSULTÓRIOS MÉDICOS.
SOMOS A ÚNICA UNIDADE PRÉ-HOSPITALAR DA MARGEM DIREITA DO RIO PARAÍBA E ABSORVEMOS OS ENCAMINHAMENTOS REALIZADOS PELO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR E EMERGÊNCIA EM CASA, ASSIM COMO ATESTAMOS ÓBITOS EM DOMICÍLIO.
Por isso, nós funcionários da Unidade de Atendimento Pré-Hospitalar Saldanha Marinho (UPHSM) apresentamos a seguinte moção. As últimas notícias dão conta que a reunião, adiada de ontem para hoje, para decidir o destino do PU da Saldanha Marinho, acabou sendo apenas para comunicar que morreu no berço vítima de apoplexia rosácea a decisão de fechar aquele PU para ativar com o seu corpo de funcionários o da Penha, sem funcionários por impedimento legal de novas contratações em véspera de eleições.
Pesou forte na decisão a péssima repercussão da medida, inclusive, segundo fontes seguras, a forte reação negativa nas comunidades circunvizinhas foi um sinal de alerta avalizado por mais de quatro mil votos em cada uma delas.
A saída para os idealizadores da tão cruel quanto ingênua, e agora natimorta, estratégia eleitoral foi abortá-la antes que ela fizesse nas fraldas, e principalmente nas urnas, o que alguns políticos vêm costumeiramente fazendo na vida pública...
Amanhã, haverá uma reunião entre o Secretário de Saúde Dr. Geraldo Venâncio e o chefe do PU da Saldanha Marinho Edgar Manhães para discutir o fechamento daquele posto para reformas e a transferência das equipes médica e de enfermagem, “que não podem ficar paradas", para a o posto da Penha, sem previsão se haverá retorno.
Também, segundo o secretário, “o eventual fechamento da unidade é indispensável para reformas no antigo prédio do “Sandú”, bastante deteriorado e precisando urgentemente de revisão nos telhados, rede elétrica etc..., alvo de reclamações da própria equipe médica, e hoje utilizado praticamente para atendimento ambulatorial. Não havendo prazo para reativação do posto. Casa velha sempre tem surpresas”. Ele também alega que teria havido redução no número de moradores daquela área e que o atendimento passaria a ser feito pelas UBS do Turfe Clube e do Jóquei Clube, com opções de atendimento 24 horas na Penha, no Hospital São José, no Hospital Ferreira Machado, no PU e no Hospital Geral de Guarus.
Médicos repudiam
Ouvidos por esse blog, médicos do PU da Saldanha Marinho que, por motivos óbvios, preferiram não se identificar, mostraram grande preocupação com a paralisação do atendimento à população que utiliza aquele Posto, em sua maioria carentes, que não terão como se locomover até a Penha ou outras unidades, além de dificultar sobremaneira o serviço prestados por eles médicos na confirmação de óbitos por causas naturais e confecção atestados de óbitos nos bairros periféricos e nas comunidades.
Os médicos alertam que o PU tem uma Sala de Mal Súbito para estabilizar e encaminhar pacientes graves, Triagem feita por Corpo de Enfermagem, três enfermarias de repouso, e Internação para observação e encaminhamento.
Os profissionais também demonstraram estranhar a coincidência da sua transferência e dos serviços para uma área de maior coeficiente eleitoral às vésperas da campanha eleitoral municipal.
Ainda segundo eles, a UBS da Penha é muito bem montada, mas não conta com corpo profissional para funcionar e, como a prefeitura não pode contratar nesse período pré-eleitoral, surgiu uma urgência de profissionais para a que UBS da Penha não seja “um tiro no pé” do governo municipal em uma área de grande número de eleitores.
Aparentemente mal informado, e dormindo muito cedo e bem agasalhado, ou, na realidade, apenas exercitando na prática a arte da negação do óbvio, como reza a cartilha do seu pequeno mestre Yoda da Lapa, o funcionário da Câmara Municipal de Campos Avelino Ferreira resolveu culpar os "Órfãos de Rosinha" por seu próprio sofrimento nesse inverno, ao dormirem tiritando ao relento nas calçadas laterais à praça principal de Campos, além de taxá-los de forasteiros e alcoólatras: “saiba de onde são os "moradores de rua", “o porque de não desejarem ficar nas casas de atendimento da Prefeitura (nas quais a bebida alcoólica é proibida)”.
Avelino escolheu como canal para descarregar a sua ira de pior cego (aquele que não quer ver) o Facebook do jornalista Robson Cândido, da Plena TV, que havia compartilhado a postagem desse blog, sob o título “Vive-se um verdadeiro pesadelo na história de Campos”, trazendo as incontestáveis fotos do descaso do poder público, esse sim, o maior responsável pelo desnecessário sofrimento dos “Órfãos de Rosinha”, que agora sabe-se, têm padrasto. E tudo isso no mesmo dia em que a cidade deglutia a amarga notícia de mais desperdício de dinheiro público para alimentar a farra oficial dos shows e trios elétricos.
Avelino teve a sua estranha pretensão de defender o indefensável imediatamente repudiada por Robson Cândido: “Sobre os moradores, se estão em Campos, deveriam no mínimo, estarem sendo acompanhados por profissionais competentes e pagos com o nosso dinheiro”, “Em relação ao ALCOOLISMO, (dos moradores de rua) também temos profissionais competentes e pagos com o nosso DINHEIRO para atendê-los! Finalizando: espero que esteja, e com certeza deve estar, neste momento bem agasalhado!”.
Avelino podia ter dormido sem essa, para não ter algum pesadelo...
Abaixo, mais alguns dos incontáveis comentários no Face de Robson sobre os "Órfãos de Rosinha", que viralizaram nas redes sociais
A beleza de cartão postal da madrugada refletindo as luzes no frio do granito da Praça São Salvador não é suficiente para esconder a face mais cruel do abandono pelo poder público.
Nas calçadas laterais, tentando fugir da luz dos postes e do inverno implacável, pessoas dormem no chão, ao relento, tiritando de frio. Separando a pele humana das ásperas e geladas pedras portuguesas, apenas finas folhas de papelão recolhidas do lixo do comércio e alguns velhos e minguados cobertores.
Só quando, completamente vencidos pelo cansaço, se abrigam em suas minúsculas tendas nômades dos sonhos, o mais íntimo dos territórios, conseguem uma fugaz trégua do desamparo e do trauma da sua condição social, um pequeno repouso para o corpo e o espírito.
São os órfãos de Rosinha, para quem não importam shows caros ou retumbantes trios elétricos. Para eles, apenas um teto noturno, quatro paredes, e a dignidade de um banheiro e um prato de sopa fariam toda a diferença...
Sobre o autor
Esdras
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